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Bruno Lage coloca cargo à disposição do Botafogo após derrota para o Flamengo

Treinador deu declaração neste sábado, no Nilton Santos, e tem futuro incerto no Glorioso

O técnico Bruno Lage colocou seu cargo à disposição à diretoria do Botafogo após a derrota para o Flamengo, neste sábado (2), no Nilton Santos. O comandante afirmou que “aguenta a pressão da torcida”, mas que não admite que isso recaia sobre os jogadores do elenco. Após falar por 10 minutos, o português deixou a sala de entrevista coletiva sem responder mais perguntas. Confira na íntegra.

“Vou falar o que falei durante a semana. Eu não disse que o Botafogo não havia feito jogos nas quartas e sábado. O que disse e repito, com toda convicção, é que se o adversário jogasse na quarta-feira, esse jogo seria realizado amanhã. Isso não tem nada a ver com o fato de ter três dias (de intervalo).

O segundo ponto é que tenho analisado recentemente, tenho visto tantas coisas, decisões pelo VAR, e hoje, estranhamente, os gols do adversário mereciam uma revisão. Para ser analisados e vistos. O primeiro estava fora de jogo (impedimento), não fez o gol mas estava na jogada. Já vi lances muito semelhantes nesta situação. O outro, com falta clara sobre o Tchê Tchê, e saiu o segundo gol.

Eu quando vim para cá, uma das coisas que tenho de experiência de vida, é olhar para o todo, de tudo que a equipe tem a fazer e como posso melhorar. E ter a experiência dos jogadores, seu percurso tem sido brilhante. Aquilo que fomos conversando, com os mais experientes, era que poderia ser uma equipe que controlasse mais o jogo, com passes mais a frente para sermos mais pressionastes. É nesse caminho que estamos construindo.

Me diga um jogo, desde que estou, que tive todos jogadores disponíveis. São opções. Dizer que a equipe não ganhou por essas decisões é rasa. Fez um bom jogo, fomos melhores que nossos adversários, fizemos um gol contra. Se fosse ao VAR, não seria validado. Tivemos a coragem de ir ao resultado, empatamos e mais várias oportunidades para marcar. Na segunda oportunidade, teve a falta em Tchê Tchê. JP foi bem no duelo com o Bruno Henrique. Senti evolução muito boa, fez um bom jogo sólido.

Tenho sido questionado em tudo desde o primeiro dia. Desde a primeira pergunta, que foi: o Botafogo já está campeão. Aguento a pressão de forma tranquila. Vai haver sempre a questão do Bruno Lage está a fazer. As pessoas estão a apontar do meu percurso como treinador do Botafogo. Eu vim porque o treinador que estava aceitou outro projeto e saiu daqui já como campeão. Assim como os torcedores. Sinto que já estão como campeões. E já quiseram encontrar um indivíduo caso não seja campeão. Isso é fácil. Eu aguento a pressão. Estava convencido e sabia disso.

Tive séries de vitórias e recordes no Benfica. Pelo que me disseram, tive a melhor série em 10 jogos.

Eu sinto que fui muito desejado, sinto que fui escolhido. A pressão que cai sobre mim, eu aguento facilmente, mas a pressão como consequência de olharem só para mim, não é necessária para nossos jogadores.

O que nossos jogadores fizeram para bater todos os recordes e chegarem a 50 pontos. Aconteceu, tivemos a derrota. Quando cheguei, tivemos empates fora e vitórias em casa, aumentando a vantagem, mas não foi suficiente.

Sinto que a pressão sobre mim é tranquila, mas sinto que só olharem para o meu percurso, é uma grande pressão sobre os jogadores. Isso eu não admito. Só há uma forma de libertá-los dessa pressão.

Pensei muito, e meu cargo está à disposição do diretor e do presidente. Tenho contrato até dezembro, é muito dinheiro, prêmios praticamente garantidos, mas eu não tenho problema de abdicar disso.

O que não posso permitir é que a pressão exercida sobre mim seja exercida sobre os jogadores. É isso que tenho a dizer. Meu cargo está à disposição de quem manda, sem qualquer outra coisa a dizer. Boa noite.”

Após esse longo pronunciamento, Bruno Lage se levantou e deixou a sala de entrevista. André Mazzuco, diretor de futebol do Botafogo, acompanhou a coletiva e, questionado, só indicou que não falaria sobre o tema, deixando o local em seguida.

Jornalista e correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.
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