Copa do Mundo: relembre o ‘gol que Pelé não fez’, eternizado na história dos Mundiais

Inesquecível tentativa de Pelé deixou legado e demonstra a genialidade do Rei

Pelé é ovacionado no título da Copa do Mundo de 1970

Alguns gols entram para a história pela beleza. Outros, pela importância. Há ainda aqueles que jamais balançaram a rede e, mesmo assim, tornaram-se eternos.

Na Copa do Mundo de 1970, no México, Pelé protagonizou um desses momentos raros do futebol.

Um lance que não terminou em gol, mas atravessou o tempo e se transformou em uma das cenas mais emblemáticas da história dos Mundiais: o famoso “gol que Pelé não fez”, frase repetida sempre que algum jogador obtém sucesso em tentativa semelhante à realizada pelo Rei.

A seguir, a Itatiaia esmiuçará essa história.

A estreia do Brasil na Copa de 1970

Em 3 de junho de 1970, o Brasil iniciou a caminhada na Copa do Mundo do México diante da Tchecoslováquia, no estádio Jalisco, em Guadalajara.

A Seleção comandada por Mário Jorge Lobo Zagallo venceu por 4 a 1, com gols de Jairzinho (duas vezes), Pelé e Rivellino. A atuação sólida marcou o início da campanha que terminaria, semanas depois, com o tricampeonato mundial.

Apesar do placar elástico, um lance específico, ocorrido ainda no começo da partida, viria a atravessar gerações.

“O gol que Pelé não fez”: lance que parou o estádio

No início do jogo, após desarme de Clodoaldo, a bola sobrou para Pelé, com liberdade, na metade defensiva do círculo central.

À sua frente, o goleiro tchecoslovaco Ivo Viktor estava adiantado, fora da pequena área. Em fração de segundos, o camisa 10 percebeu o que poucos seriam capazes de enxergar.

Sem dominar ou ajeitar, apenas deixando a bola correr, Pelé arriscou.

Segundo o físico Carlos Eduardo Aguiar, o Rei do Futebol estava a cinco metros da metade do campo e três metros à direita do centro do gramado. O chute saiu dos pés do craque a 105 km/h, a bola percorreu 60 metros até a meta adversária, ao longo de três segundos, mas não entrou.

Um “quase gol” maior que muitos gols

A jogada causou espanto em jogadores, torcedores e jornalistas. Todos acompanharam atônitos a trajetória da bola, que saiu pela linha de fundo por centímetros.

O Brasil venceu, fez quatro gols, iniciou sua campanha histórica — mas o lance de Pelé foi o que ficou.

O cronista Nelson Rodrigues eternizou o momento em uma de suas mais célebres crônicas:

Desde então, o episódio passou a ser conhecido mundialmente como “o gol que Pelé não fez”.

Pelé em partida pela Seleção Brasileira em 1970

O time que estava em campo naquele dia

Naquele 3 de junho, a Seleção Brasileira atuou com: Félix; Carlos Alberto Torres, Brito, Piazza e Everaldo; Clodoaldo e Gérson (Paulo César); Rivellino, Pelé, Tostão e Jairzinho.

A constelação, recheada de “camisas 10”, conquistaria o tricampeonato para a Seleção Brasileira.

Final da Copa do Mundo de 1970, entre Brasil e Itália, no Estádio Azteca

Outro “quase gol” de Pelé ficou famoso naquela Copa

Curiosamente, aquele não foi o único lance eternizado como “o gol que Pelé não fez” na Copa de 1970.

Na semifinal contra o Uruguai, na vitória por 3 a 1, o camisa 10 protagonizou outro momento antológico.

Ao receber a bola na área, deixou o goleiro Ladislao Mazurkiewicz passar apenas com o movimento do corpo, sem tocar na bola, e finalizou rente à trave.

Mais uma vez, não entrou no gol. Mais uma vez, entrou para a história.

Pelé na Copa de 1970: um momento eterno das Copas do Mundo

Pelé terminou aquela Copa com quatro gols, foi campeão mundial pela terceira vez e consolidou definitivamente seu nome como o maior jogador de todos os tempos.

Ainda assim, talvez nenhum de seus lances em 1970 seja tão lembrado quanto aquele chute do meio-campo.

Porque o futebol, às vezes, não vive apenas do que acontece, mas do que quase aconteceu.

Mais de meio século depois, o lance segue sendo exibido em documentários, reportagens, livros e especiais sobre a Copa do Mundo. Não pelo resultado, nem pelo placar, mas pela ousadia do Rei do Futebol.

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Repórter em formação com experiência em coberturas locais e interestaduais, com atuação em diferentes frentes do jornalismo. Apaixonado por esportes, especialmente futebol, acompanha o cenário nacional e internacional, com foco em contexto, informação e curiosidades do jogo. Acumula passagem por No Ataque e Estado de Minas.

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