A Copa do Mundo de 2022, no Catar, entrou para a história não apenas pelo título da Argentina de Lionel Messi, mas também por marcar um avanço simbólico e estrutural na arbitragem do futebol mundial.
Pela primeira vez desde a criação do torneio, em 1930, mulheres foram escaladas oficialmente para atuar como árbitras e assistentes em partidas de uma Copa masculina.
Ao todo, seis mulheres integraram o quadro de arbitragem do Mundial do Catar: três árbitras centrais e três árbitras assistentes. Elas foram escolhidas com base em desempenho técnico, experiência internacional e atuação em grandes competições da Fifa, como Copas do Mundo Femininas, Jogos Olímpicos e torneios continentais.
Abaixo, a Itatiaia relembra quais as mulheres estiverão presentes na equipe de arbitragem da Copa do Mundo de 2022:
Stéphanie Frappart (França)
Stéphanie Frappart, árbitra francesa
A francesa Stéphanie Frappart foi o principal símbolo desse momento histórico. Nascida em 1983, ela construiu uma carreira sólida no futebol europeu, tornando-se a primeira mulher a apitar jogos do Campeonato Francês, da Liga dos Campeões masculina e de competições da Uefa. Em 2022, no Catar, Frappart entrou definitivamente para a história ao ser escalada como árbitra principal em uma partida da fase de grupos, quebrando um tabu de mais de 90 anos da Copa do Mundo.
Reconhecida pelo controle disciplinar, leitura de jogo e autoridade em campo, Frappart já havia apitado a final da Copa do Mundo Feminina de 2019 e decisões continentais.
Salima Mukansanga (Ruanda)
Salima Mukansanga, árbitra ruandesa
A ruandesa Salima Mukansanga, nascida em 1988, foi outra árbitra central selecionada para o Mundial de 2022. Ela se destacou no cenário africano ao apitar partidas da Copa Africana de Nações masculina, algo raro até então, além de ter participado da Copa do Mundo feminina e dos Jogos Olímpicos.
Yoshimi Yamashita (Japão)
A japonesa Yoshimi Yamashita, nascida em 1986, completou o trio de árbitras centrais do Mundial. Com vasta experiência na J-League, no futebol asiático e em competições da Fifa, Yamashita também apitou partidas importantes na Copa do Mundo Feminina e nos Jogos Olímpicos de Tóquio.
Neuza Back (Brasil)
Neuza Back, árbitra brasileira
Representando o Brasil, Neuza Back foi uma das árbitras assistentes convocadas para a Copa do Mundo de 2022. Catarinense, ela construiu carreira sólida no futebol brasileiro, atuando em jogos da Série A do Campeonato Brasileiro, da Copa do Brasil e em torneios internacionais da Fifa e da Conmebol.
Neuza já havia participado da Copa do Mundo Feminina e dos Jogos Olímpicos e, no Catar, tornou-se a primeira brasileira a integrar a arbitragem de uma Copa masculina, consolidando seu nome na história do futebol nacional.
Karen Díaz Medina (México)
A mexicana Karen Díaz Medina, nascida em 1984, também foi selecionada como árbitra assistente. Presença constante em competições da Concacaf e da Fifa, Karen se destacou pela regularidade e pela atuação em jogos de alto nível, incluindo a Copa do Mundo feminina e torneios olímpicos.
Kathryn Nesbitt (Estados Unidos)
Kathryn Nesbitt, árbitra estadunidense
A norte-americana Kathryn Nesbitt completou o grupo de assistentes femininas do Mundial. Com uma trajetória curiosa, ela conciliou a arbitragem com a carreira acadêmica, tendo formação em neurociência. Em campo, construiu reputação sólida na MLS e em competições internacionais da Fifa.
Alemanha x Costa Rica: o primeiro jogo com arbitragem feminina
O marco definitivo da participação feminina na arbitragem da Copa do Mundo aconteceu em 1º de dezembro de 2022, no confronto entre Alemanha e Costa Rica, válido pela fase de grupos do Mundial do Catar. A partida foi apitada por Stéphanie Frappart, com Neuza Back e Karen Díaz Medina como árbitras assistentes, formando o primeiro trio feminino da história da competição.
Dentro de campo, o jogo foi movimentado e dramático. A Alemanha venceu por 4 a 2, mas acabou eliminada ainda na fase de grupos, enquanto a Costa Rica também se despediu do torneio. A atuação da arbitragem foi considerada segura e sem grandes controvérsias, reforçando o discurso da Fifa de que a escolha foi baseada em mérito técnico, e não apenas em simbolismo.