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Néora Francis: conheça o jovem congolês do basquete do Minas que se destaca nas enterradas

Carreira de Francis começou no boxe e cruzou o Atlântico até chegar à equipe minas-tenista

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Néora Francis Ossete Toly, destaque do Minas • Reprodução/CBB

Destaque das categorias de base do Minas Tênis Clube, Néora Francis Ossete Toly nasceu em Brazzaville, capital de Congo, em dezembro de 2009. A trajetória do jovem com a bola laranja nasceu por influência de um tio e teve raízes no boxe, primeiro esporte com o qual Francis teve contato.

Em uma quadra de um antigo colégio, o congolês praticava a luta e sonhava em se tornar um lutador profissional. Porém, um desenho animado local e uma nova influência do tio para os treinos fizeram com que Francis voltasse os olhares para o basquete. Desde então, com o impulso do tio, a bola laranja se tornou instrumento de transformação na vida do garoto.

"Eu não sabia o que era basquete. Com o meu tio, a gente começou a assistir um desenho de basquete e gostamos. Eu treinava boxe com ele desde pequeno, para virar um lutador mesmo. Ele treinava basicamente o meu físico para ficar mais forte. Veio o desenho e começamos a treinar (basquete) juntos, jogar por jogar. A quadra era longe da minha casa e começamos a ir juntos. Foi o primeiro treinador.", contou Francis, em entrevista para a Itatiaia.

Primeiros passos e chegada ao Minas

A 'brincadeira' passou a ter um tom mais sério com o crescimento físico de Francis. Cada vez mais adaptado ao esporte, o jovem chamava atenção pela qualidade técnica e pela altura. Ainda no país natal, ele passou a integrar uma academia voltada para a formação de jovens atletas. O bom desempenho no local, com vídeos que rodaram o mundo, ainda traria uma oportunidade de ouro: a chance de se transferir para o Minas e iniciar uma jornada profissional.

Após ser 'descoberto' por olheiros da equipe minas-tenista, Francis cruzou o Atlântico e chegou a Belo Horizonte em outubro de 2024. A grande oportunidade trouxe também dificuldades para o jogador. Além da adaptação à nova cultura, idioma e realidade, a distância da família se tornou um dos maiores dilemas para o prodígio:

"Mudou tudo. Viajei em um período muito ruim. Minha mãe saiu do hospital após ter um AVC em junho, e eu viajei em outubro. Então foi pouco tempo depois. Isso foi muito difícil, pois sempre pensava nela. Era difícil, porque não falava português, meu inglês era ruim. Era difícil de conversar, fora treinar e pensar na minha mãe. Outra diferença é a cultura, tem a comida bem diferente. Os primeiros momentos foram muito difíceis.", revelou.

Adaptação a Belo Horizonte

Apesar dos dilemas enfrentados, Francis se diz cada vez mais adaptado à capital mineira. Com o auxílio do clube, a linguagem começou a deixar de ser uma 'barreira' com a presença de um tradutor. Posteriormente, o jovem passou a integrar um curso de linguagem, onde aprendeu português para manter uma comunicação mais desenvolta com companheiros de equipe e comissão técnica.

Apesar de ainda sentir as diferenças da comida típica mineira para a da terra natal, Francis ainda revelou seguir dietas pré-estabelecidas pelo Minas. O processo permitirá com que o jogador siga avançando etapas para chegar ao time principal. Tranquilo, ele afirma não sair muito de casa. Porém, apesar do medo inicial de ficar sozinho em BH, Francis demonstra gratidão por ter encontrado apoio na capital mineira:

"Eu não sou um cara que gosta muito de sair. Minha rotina é treinar, ir para a escola, voltar para casa e dormir. Fui na Pampulha, mas coloquei o lugar errado (risos). Queria ir na Igreja (São Francisco) e fui na Igreja Batista, então tive que voltar. Fui na lagoa, vi as capivaras, gostei muito e lembrou o meu país, pois lá também tem muitas lagoas. Fiquei bastante tempo pensando, pois quando eu cheguei, vi um lugar bonito que me deu uma lembrança do meu país. Tenho problema para dormir, mas a gente achou um jeito para comer bem, descansar e comer melhor. Foi fácil porque tem muita gente que me ajudou: o clube e os pais dos outros jogadores, todo mundo quis me ajudar. Cheguei com medo de ficar sozinho, mas encontrei uma família, não só do Minas, mas do país. Muita gente que não é daqui me manda mensagem para conversar.", relatou.

Desempenho na LDB

Em quadra, Francis demonstra cada vez mais estar em evolução. Versátil, a joia pode atuar como 3 (ala), 4 (ala-pivô) e 5 (pivô). Sob instrução da equipe técnica do Minas, ele também busca aprimorar os arremessos de longa distância no próprio jogo. Na atual Liga de Desenvolvimento de Basquete (LDB) do Brasil, o jogador de 2,04m conta com médias de 10,8 pontos, 6,5 rebotes e 1,0 assistências por partida. Com Francis, o Minas encerrou a primeira fase da competição de forma invicta.

As 'dunks'

O aspecto mais notável do jogo de Francis é a dunk (enterrada). Segundo testes feitos pelo próprio Minas, o camisa 24 alcançou uma altura máxima 3,75m após um salto para efetuar o movimento. A aptidão para o salto, segundo o dono de várias dunks virais na redes socias, é fruto de muito trabalho para um melhor desempenho físico:

"Eu trabalhava todos os dias no meu físico para ficar mais forte e pronto. Quando comecei a gostar, não foi do basquete, foi das enterradas. Comecei a ver meu tio e ele falou que para fazer isso eu precisava pular alto, ficar forte, então passamos a treinar mais perna e mais do que íamos antes. Eu só pensava nisso, não pensava em treinar para virar um jogador.", esclareceu.

Planos para o futuro

Em busca de um lugar na equipe principal minas-tenista, Francis segue em trabalho intenso nas categorias de base do clube. O Minas observa o desenvolvimento dele e traça planos para a utilização no time principal no futuro. Com inspirações históricas no basquete, como Kobe Bryant e Giannis Antetokounmpo, o garoto revela ter grandes sonhos dentro do esporte. Jogar na NBA, ser o melhor do Mundo... Para quem cruzou o oceano por um sonho pelo qual luta diariamente, o impossível parece ser apenas uma questão de opinião!

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Luccas Almeida é jornalista em formação pela PUC Minas. Apaixonado por esportes e com experiência como estagiário da TV Record. Atualmente, colabora com a gestão de redes na Itatiaia.

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