Fifa revoga ingressos para torcedores do Irã na Copa do Mundo
Cada uma das 48 federações participantes tem o direito de receber e gerenciar 8% da capacidade dos estádios

A pouquinhos dias do início da Copa do Mundo, a Fifa revogou a distribuição de ingressos destinada aos torcedores iranianos para as três partidas da seleção nacional na fase de grupos do torneio nos Estados Unidos. A informação foi confirmada pela federação de futebol do Irã nesta terça-feira (9).
Pelo regulamento da entidade máxima do esporte, cada uma das 48 federações participantes tem o direito de receber e gerenciar 8% da capacidade dos estádios em seus respectivos jogos.
A decisão desestruturou o planejamento para a estreia do Irã no Mundial, marcada para o próximo dia 15 de junho, contra a Nova Zelândia, em Inglewood. Em comunicado divulgado pela mídia estatal semioficial, a federação iraniana lamentou o ocorrido e declarou que está oficialmente impossibilitada de fornecer as entradas aos seus torcedores. Procurada formalmente para comentar o caso e explicar os motivos da revogação, a Fifa ainda não se pronunciou.
O veto aos ingressos surge em meio a uma escalada de tensões geopolíticas que já afeta diretamente a logística do torneio. A delegação do Irã, que inicialmente realizaria sua preparação em Tucson, no Arizona, precisou mudar sua base de treinamentos para a cidade de Tijuana, no México, devido ao recente conflito estabelecido entre Teerã e Washington.

Além disso, diversos dirigentes da federação iraniana tiveram seus vistos de entrada negados pelas autoridades americanas. Pelo cronograma do Grupo, o Irã ainda deve enfrentar a Bélgica, novamente em Inglewood, no dia 21 de junho, e o Egito, em Seattle, no dia 26 de junho.
A situação dos torcedores locais já era complexa, uma vez que os residentes no Irã estão sob uma proibição de viagens imposta pelo governo dos Estados Unidos desde o ano passado, o que tornava a obtenção de vistos de turismo altamente improvável.
Até o momento, as autoridades não souberam precisar quantos ingressos da cota iraniana haviam sido comercializados para a comunidade expatriada, incluindo os iranianos que residem legalmente em solo americano, desde que o sorteio dos grupos foi realizado, em dezembro.
Infantino havia assegurado livre acesso
O cenário atual contradiz diretamente as garantias dadas pela própria entidade durante o processo de escolha da sede da Copa do Mundo. Em 2017, período em que os dirigentes americanos costuravam a candidatura conjunta com Canadá e México, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, havia assegurado publicamente o livre acesso de todas as nações e seus respectivos torcedores ao evento.
"É óbvio também no que diz respeito às competições da FIFA que qualquer equipe, incluindo seus torcedores e dirigentes, que queira se classificar para uma Copa do Mundo precisa ter acesso ao país, caso contrário não há Copa do Mundo", disse Infantino há nove anos. "Isso é óbvio."
Os problemas de fronteira vinculados ao torneio, contudo, parecem não se restringir ao Irã. No último fim de semana, um árbitro da Somália, formalmente indicado pela FIFA para atuar na competição, teve sua entrada barrada pelas autoridades alfandegárias no aeroporto de Miami e, já na segunda-feira, foi oficialmente cortado do quadro do torneio internacional.
Jornalista esportivo desde 2006 e com passagens por Lance!, Extra e assessorias de marketing esportivo. É correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Tem pós-graduação em Jornalismo Esportivo e formação em Análise de Desempenho voltado para mercado.



