Copa do Mundo: taça teve esconderijo inusitado durante a Segunda Guerra Mundial; veja

Troféu que estava em posse italiana após o bicampeonato mundial em 1938, foi ‘resgatado’ pelo presidente da Fifa

Pelé com a taça Jules Rimet em 1970

Durante, a Segunda Guerra Mundial, a taça Jules Rimet, troféu da Copa do Mundo, precisou ser escondida para não cair nas mãos do regime nazista. Em meio a um dos períodos mais sombrios do século XX, o objeto que representava o futebol mundial deixou cofres oficiais e passou anos guardado na Itália.

Após a Copa do Mundo de 1938, disputada na França e vencida pela Itália, o troféu ficou sob posse da Federação Italiana de Futebol, já que o país era o atual bicampeão mundial.

Com o avanço das tropas alemãs pela Europa e a ocupação de diversos territórios, cresceu o temor de que a taça fosse confiscada por Adolf Hitler, que via o esporte como ferramenta de propaganda política. A Fifa, fragilizada pela guerra, não tinha meios de garantir a segurança do prêmio.

Leia também

Diante do risco iminente, o então vice-presidente da Fifa e dirigente italiano Ottorino Barassi tomou uma decisão ousada e decisiva para a história do futebol. Em vez de manter a Jules Rimet em um banco ou prédio oficial, locais constantemente visados por tropas invasoras, Barassi retirou o troféu discretamente de um cofre em Roma e o levou para sua própria casa. Para despistar qualquer suspeita, ele colocou a taça dentro de uma simples caixa de sapatos, que foi escondida embaixo de sua cama, longe dos olhos das autoridades e do exército nazista.

Durante anos, a taça Jules Rimet permaneceu ali, protegida apenas pelo silêncio e pela coragem de Barassi, enquanto a Europa vivia bombardeios, invasões e colapsos institucionais. Caso fosse descoberta, o troféu provavelmente teria sido confiscado ou derretido, como aconteceu com inúmeras obras de arte e objetos simbólicos durante o conflito.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, a Jules Rimet pôde finalmente voltar à cena pública. O troféu foi devolvido à Fifa e reapareceu oficialmente na Copa do Mundo de 1950, no Brasil, marcando o retorno do torneio após 12 anos de interrupção. Aquela edição, realizada em um mundo ainda em reconstrução, simbolizou não apenas a retomada do futebol internacional, mas também a sobrevivência de um dos maiores ícones do esporte.

Giovanna Rafaela Castro é jornalista em formação e integra a equipe do portal Itatiaia Esporte

Ouvindo...