Lenda da Holanda, Seedorf repudia racismo contra atletas que perderam pênaltis na Copa
Clarence defendeu as cores da Seleção Holandesa no Mundial de 1998, e teve grande carreira na Europa

Lenda do futebol holandês e mundial, Clarence Seedorf se pronunciou sobre os ataques racistas sofridos pelos jogadores da Holanda após a eliminação na Copa do Mundo. A Laranja Mecânica perdeu nos pênaltis para Marrocos na última segunda-feira (29), e deu adeus ao Mundial.
Justin Kluivert, Summerville e Timber foram os atletas que não converteram as penalidades contra os marroquinos. Nas redes sociais, os três atletas, que são negros, receberam uma onda de ódio.
Ao comentar o caso, Seedorf fez um paralelo com o que sofreram Marcus Rashford, Jadon Sancho e Bukayo Saka após a derrota da Inglaterra para a Itália na Eurocopa de 2020.
“Há alguns anos, vimos o que aconteceu quando a Inglaterra disputou a final da Eurocopa contra a Itália. Três jogadores negros desperdiçaram suas cobranças de pênalti, e a reação foi muito negativa, com uma enorme onda de ataques racistas nas redes sociais”, iniciou.
O jogador deu total apoio aos holandeses que perderam as penalidades, e ainda lembrou que também falhou na marca da cal pela Laranja Mecânica.
“Antes de qualquer coisa, quero manifestar meu apoio a esses jogadores extraordinários. Eles tiveram coragem de assumir a responsabilidade de bater um pênalti. Eu também já vivi essa situação. Perdi alguns pênaltis pela seleção holandesa”, disse.
“Naquela época não existiam redes sociais, mas senti o impacto das críticas. Isso teve um efeito significativo na minha carreira, inclusive na seleção. É sempre mais fácil criticar quem assume a responsabilidade do que aqueles que sequer tiveram coragem de assumi-la”, completou.
Sobre o racismo, ele repudiou completamente o comportamento dos agressores e também daqueles que se calam perante a injustiça.
“O racismo e a discriminação não podem ter espaço na nossa sociedade. Sabemos que nem todo mundo é racista ou discrimina. Mas, ao longo dos anos, percebi que um dos maiores problemas é o silêncio. Mesmo pessoas de bom coração, quando não se posicionam contra esse tipo de comportamento e contra quem o pratica, acabam fazendo parte do problema”, finalizou.
Igor Varejano é jornalista formado pela UFOP. Tem experiência em esportes e cidades no rádio e em portais. Colaborou com Agência Primaz, Jornal Geraes e Rádio Real. Atualmente é repórter do Itatiaia Esporte.



