Copa do Mundo teve dois troféus diferentes; veja comparações

Nos primeiros anos da disputa, taça era chamada de Jules Rimet; modelo atual foi decidido em concurso

Troféu da Copa do Mundo da Fifa

Entre 9 de junho e 19 de julho deste ano, seleções de futebol de todos os cantos do mundo se reunirão atrás de um único objetivo: conquistar a tão sonhada Copa do Mundo. Desde a primeira edição do torneio, em 1930, a taça entregue aos campeões representa mais do que um objeto esportivo: é símbolo de conquista, identidade nacional e história mundial do futebol.

Ao longo da história da Copa do Mundo, apenas dois troféus oficiais foram utilizados para coroar os campeões. Apesar de serem poucos, cada um deles carrega escolhas estéticas, materiais e simbólicas que refletem o momento histórico do futebol e a visão da Fifa sobre o torneio.

Taça Jules Rimet (1930 - 1970)

Pelé com a taça Jules Rimet em 1970

A primeira taça da Copa do Mundo foi criada pelo escultor francês Abel Lafleur, a pedido da Fifa, e, inicialmente, recebeu o nome de Victory. A peça media cerca de 35 centímetros de altura e pesava aproximadamente 3,8 quilos.

Foi produzida em ouro banhado sobre prata esterlina e tinha como principal elemento visual a figura da deusa grega Nike, símbolo clássico da vitória, da glória e do triunfo nos esportes da Antiguidade.

A deusa aparece em posição ereta, com os braços elevados e as asas abertas, sustentando uma taça octogonal acima da cabeça. O corpo alongado e as linhas verticais tinham o objetivo de reforçar uma ideia de conquista elevada. A base era feita de lápis-lazúli, uma pedra semipreciosa azul-escura associada à nobreza e com uma simbologia ligada à eternidade. Nela, eram fixadas pequenas placas com os nomes dos países campeões.

Leia também

Diferente da taça que é entregue aos vencedores nos dias atuais, a primeira não tinha nenhuma referência explícita ao globo terrestre ou à diversidade de nações participantes. O objetivo do troféu era coroar o ideal de conquista e vitória, mesmo que de uma maneira abstrata.

Após a Segunda Guerra Mundial (1939 - 1945), o troféu passou a ser oficialmente chamado de Taça Jules Rimet, em homenagem ao dirigente francês responsável por concretizar o projeto da primeira Copa do Mundo.

Presidente da Fifa por mais de 30 anos e principal articulador da primeira edição da Copa do Mundo, Rimet intensificou os esforços para organizar um torneio internacional entre seleções ao longo da década de 1920, especialmente após o sucesso das competições de futebol nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928 - ambas conquistadas pelo Uruguai. O desempenho uruguaio e a visibilidade do torneio olímpico impulsionaram as negociações para a criação de uma competição independente do Comitê Olímpico Internacional (COI). Em 1930, justamente no Uruguai, é realizado a primeira edição da Copa do Mundo.

O desgaste natural da Taça Jules Rimet ao longo dos anos levou a pequenas restaurações, incluindo a substituição da base original em 1954. Em 1970, após o tricampeonato do Brasil, a taça foi entregue definitivamente à seleção brasileira, encerrando seu ciclo como troféu itinerante.

O troféu original foi roubado em 1983 e nunca mais foi encontrado. Em 2015, a base utilizada na taça antes da restauração em 54 foi encontrada em um porão na sede da Fifa, em Zurique, na Suíça. A peça de dez centímetros de altura está exposta no Museu de Futebol da Fifa, também em Zurique.

Seleções que ganharam a taça Jules Rimet

  • Uruguai (1930, 1950)
  • Itália (1934, 1938)
  • Alemanha (1954)
  • Brasil (1958, 1962, 1970)
  • Inglaterra (1966)

Troféu da Copa do Mundo da Fifa (1974 - atual)

Troféu da Copa do Mundo da Fifa

Com a necessidade de criar um novo símbolo para a competição, a Fifa organizou um concurso internacional de design no início da década de 1970. O projeto vencedor foi o do escultor italiano Silvio Gazzaniga, que rompeu com a estética clássica da Jules Rimet e propôs um design mais moderno, abstrato e universal - que é o que conhecemos atualmente.

O novo troféu foi apresentado oficialmente na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental. Produzido em ouro maciço 18 quilates, o troféu possui 36,8 centímetros de altura e pesa cerca de 6,175 quilos. Diferentemente da taça anterior, ele não apresenta uma figura única claramente identificável, mas sim duas formas humanas estilizadas, com braços erguidos, sustentando o globo terrestre.

O design transmite movimento, esforço coletivo e ascensão. As figuras parecem emergir da base em espiral, criando uma sensação de dinamismo e continuidade, como se o futebol estivesse em constante evolução. O globo no topo simboliza a dimensão global da competição e a universalidade do esporte, reforçando a ideia de que a Copa do Mundo pertence a todos os continentes.

A base é composta por duas camadas de malaquita, pedra verde associada à renovação e à permanência, onde são gravados, em ordem cronológica, os nomes dos países campeões e os anos das conquistas. Diferentemente da Jules Rimet, essa taça nunca é entregue de forma definitiva a nenhuma seleção. O troféu original permanece sob custódia da Fifa, enquanto os campeões recebem uma réplica oficial banhada a ouro.

Países que venceram o Troféu da Copa do Mundo FIFA

  • Alemanha (1974, 1990 e 2014)
  • Argentina (1978, 1986 e 2022)
  • Itália (1982 e 2006)
  • Brasil (1994 e 2002)
  • França (1998 e 2018)
  • Espanha (2010)

Comparações simbólicas

Alguns historiadores e estudiosos defendem que, enquanto a Taça Jules Rimet dialogava com a tradição clássica europeia e com uma noção abstrata de vitória, o Troféu da Copa do Mundo da Fifa atual reflete um futebol globalizado, midiático e moderno. A mudança de design acompanha a própria transformação da competição: de um torneio restrito a poucos países para um evento planetário, acompanhado e vivido por bilhões de pessoas.

A Jules Rimet destacava a figura individual da vitória; o troféu atual enfatiza o esforço coletivo, a pluralidade de nações e o caráter global do futebol. Visualmente, a passagem do figurativo clássico para o abstrato moderno simboliza a entrada definitiva do futebol na era contemporânea.

Giovanna Rafaela Castro é jornalista em formação e integra a equipe do portal Itatiaia Esporte

Ouvindo...