Inaugurada em 1930, a Copa do Mundo acontece a cada quatro anos, desde a primeira edição, no Uruguai. Durante todo esse período, apenas duas edições foram canceladas: 1942 e 1946.
O torneio foi cancelado devido à Segunda Guerra Mundial, que travava batalhas por toda a Europa e inviabilizou a organização de competições internacionais de futebol.
Apesar disso, um jogo ficou marcado na memória de historiadores do esporte como a “final não oficial” de 1942. O confronto foi protagonizado por Alemanha e Suécia e foi disputado no Estádio Olímpico de Berlim diante de cerca de 98 mil torcedores.
Idealizado durante o regime nazista, o duelo foi organizado com o intuito de exaltar o futebol alemão e a ideologia do III Reich após uma derrota para a Suíça, por 2 a 1, no dia 20 de abril de 1942, data do aniversário de Adolf Hitler.
O revés teria irritado profundamente o ditador e motivado pressões sobre os atletas. Segundo historiadores, o ditador teria ameaçado os atletas se cado perdessem novamente, seriam enviados para o exército alemão.
O jogo
O jogo da ‘revanche alemã' começou com a Suécia abrindo o placar com Arne Nyberg ainda no início da partida, mas a Alemanha conseguiu reagir antes do intervalo com gols de Ernst Lehner e August Klingler, deixando os torcedores esperançosos por uma vitória simbólica.
No entanto, a Seleção Sueca virou o placar novamente com gols de Henry Carlsson ainda no primeiro tempo e do veloz Malte Martensson no segundo tempo, selando uma improvável vitória por 3 a 2.
Pós-jogo
O resultado foi recebido em silêncio pelo público alemão, e relatos da época apontam que o ministro das Relações Exteriores do regime chegou a pedir o fim de jogos esportivos no país, alegando que derrotas em campo afetavam mais o moral da população do que conflitos militares.
Após a partida, novamente frustrado, Adolf Hitler cumpriu sua promessa. A Seleção Alemã foi dissolvida, e diversos jogadores da equipe foram enviados à guerra.
Embora a maioria deles tenha ganhado cargos burocráticos, alguns foram alistados no exército. Um dos exemplos foi o atacante August Klingler, autor do segundo gol da Alemanha no jogo contra a Suíça. Ele faleceu dois anos depois, aos 26 anos, em 1944, em um combate pelo exército nazista contra a União Soviética.