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Bizinha explica saída da FURIA do CS2 e migração para o VALORANT: 'Muitas vão sair'

Em entrevista exclusiva à Itatiaia, campeã mundial analisou o futuro do cenário feminino de Counter-Strike após o fim da ESL Impact e explicou decisão do elenco

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Bruna 'bizinha' Marvila
Bruna 'bizinha' Marvila • Talita Morena

O fim da ESL Impact pode provocar uma saída ainda mais significativa de jogadoras do cenário feminino de Counter-Strike 2. Em entrevista exclusiva à Itatiaia, Bruna “bizinha” Marvila, da FURIA, explicou os motivos que levaram todo o elenco a deixar o CS2 e migrar para o VALORANT e projetou dificuldades para a continuidade de outras profissionais na modalidade.

A FURIA confirmou a mudança pouco menos de um ano após o encerramento da ESL Impact, circuito que reunia competições regionais e uma etapa mundial. O elenco, que conquistou o título da ESL Impact League Season 7 em 2025, será mantido integralmente e passará a disputar o circuito Game Changers em 2027.

Para bizinha, o encerramento do principal circuito feminino de Counter-Strike criou um cenário de incerteza para as atletas. “Um ano depois de termos sido campeãs mundiais, o campeonato de CS acabou e nos encontramos em uma situação em que não sabíamos muito bem qual seria o futuro, o que restaria para jogar no CS”, afirmou.

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FURIA enxergou mais oportunidades no VALORANT

Segundo bizinha, a decisão de migrar para o VALORANT foi construída coletivamente. O grupo entendeu que teria mais oportunidades para competir e, principalmente, poderia continuar unido em uma nova modalidade.

A FURIA apoiou a continuidade do elenco na nova modalidade. Segundo a jogadora, iniciar uma trajetória em um novo cenário já vinculada a uma organização representa uma oportunidade importante para atletas profissionais.

Entendemos que, como equipe, teríamos mais oportunidades para competir e continuar juntas no Valorant, que ainda possui um cenário mais inclusivo, mais engajado e mais dinâmico. Então pensamos: por que não tentar? A própria FURIA também nos apoiou e nos deu essa oportunidade. É muito bom começar esse novo cenário já tendo uma organização. Sabemos que isso é um privilégio para qualquer atleta.

Bruna 'bizinha' Marvila, atleta de VALORANT da FURIA

A equipe será formada por Karina “kaahSENSEI” Takahashi, Izabella “izaa” Galle, Gabriela “gabs” Freindorfer, Bruna “bizinha” Marvila e Lucia “lulitenz” Dubra. Leonardo “msr” Caixeta continuará como treinador.

Bruna 'bizinha' Marvila, no HLTV Awards 2025 • Luc Bouchon
Bruna 'bizinha' Marvila, no HLTV Awards 2025 • Luc Bouchon

“Muitas meninas do CS terão que deixar o jogo”

Para bizinha, a saída da FURIA pode não ser um caso isolado. A atleta acredita que o fim da ESL Impact tornou ainda mais difícil a permanência de jogadoras que desejam atuar profissionalmente no Counter-Strike. A principal dificuldade, segundo ela, está na falta de estrutura para atletas que precisam conciliar a carreira competitiva com outras responsabilidades.

“Ser uma jogadora de alto nível e alto rendimento exige dedicação. Você precisa dedicar dez, doze horas do seu dia. E fazer isso sem uma organização não é viável para quem tem mais de 18 anos”, disse.

A jogadora acredita que muitas profissionais poderão deixar o cenário: “Provavelmente muitas pessoas vão sair. Muitas meninas do CS, infelizmente, terão que deixar o jogo. Acho que a maior tendência é que muitas pessoas deixem os eSports.”

Bizinha citou também que algumas atletas podem encontrar outros caminhos, como a criação de conteúdo ou funções diferentes dentro dos esportes eletrônicos. No entanto, ela ressaltou que essas oportunidades não estão disponíveis para todas. “Talvez algumas se reinventem como streamers. Sempre existem outros caminhos que você pode seguir depois de ser jogadora profissional. Mas, de qualquer forma, é uma situação muito difícil", complementou.

Segunda passagem pelo VALORANT será diferente

Esta será a segunda experiência de bizinha no competitivo de VALORANT. A jogadora havia migrado para o FPS da Riot Games em 2022, mas retornou posteriormente ao Counter-Strike. Segundo ela, a primeira mudança foi uma aposta individual e não representava o encerramento definitivo de sua trajetória no CS.

Agora, porém, a situação é diferente. “Desta vez, eu tenho a sensação de que vai até o fim no Valorant. Acredito que aquilo que estava escrito no CS já foi escrito. Fomos campeãs mundiais, conquistamos um título inédito. Então, a partir de agora, é Valorant", afirmou.

Para bizinha, além do contexto pessoal, o cenário feminino de Counter-Strike também sofreu uma mudança estrutural. “Nesta segunda vez, acredito que o cenário feminino de CS sofreu um golpe muito forte com o fim do Impact. Não acredito que seja algo que vá mudar em seis meses ou um ano. Acredito que seja uma situação de longo prazo”, foi além.

Bizinha nos tempos de VALORANT, quando defendeu o MIBR • Dayane Cruz/Riot Games
Bizinha nos tempos de VALORANT, quando defendeu o MIBR • Dayane Cruz/Riot Games

FURIA estreia no Game Changers em 2027

A FURIA não disputará oficialmente competições de VALORANT ainda em 2026. Como a última competição regional da temporada já está em andamento, a estreia do elenco no Game Changers acontecerá em 2027.

Nossos desafios, neste momento, não estão nas outras equipes. Estão dentro de nós mesmas. Precisamos melhorar, nos entender, criar nossa personalidade e nos encontrar dentro de um novo jogo.

Bruna 'bizinha' Marvila, atleta de VALORANT da FURIA

O grupo já iniciou os treinamentos e passa por um processo de adaptação ao novo jogo. Apesar da experiência anterior de bizinha no VALORANT, a equipe ainda busca entender as características e funções de cada jogadora. A atleta também adotou cautela ao falar sobre as expectativas para a chegada da FURIA ao cenário.

 

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Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH. Já atuou em diversas áreas do jornalismo, como assessoria de imprensa, redação e comunicação interna. Apaixonado por esportes em geral e grande entusiasta de games.

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