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Especialistas revelam fatores psicológicos por trás do fenômeno Vozinha na Copa do Mundo

Goleiro de Cabo Verde comoveu milhões de pessoas após atuação contra a Espanha

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Divulgação/Seleção de Cabo Verde

A atuação do goleiro Vozinha no empate histórico de Cabo Verde contra a Espanha, na estreia da seleção africana na Copa do Mundo de 2026, chamou a atenção dos fãs do esporte. Aos 40 anos, o goleiro foi decisivo para garantir o empate sem gols diante de uma das favoritas ao título e ajudou seu país a conquistar um resultado histórico em sua primeira participação em um Mundial.

Mas não foram apenas as defesas que transformaram o cabo-verdiano em um dos personagens mais comentados da competição até o momento. Após o apito final, Vozinha se emocionou ao falar sobre os avós, que o criaram e já faleceram, além da mãe, que não conseguiu viajar para acompanhar o momento mais importante de sua carreira.

As imagens rapidamente ganharam as redes sociais e geraram uma onda de mensagens de apoio, admiração e solidariedade de torcedores de diferentes países. Em apenas dois dias, Vozinha passou de 56 mil seguidores no Instagram para 12 milhões.

Explicação psicológica

A repercussão do episódio ajuda a explicar um fenômeno recorrente durante Copas do Mundo: a capacidade de histórias pessoais ultrapassarem fronteiras e mobilizarem pessoas sem qualquer ligação direta com uma seleção ou país.

Segundo a psicóloga Mariana Ramos, professora da Afya Centro Universitário Itaperuna, o impacto emocional de casos como o de Vozinha está relacionado a uma necessidade humana fundamental: o pertencimento.

"Os seres humanos possuem uma necessidade fundamental de pertencimento. Sentir-se parte de um grupo, de uma comunidade ou de algo maior do que si mesmo é uma necessidade emocional básica. Durante a Copa do Mundo, muitas pessoas experimentam justamente essa sensação de fazer parte de algo que transcende suas rotinas individuais", afirma.

De acordo com a especialista, a Copa do Mundo é um momento importante para fortalecer vínculos e aumentar a proximidade com pessoas, trazendo benefícios para os indivíduos.

“Quando dividimos emoções com outras pessoas, fortalecemos os vínculos sociais e aumentamos a sensação de proximidade, mesmo entre indivíduos que não possuem uma relação direta. A Copa cria uma narrativa compartilhada, em que todos acompanham os mesmos acontecimentos, comentam os mesmos lances e constroem memórias em conjunto”, explica.

Aspectos biológicos

Além dos aspectos psicológicos, o fenômeno também possui explicações biológicas. Segundo o psiquiatra Luís Cláudio Bochenek, professor da Afya Goiânia, emoções compartilhadas durante grandes eventos esportivos ativam mecanismos cerebrais ligados à conexão social.

"A Copa do Mundo promove uma experiência emocional intensa. Sentimentos como alegria, euforia, ansiedade, frustração ou tristeza são compartilhados coletivamente e acabam se amplificando dentro dos grupos", afirma.

O especialista explica que esse processo é conhecido como contágio emocional, quando uma emoção se espalha entre diferentes pessoas e ganha força dentro de uma coletividade.

"Quando uma emoção é compartilhada entre torcedores, ela ganha força. É o que chamamos de contágio emocional. Esse processo cria uma espécie de ressonância afetiva, em que os sentimentos circulam entre as pessoas e se retroalimentam", explica.

Segundo Bochenek, a repercussão da história de Vozinha demonstra como o cérebro humano responde não apenas aos resultados esportivos, mas também às narrativas que despertam empatia.

"O caso de Vozinha é um excelente exemplo de como histórias humanas conseguem ultrapassar barreiras geográficas e culturais. Quando acompanhamos alguém realizando um sonho ou superando obstáculos, ativamos mecanismos emocionais que favorecem a identificação e a conexão", afirma.

De acordo com o psiquiatra, essas experiências também estimulam sistemas cerebrais relacionados ao prazer, à recompensa e ao fortalecimento dos vínculos sociais.

"Nosso cérebro interpreta a identificação com um grupo como uma estratégia de segurança e sobrevivência. Quando nos reconhecemos como parte de uma coletividade, reduzimos a sensação de isolamento e fortalecemos nossa percepção de apoio social", acrescenta.

Para os especialistas, esse sentimento de pertencimento pode trazer benefícios importantes para a saúde mental, como o fortalecimento das relações sociais e a redução da sensação de isolamento.

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