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Argentina faz operação de segurança para jogo da Copa contra Inglaterra

O governo da Argentina lançou uma operação de segurança especial para a semifinal da Copa do Mundo de 2026 contra a Inglaterra

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Torcida da Argentina na Copa do Mundo de 2026
Torcida da Argentina na Copa do Mundo de 2026 • Divulgação/AFA

A Argentina montou uma operação de segurança especial para a semifinal da Copa do Mundo de 2026 contra a Inglaterra, nesta quarta-feira (15), em Atlanta, nos Estados Unidos. O objetivo é evitar que integrantes das 'barras bravas', torcidas organizadas violentas, viajem ao país e causem tumultos.

O governo da Argentina deflagrou uma operação especial de segurança para a semifinal da Copa do Mundo de 2026 entre a seleção argentina e a Inglaterra. O jogo está marcado para esta quarta-feira (15), no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, nos Estados Unidos. As informações são da 'Todo Noticias', afiliada da CNN na Argentina.

A preocupação das autoridades está centrada na possibilidade de integrantes das 'barras bravas', torcidas organizadas argentinas historicamente associadas à violência, viajarem aos Estados Unidos para acompanhar a partida.

Como parte do dispositivo de segurança, está prevista uma reunião de coordenação com representantes do FBI (Federal Bureau of Investigation), da Polícia do estado da Geórgia, onde fica Atlanta, nos Estados Unidos, da Polícia de Miami, nos Estados Unidos – cidade com maior quantidade de argentinos no país –, e de agentes de ligação da polícia do Reino Unido. Participam também autoridades responsáveis por eventos esportivos na Argentina e Franco Berlín, titular do programa argentino 'Tribuna Segura', ligado à segurança no futebol. Berlín já está nos Estados Unidos desde antes do início do Mundial.

Segundo apurou a TN (Todo Noticias), o governo argentino vai recomendar o aumento da presença policial no entorno do estádio, o reforço dos controles de acesso, a ampliação do efetivo destinado à operação e o fortalecimento da segurança privada dentro da arena.

A rivalidade entre as torcidas das seleções envolve a Guerra das Malvinas, travada em mil novecentos e oitenta e dois entre os países, e a vitória da Argentina sobre a Inglaterra na Copa de mil novecentos e oitenta e seis, considerada uma revanche sul-americana.

A decisão de endurecer as medidas foi tomada depois que publicações, que convocavam 'barras' argentinos a viajar aos Estados Unidos para o duelo contra a Inglaterra, começaram a circular nas redes sociais.

Diante do cenário, as autoridades declararam estado de alerta máxima do sistema 'Alertas Halcón', mecanismo do Ministério da Segurança argentino que funciona em conjunto com a Direção Nacional de Migrações. A ferramenta permite detectar quando uma pessoa alcançada pelo 'derecho de admisión' – restrição que impede o acesso a estádios no país – deixa o território argentino.

O funcionamento do sistema foi modificado especialmente para esta partida. Agora, cada vez que uma pessoa incluída na base de dados sair da Argentina, um alerta automático será enviado a Franco Berlín, que poderá repassar a informação às autoridades norte-americanas.

O procedimento, no entanto, não impede automaticamente a saída da pessoa da Argentina, nem obriga os Estados Unidos a negar a entrada dela no país ou no estádio. A decisão final cabe exclusivamente às autoridades americanas, que avaliam cada caso com base nos antecedentes e nas restrições informadas pelo governo argentino.

Como parte da cooperação, o governo argentino já entregou às autoridades dos Estados Unidos uma lista com cerca de 35 mil pessoas com restrição de acesso a estádios no país. A relação inclui integrantes de torcidas organizadas de diversos clubes, pessoas com antecedentes criminais e devedores de pensão alimentícia.

Entre os clubes com maior número de torcedores na lista aparecem Boca Juniors, com cinquenta e nove nomes; San Lorenzo, com cinquenta e cinco; Almirante Brown, com quarenta; e Independiente, com trinta e nove. O River Plate tem dez integrantes relacionados.

O governo também informou que qualquer pessoa que provocar incidentes dentro do estádio será incorporada ao Registro Nacional de Pessoas com Direito de Admissão, o que a impedirá de frequentar futuros eventos esportivos na Argentina. Eventuais sanções em território americano dependerão das leis e das decisões das autoridades locais.

A estratégia busca evitar a repetição de episódios registrados em Copas anteriores. No Catar, em dois mil e vinte e dois, 'barras' e torcedores identificados com diferentes clubes argentinos começaram a aparecer nas arquibancadas ao longo do torneio. Na ocasião, circularam versões sobre um suposto financiamento para facilitar essas viagens, mas nunca houve confirmação oficial.

O outro antecedente é o da África do Sul, em dois mil e dez, quando a agrupação Hinchadas Unidas Argentinas organizou a viagem de 'barras' de diferentes clubes. A experiência terminou com vários deles deportados.

Em dois mil e vinte e cinco, o governo de Javier Milei entregou aos Estados Unidos uma lista de mais de 15 mil pessoas atualmente proibidas de entrar em estádios da Argentina para que também sejam impedidas de ir a jogos do Mundial de Clubes da FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado).

Segundo a ministra argentina da Segurança, Patricia Bullrich, a entrega da lista de torcedores considerados violentos é feita após a assinatura de um convênio entre os países.

'Nenhum violento, ninguém que nos estádios argentinos tenha cometido um crime, extorquido, vai poder entrar nesse Mundial de Clubes que será jogado nos Estados Unidos', disse a ministra de Milei. Nenhum episódio violento foi registrado durante a competição.

A lista da Argentina é utilizada no programa 'Tribuna Segura' (Arquibancada Segura, em português), para impedir a presença nos estádios argentinos de integrantes das supostas 'barras bravas', como são conhecidas as torcidas organizadas violentas do país.

Segundo Bullrich, dados de mais de 4 milhões de espectadores de futebol já foram verificados nas entradas de estádios nos últimos anos. 'O nível de diminuição da violência em estádios da Argentina foi muito importante', disse. Dos 15 mil nomes enviados para os Estados Unidos, mil cento e sessenta e seis tinham mandados de prisão emitidos na Argentina na época.

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