Do fernet à frustração: o triste tango dos torcedores da Argentina em BH na final da Copa
Espanha venceu por 1 a 0 na prorrogação e conquista o tetracampeonato mundial; na Savassi, torcida argentina viveu noite de fernet, gritos de "Dibu" e lágrimas no apito final

Como num som de Carlos Gardel, a Argentina vivenciou a tensão, o desejo e a melancolia. Neste domingo (19), no Metlife Stadium, nos Estados Unidos, os argentinos perderam por 1 a 0 para a Espanha na decisão da Copa do Mundo e viu escapar o sonho do tetra. Em Belo Horizonte, um tradicional bar de empanadas na Savassi virou pista de um baile que começou embalado por fernet e esperança e terminou em frustração.
No início da tarde, o clima era de confiança. Os argentinos sonhavam com a segunda Copa seguida. A reportagem esteve em três jogos da campanha, mas este foi, sem dúvida, o mais lotado. Havia muitas camisas de clubes argentinos, embora a maioria dos presentes fosse formada por brasileiros simpatizantes da Albiceleste.
O pré-jogo teve fernet com Coca-Cola, cerveja e muitas empanadas. Com a alta demanda, o bar instalou dois telões, mas boa parte dos torcedores mineitinos (Mineiros argentinos) preferiu ficar do lado de fora, ocupando quase toda a Rua Paraíba para acompanhar a partida.
Tensão e devoção

Quando a bola rolou, o primeiro tempo truncado deixou a tensão no ar. No segundo, o desespero começou a aparecer: as músicas foram ficando cada vez mais curtas à medida que Rodri e Pedri dominavam o meio-campo.
Foi então que Emiliano Martínez passou a ser reverenciado. A cada defesa, primeiro vinha o suspiro coletivo de alívio, depois os gritos e, por fim, o coro que tomou conta da rua: "Olé, olé, Dibu, Dibu".
A expulsão de Enzo Fernández tornou o cenário ainda mais dramático. Já recuada, a equipe passou a provocar medo e apreensão entre os torcedores em Belo Horizonte. "Pasa nada", gritavam alguns. Mas o medo era palpável.
Confusão
A tensão chegou a gerar um princípio de confusão: um torcedor se irritou com o flash de um equipamento usado para registrar as reações do público e ameaçou quebrá-lo. A situação foi contornada rapidamente, mas os profissionais optaram por não voltar a utilizar a iluminação.
No gol anulado de Ferran, estrondo. Contudo, a alegria durou até os primeiros minutos do segundo tempo da prorrogação. Gol válido de Ferran.

Lágrimas
O restante da partida foi de pura apreensão. Cada toque de Messi era acompanhado por gritos de esperança, e uma jogada de Simeone chegou a levantar a torcida da calçada. Mas não deu para os argentinos: a derrota por 1 a 0 levou alguns torcedores às lágrimas após o apito final.
Já no rescaldo da partida, um grupo de brasileiros passou em frente ao bar com uma caixa de som para provocar os argentinos, gerando um novo princípio de confusão. A Polícia Militar foi acionada, interveio rapidamente e a situação foi controlada sem maiores ocorrências.
O saldo das partidas no bar foi de muita paixão por parte dos brasileiros que torcem pela Argentina e argentinos que moram em BH. Nada ali parece ser forçado. Existe muito sentimento envolvido e a tensão em cada momento é a demonstração disso. O local foi criado por um argentino, que decidiu transformar um pedacinho de BH em Buenos Aires. E ele conseguiu.
Igor Varejano é jornalista formado pela UFOP. Tem experiência em esportes e cidades no rádio e em portais. Colaborou com Agência Primaz, Jornal Geraes e Rádio Real. Atualmente é repórter do Itatiaia Esporte.



