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A estreia do novo uniforme já tem data marcada: será no amistoso contra a França, no dia 26 de março, no Gillette Stadium, em Boston, nos Estados Unidos, às 17h (de Brasília). O duelo servirá como preparação para o Mundial, que terá início em junho.
Embora a tradicional camisa amarela seja o principal símbolo da Seleção, foi vestindo azul que o Brasil viveu alguns dos momentos mais curiosos e emblemáticos de sua história em Copas do Mundo.
O uniforme reserva nasceu de improvisos, ganhou significado religioso e acabou associado a grandes vitórias no torneio.
A seguir, a Itatiaia relembra momentos marcantes do Brasil vestindo azul em Mundiais.
Como a camisa azul foi adotada oficialmente na Seleção Brasileira?
Hoje consolidado como segundo uniforme da Seleção, o azul surgiu quase por acaso.
Antes de 1954, o Brasil utilizava camisa branca como uniforme principal. No entanto, após o traumático vice-campeonato da Copa de 1950, marcado pela derrota para o Uruguai no Maracanã (o Maracanazo), o uniforme passou a ser considerado “azarado”.
A solução veio com o concurso que criou a camisa amarela, adotada oficialmente em 1954. Mesmo assim, ainda não havia um uniforme reserva definido para todas as situações.
Foi então que o azul entrou definitivamente na história da Seleção.
A primeira vez do Brasil de azul em uma Copa
A primeira vez que o Brasil utilizou a camisa azul em Copas do Mundo aconteceu na Copa do Mundo de 1938, na França.
Na partida contra a Polônia, válida pelas oitavas de final, as duas seleções tinham uniformes principais semelhantes (ambos predominantemente brancos).
Na época, as seleções não viajavam com uniformes reservas padronizados, o que obrigou o Brasil a improvisar.
A solução foi entrar em campo com camisas azuis emprestadas por um clube local francês, adaptadas às pressas com numeração improvisada.
Mesmo com o improviso, o jogo entrou para a história. Em 5 de junho de 1938, o Brasil venceu a Polônia por 6 a 5 após prorrogação, em uma das partidas mais movimentadas da história das Copas.
O destaque foi Leônidas da Silva, autor de quatro gols. Aquela partida marcou a estreia da camisa azul em Copas do Mundo.
Leônidas da Silva, o Diamante Negro, é também conhecido como o inventor da bicicleta e disputou as Copas de 1934 e 1938
1958: a camisa azul no primeiro título mundial
Apesar da estreia em 1938, foi somente na Copa de 1958, na Suécia, que o uniforme azul ganhou contornos lendários.
Na final contra a Suécial, surgiu um problema inesperado: as duas seleções tinham camisa amarela.
Pelas regras da época, a preferência era do país anfitrião. Isso significava que o Brasil teria de jogar com o uniforme branco, ainda associado ao trauma do Maracanazo.
Foi então que o chefe da delegação brasileira, Paulo Machado de Carvalho, tomou uma decisão que entraria para a história: segundo relatos da época, inspirado no manto azul de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, ele sugeriu que a Seleção jogasse com camisa azul.
A delegação saiu às pressas pelas ruas de Estocolmo para comprar 22 camisas azuis. Durante a noite, o massagista Mário Américo e membros da comissão costuraram o escudo da CBD e os números manualmente.
O improviso virou história. Na decisão, o Brasil venceu a Suécia por 5 a 2, com gols de Vavá (duas vezes), Pelé (duas vezes) e Zagallo.
Era o primeiro título mundial do Brasil, tendo sido conquistado vestindo azul.
Pelé chora ao comemorar título da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1958
1994: duas vitórias decisivas rumo ao tetra
A camisa azul voltou a aparecer em momentos importantes na Copa de 1994, nos Estados Unidos.
Nas quartas de final, o Brasil enfrentou a Holanda e venceu por 3 a 2 em uma das partidas mais emocionantes daquele Mundial, que marcou o “desvio” de Romário e o “embala neném” de Bebeto.
Os gols brasileiros foram marcados por Romário, Bebeto e Branco, em cobrança de falta histórica.
Na semifinal, novamente vestindo azul, o Brasil venceu a Suécia por 1 a 0, com gol de Romário, garantindo a vaga na decisão.
Dias depois, a Seleção conquistou o tetracampeonato mundial contra a Itália.
Romário marca gol de cabeça em Suécia 0 x 1 Brasil, pela semi da Copa de 1994
2002: o golaço contra a Inglaterra
Outro momento inesquecível com a camisa azul aconteceu na Copa de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão.
Nas quartas de final, o Brasil enfrentou a Inglaterra, que saiu na frente com o atacante Michael Owen, mas o Brasil virou a partida.
Primeiro, Rivaldo empatou. Depois, Ronaldinho marcou um dos gols mais famosos da história das Copas.
Em uma cobrança de falta propícia para um cruzamento, Ronaldinho encobriu o goleiro David Seaman e garantiu a vitória por 2 a 1.
O Brasil seguiria até a final e conquistaria o pentacampeonato mundial.
Ronaldinho foi decisivo nas quartas de final da Copa de 2022
O retrospecto do Brasil com a camisa azul em Copas
Ao longo da história das Copas do Mundo, o Brasil utilizou a camisa azul 12 vezes, com retrospecto bastante positivo.
São:
- oito vitórias
- um empate
- três derrotas
Com 25 gols marcados e 18 sofridos.
Jogos do Brasil com camisa azul em Copas
- Brasil 6 x 5 Polônia — 1938
- Brasil 5 x 2 Suécia — 1958
- Brasil 2 x 1 Argentina — 1974
- Brasil 0 x 2 Holanda — 1974
- Brasil 3 x 1 Polônia — 1978
- Brasil 1 x 1 Suécia — 1994
- Brasil 3 x 2 Holanda — 1994
- Brasil 1 x 0 Suécia — 1994
- Brasil 2 x 1 Inglaterra — 2002
- Brasil 1 x 2 Holanda — 2010
- Brasil 2 x 0 Costa Rica — 2018
- Brasil 0 x 1 Camarões — 2022
A camisa azul virou tradição da Seleção
O que começou como improviso acabou se transformando em tradição.
Hoje, a camisa azul é o uniforme reserva oficial da Seleção Brasileira e carrega uma forte carga simbólica para torcedores e jogadores.
Mais do que uma alternativa à tradicional amarelinha, ela representa alguns dos capítulos mais marcantes da história do futebol brasileiro em Copas do Mundo, relembrados, neste texto, pela Itatiaia.