Após problemas, La Liga anuncia novas medidas de combate ao racismo
Especialistas apontam impactos da reincidência de casos direcionados a Vini Jr

O Campeonato Espanhol começou nessa sexta-feira (11) com a vitória do Rayo Vallecano sobre o Almería por 2 a 0. O retorno de La Liga traz à tona os debates sobre os casos de discriminação racial ocorridos na Espanha.
Isso por conta da repercussão negativa dos episódios envolvendo o brasileiro Vinicius Júnior. A organização da liga anunciou novas medidas de combate ao racismo para esta temporada.
Entre as ações, está a criação do 'LALIGA vs RACISM', um aplicativo criado para o combate destas práticas e que funcionará como um canal de denúncias. O uso de braçadeiras durante as partidas e o fortalecimento de campanhas de conscientização também foram anunciadas.
No mês de maio, La Liga viveu seu ponto máximo de tensão com a interrupção da partida entre Valencia e Real Madrid, em razão de gritos de “macaco” direcionados a Vini Jr. Esta foi a décima denúncia de injúrias raciais feita pelo brasileiro desde 2021. Após o acontecimento, as três pessoas detidas pela polícia espanhola foram liberadas após pagamento de fiança.
Para o Valencia, o episódio resultou no fechamento parcial do setor sul do estádio Mestalla por cinco jogos, além de multa de 45 mil euros. Porém, após pedido do clube espanhol, uma nova decisão judicial reduziu o gancho para três jogos, e diminuiu a multa para 27 mil euros.
Segundo especialistas em marketing e negócios do esporte, a reincidência de casos somada à falta de punições efetivas na atual temporada pode gerar impactos negativos para uma imagem já desgastada da liga espanhola.
"O incidente envolvendo o Vini Jr, que escancarou outros episódios passados sem a mesma repercussão, se tornou vítima de sua projeção global e foi condenada nas mídias sociais e opinião pública antes mesmo de explicar o que poderia ou não poderia fazer de acordo com o regulamento existente", afirma Ivan Martinho, professor de marketing esportivo pela ESPM.
"Agora, não só a Liga, mas clubes, jogadores e torcida têm uma nova oportunidade de deixar isso para trás e coibir de forma exemplar comportamentos inaceitáveis", completou.
Os atos de discriminação racial se repetem no futebol espanhol há alguns anos. Em 2014, por exemplo, um torcedor do Villarreal arremessou uma banana em direção a Daniel Alves. O episódio repercutiu mundialmente e gerou manifestações de apoio ao brasileiro. Na ocasião, o responsável foi identificado e proibido, permanentemente, de frequentar o estádio do clube.
Polêmicas contribuem para baixa do campeonato
O desgaste de imagem do campeonato espanhol, gerado pelas polêmicas recentes, pode interferir na geração de receitas e de novos negócios, resultando até mesmo em uma eventual diminuição do poderio econômico da liga.
Para Renê Salviano, CEO da Heatmap, companhia especializada em marketing esportivo, a perda de credibilidade do campeonato, naturalmente, acaba por respingar nas marcas parceiras e no ecossistema do futebol espanhol como um todo.
“Um produto mal cuidado dificilmente atrairá atletas de elite e parceiros fortes. Vale para La Liga ou qualquer outro torneio do mundo. Por isso, é preciso que as ações da organização em relação a causas como o racismo sejam transparentes, exemplares e assertivas", disse Renê.
"O campeonato é um dos mais tradicionais do futebol mundial e precisa zelar por sua reputação diante de qualquer desafio que seja e, acima de tudo, se mostrar como um ambiente seguro e saudável para atletas, torcedores e parceiros", completou.
De acordo com dados do site Transfermarkt, na atual janela de transferências, que se encerra no dia 31 de agosto, La Liga está de fora do top-5 em gastos com reforços dentre os campeonatos nacionais, algo que não acontecia desde a temporada 12/13 e pode ser um indicativo de uma baixa do campeonato.
A Rádio de Minas. Tudo sobre o futebol mineiro, política, economia e informações de todo o Estado. A Itatiaia dá notícia de tudo.



