Muito além de Ancelotti, do tri e do tetra: a presença italiana no início da história em Copas
Primeiras edições dos mundiais tiveram participações relevantes de jogadores e demais personagens com forte influência do país europeu

Pela primeira vez comandada por um treinador estrangeiro numa Copa do Mundo, a Seleção Brasileira vai buscar o hexa sob a batuta de Carlo Ancelotti. O italiano, que ainda criança com certeza sofreu na conquista do tri pelo Brasil sobre a Itália, em 1970, no México, e que em 1994 era auxiliar-técnico de Arrigo Sacchi, no tetra, em 1994, nos Estados Unidos, tem o desafio de buscar o hexa.
Muito além desses três fatos, a Itália está diretamente ligada à nossa história em Mundiais, e nós, como país, à deles, pois nunca se deram bem em terras tupiniquins, seja defendendo o título, em 1950, ou na última vez que participaram do torneio, em 2014.
Confira a primeira parte dessa série com fatos entre a primeira Copa do Mundo, em 1930, no Uruguai, e o torneio de 1950, o primeiro que sediamos e que marcou a volta da competição após a Segunda Guerra Mundial.
1930
A Seleção Brasileira vai à primeira Copa do Mundo com uma equipe formada apenas por jogadores que atuavam em clubes do Rio de Janeiro, por causa de uma briga entre paulistas e cariocas. A dupla de zaga era a do Vasco, Brilhante e Itália, que ganhou esse apelido por ser neto de italianos.
Luís Gervazzoni começou a jogar no Bangu e depois se transferiu para o Vasco, onde fez história.
1934
O Profissionalismo tinha sido implantado no futebol brasileiro no ano anterior, e a CBD formou uma Seleção sem contar com vários grandes atletas por ter seguido no “amadorismo”. A delegação levou 12 dias para cruzar o Atlântico a bordo do navio Conte Biancamano, pois só se chegava assim ao Velho Mundo naquela época.
Em 24 de maio de 1934 o Brasil desembarcava em Gênova para disputar a primeira partida da sua história na Europa contra a Espanha, que estava no mesmo navio, mas iniciando a sua viagem já em Barcelona.
A Copa era toda no formato de mata-mata e a vitória espanhola por 3 a 1 eliminou o Brasil.
1938
Enfim o Brasil foi a Uma Copa com sua força máxima e fez grande campanha pelos gramados franceses. Ficou com a terceira colocação após bater a Suécia por 4 a 2. Nas semifinais, perdeu a chance de ir à final perdendo para a Itália, por 2 a 1.
Nesta partida, o time comandado por Ademar Pimenta não pode contar com Leônidas da Silva, artilheiro do Mundial de 1938 com sete gols. Machucado, ele ficou de fora do jogo assim como seu substituto, que seria Niginho, maior ídolo do Cruzeiro na Era Palestra Itália e que na época defendia o Vasco.
A ausência de Niginho tem duas versões. A mais difundida de que a federação italiana tinha avisado à Fifa de que ele ainda tinha contrato com a Lazio, de Roma, e que não estava liberado, o que o impedia de jogar.
Niginho deixou o Cruzeiro em 1933 para defender o clube romano. Convocado para defender o exército fascista na Guerra da Abissínia, em 1935, ele pediu para voltar ao Brasil e foi jogar no Palmeiras, depois no Vasco, clube que defendia na época da Copa.
Os italianos alegavam que ele era desertor do Exército Italiano e que a Lazio, com quem tinha contrato, não o havia liberado para jogar o Mundial da França pelo Brasil.
1950
Depois de 12 anos a Copa volta a ser disputada, com as edições de 1942 e 1946 não sendo jogadas por causa da Segunda Grande Guerra, que foi de 1939 a 1945. O Brasil é o país-sede e a Itália foi a primeira campeã mundial eliminada na fase de grupos no torneio seguinte.
A itália integrou o Grupo C com Suécia e Paraguai. A Índia desistiu de disputar a competição. Logo na estreia, no Pacaembu, em São Paulo, cidade que tem a maior colônia italiana do Brasil, a Azzurra perdeu por 3 a 2 para a Suécia. Na segunda rodada das chaves, os suecos garantiram a vaga empatando por 2 a 2 com o Paraguai.
Assim, em 2 de julho de 1950, a vitória de 2 a 0 dos italianos sobre os paraguaios, também no Pacaembu, foi um “amistoso”, pois a Suécia já tinha garantido a vaga do grupo C no quadrangular decisivo.
Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro
Igor Varejano é jornalista formado pela UFOP. Tem experiência em esportes e cidades no rádio e em portais. Colaborou com Agência Primaz, Jornal Geraes e Rádio Real. Atualmente é repórter do Itatiaia Esporte.




