Relembre o único momento em que a Copa do Mundo foi paralisada

Desde 1930, a cada quatro anos, a maior competição do futebol mundial é realizada, exceto por dois anos na década de 40

Seleção Alemã na Copa do Mundo de 1938, durante o regime nazista

A história da Copa do Mundo carrega momentos de glória, rivalidade e paixão no futebol, mas também foi profundamente impactada por acontecimentos fora das quatro linhas. O mais marcante deles foi a Segunda Guerra Mundial, conflito que levou a Fifa a suspender o torneio por 12 anos, interrompendo uma competição que ainda dava seus primeiros passos como evento global.

Após o sucesso das edições de 1930, no Uruguai, 1934, na Itália, e 1938, na França, a Copa do Mundo caminhava para se consolidar como o principal campeonato de seleções do planeta. No entanto, o cenário político da Europa já dava sinais de instabilidade, e a edição de 1938, realizada em solo francês, acabou sendo a última antes do conflito mundial. Pouco tempo depois da final vencida pela Itália, em junho daquele ano, o continente mergulhava em uma guerra que mudaria completamente o curso da história.

Com o início oficial da Segunda Guerra Mundial em setembro de 1939, a Fifa passou a enfrentar um contexto inviável para a organização de qualquer competição internacional. Países estavam diretamente envolvidos no conflito, fronteiras foram fechadas, rotas marítimas e aéreas tornaram-se inseguras e milhões de jovens, incluindo jogadores de futebol, foram convocados para o front.

Diante desse cenário, a entidade decidiu cancelar as Copas do Mundo de 1942 e 1946, priorizando a segurança e reconhecendo que o futebol não poderia se sobrepor a uma tragédia de escala global.

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A edição de 1942 chegou a ter países interessados em sediá-la, como Alemanha, Brasil e Argentina, mas as discussões foram abandonadas à medida que o conflito se intensificava.

Já em 1946, mesmo com o fim da guerra no ano anterior, a Europa ainda estava devastada economicamente e estruturalmente, sem condições logísticas, financeiras ou políticas para receber um evento do porte da Copa do Mundo. Estádios haviam sido destruídos, cidades estavam em reconstrução e a prioridade era a recuperação social dos países afetados.

O retorno do Mundial só foi possível em 1950, no Brasil, em uma edição simbólica que marcou não apenas a retomada do futebol internacional, mas também a tentativa de reconstrução dos laços entre as nações por meio do esporte. A chamada “Copa da Paz” reuniu seleções de diferentes continentes e simbolizou um novo começo após um dos períodos mais sombrios da humanidade.

A pausa causada pela Segunda Guerra Mundial permanece como o maior hiato da história das Copas do Mundo e evidencia como o futebol, apesar de sua força cultural, está diretamente ligado aos acontecimentos políticos e sociais do planeta.

Giovanna Rafaela Castro é jornalista em formação e integra a equipe do portal Itatiaia Esporte

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