Brasil não tinha duas mudanças técnicas entre estreia e segundo jogo da Copa desde 1950
Carlo Ancelotti fez mudanças no Brasil entre duelos com Marrocos e Haiti

Desde a Copa de 1950, a primeira disputada no Brasil, a Seleção não tinha pelo menos duas mudanças no time titular entre o primeiro e o segundo jogo da fase de grupos. Insatisfeito com o desempenho da sua equipe no empate por 1 a 1 com o Marrocos, no último sábado, no MetLife Stadium, Carlo Ancelotti sacou o zagueiro Ibañez, que atuou improvisado na lateral direita para a entrada de Danilo, e o centroavante Igor Thiago, que perdeu a vaga para Matheus Cunha. O Brasilo encara o Haiti nesta sexta-feira (19), às 21h30 (de Brasília), na Filadélfia.
Em 1950, muito mais por questões políticas do que técnicas, Flávio Costa promoveu quatro mudanças em seu time da goleada por 4 a 0 sobre o México, na estreia, em 24 de junho de 1950, no Maracanã, no Rio de Janeiro, para a partida contra a Suíça, quatro dias depois, no Pacaembu, em São Paulo, que terminou empatada por 2 a 2.
Com as brigas entre cariocas e paulistas envolvendo a Seleção ainda muito recentes, Flávio Costa, numa tentativa de agradar a torcida que estivesse no Pacaembu, Eli e Danilo, ambos do Vasco, e Bigode, do Flamengo, para escalar a chamada linha-média do São Paulo, formada por Bauer, Rui e Noronha. A quarta mudança foi a saída de Jair com a entrada de Alfredo.
Não adiantou muito. Apesar da superioridade brasileira, os suíços arracaram um empate por 2 a 2 com Fatton fazendo seu segundo gol na partida já aos 43 minutos do segundo tempo. E por causa do bairrismo, já que o Vasco era a base da Seleção em 1950, nem os torcedores do São Paulo torceram pelo Brasil, que foi vaiado em terras paulistanas.
Duas mudanças, uma médica
Depois de 1950, e até 2022, no Catar, a Seleção teve duas mudanças no time titular entre a estreia e a partida pela segunda rodada, mas em todos esses casos uma das substituições foi por questões médicas.
Em 1966, na Inglaterra, o volante Denílson deu lugar a Gérson e Pelé, machucado, foi substituído por Tostão. Na Argentina, em 1978, Gil perdeu a condição de titular para Dirceu e Rivellino, lesionado, foi substituído por Nelinho, do Cruzeiro, com o técnico Claudio Coutinho fazendo uma dobra de laterais pela direita, pois Toninho foi mantido na equipe jogando mais adiantado.
No último Mundial, em 2022, no Catar, Danilo, que nesta sexta-feira será titular, saiu do time para a entrada de Éder Militão, que não está com a Seleção nesta Copa por lesão. Machucado, Neymar deu lugar ao volante Fred. Isso entre os 2 a 0 sobre a Sérvia e o 1 a 0 diante da Suíça.
Recorde de mudanças
O maior número de mudanças no time brasileiro entre a estreia na Copa e a segunda partida foi no primeiro Mundial, em 1930, no Uruguai. Mas num contexto diferente. Em 14 de julho, a derrota de 2 a 1 para a Iugoslávia, pela primeira rodada do Grupo B, que tinha ainda a Bolívia.
Como na segunda rodada, dia 17, os iugoslavos fizeram 4 a 0 nos bolivianos, ficaram com a vaga da chave nas semifinais. E o Brasil x Bolívia de 20 de julho de 1930, no Estádio Centenário, foi um “amistoso”. O treinador brasileiro, que era Píndaro de Carvalho, mudou seis jogadores em relação à estreia na goleada de 4 a 0 que não adiantou de nada.
Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro
