No mesmo grupo na Copa, França manteve bases militares por 65 anos no Senegal
Senegal tem o francês como língua oficial, porém, o wolof é a língua franca mais falada no dia a dia; existem mais de 30 idiomas reconhecidos no país africano

O Grupo I da Copa do Mundo de 2026 promete ser um dos mais disputados da competição, tendo sido sorteadas para ele as seleções da França, Senegal e Noruega. O quarto participante sairá da repescagem entre Bolívia, Iraque e Suriname. E para além do campo e bola, dois países da chave compartilham o lastro histórico da colonização.
Senegal foi colonizado pela França, que se estabeleceu no território do país em 1638. Durante os séculos XVII e XVIII os colonizadores europeus exportaram escravos, goma arábica, ouro e marfim da nação africana.
Ainda que em 1816 uma ocupação britânica tenha sido registrada no litoral do território, um ano depois, em 1817, a França retomou o domínio, ocupando também o interior.
No fim do século XIX, o Senegal passou a fazer parte da África Ocidental Francesa, o que fez com que parte dos habitantes urbanos no local obteve a cidadania francesa. Décadas depois, em 1946, o país tornou-se território ultramarino da França e a medida foi estendida a todos os senegaleses.
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Independência senegalesa
Mas o domínio não demorou a ruir. Em 1958, a antiga colônia tornou-se uma república autônoma. No ano seguinte, 1959, se uniu ao Sudão Francês (depois Mali) para formar a Federação do Mali, que se tornou independente em junho de 1960. Dois meses depois, em agosto, Senegal rompeu seu vínculo com a federação e declarou-se independente, elegendo seu primeiro presidente, Léopold Sédar Senghor.
Após 2011, houve redução no número de tropas francesas no país. Em 2023, uma nova diminuição aconteceu, sendo o último passo antes da retirada total. Porém, autoridades de ambos os países reforçam que não se tratou de ruptura, mas sim de um novo capítulo da parceria.
Hoje, a França não possui mais presença militar permanente na África Ocidental.
Maic Costa é jornalista, formado pela UFOP em 2019 e um filho do interior de Minas Gerais. Atuou em diversos veículos, especialmente nas editorias de cidades e esportes, mas com trabalhos também em política, alimentação, cultura e entretenimento. Agraciado com o Prêmio Amagis de Jornalismo, em 2022. Atualmente é repórter de cidades na Itatiaia.



