Basquete: STJD marca julgamento após acusação de racismo em jogo do Minas
Partida entre Minas e Cerrado, na última quarta-feira (6), em Belo Horizonte, foi marcada por acusação de racismo

O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da Liga Nacional de Basquete (LNB) marcou para 18h da próxima terça-feira (19) o julgamento da denúncia de racismo em uma partida entre Minas e Cerrado, na última quarta-feira (6), na Arena UniBH, em Belo Horizonte, pela oitava semana da fase classificatória.
Com a partida próxima do fim, o armador Matheus Buiú, do Cerrado, acusou o armador argentino Nicolás Copello, do Minas, de proferir insultos racistas contra ele. O caso foi registrado em Boletim de Ocorrência (BO) numa delegacia de BH. Copello nega as acusações.
Copello será julgado por “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça" (artigo 243-G). O argentino pode ser suspenso de cinco a dez jogos.
Com a acusação, o jogo terminou em confusão e empurra-empurra. O pivô Ítalo Honorato e o ala Gemerson Barbosa, de Cerrado e Minas respectivamente, por “participar de rixa, conflito ou tumulto, durante a partida, prova ou equivalente” (artigo 257), com pena de dois a dez jogos de suspensão. Honorato também responderá por “assumir qualquer conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva não tipificada pelas demais regras” (artigo 258) do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), com gancho possível de uma a seis partidas.
O Minas também será julgado. O clube vai responder pelos artigos 213 (deixar de tomar providências capazes de prevenir e reprimir, com pena de R$ 100 a R$ 100 mil) e 191 (deixar de cumprir, ou dificultar o cumprimento de obrigação legal; de deliberação, resolução, determinação, exigência, requisição ou qualquer ato normativo ou administrativo do CNE ou de entidade de administração do desporto a que estiver filiado ou vinculado de regulamento, geral ou especial, de competição, com pena de R$ 100 a R$ 100 mil).
O Cerrado repudiou o caso e cobrou punições. “Antes de compartilharmos o resultado do recente jogo do Cerrado Basquete na NBB, é crucial expressar nosso veemente repúdio diante do lamentável episódio de racismo enfrentado por nosso atleta, Matheus Santos, carinhosamente conhecido como Buiú”, escreveu o clube, nas redes sociais.
“As injúrias raciais proferidas durante o último jogo são inaceitáveis. As medidas legais cabíveis serão imediatamente acionadas junto à Liga da NBB. Reiteramos de maneira enfática que aqui, no Cerrado Basquete, não toleramos e repudiamos qualquer forma de racismo”, completou.
O Minas também se manifestou. “Em relação à denuncia de racismo durante o jogo entre Minas e Cerrado, realizado nesta quarta-feira (6/12), na Arena UniBH, pelo Novo Basquete Brasil - NBB CAIXA, o Minas informa que não tolera e repudia todo e qualquer tipo de preconceito”, divulgou o clube.
“O Clube está apurando os fatos e se coloca à disposição para contribuir com as investigações. Reitera ainda que, como referência no cenário esportivo e na formação de atletas e cidadãos, sempre se pauta em valores e princípios do esporte e da educação, com cidadania e respeito”, completou.
Campeonato
No jogo em questão, o Cerrado venceu o Minas por 68 a 67. O time minastenista, líder do NBB com dez vitórias em 12 jogos, voltará à quadra na quinta-feira (14), às 19h, contra o Corinthians, no Ginásio Wlamir Marques, em São Paulo, pelo NBB.
Já o Cerrado, 16º do NBB, vai duelar com o Paulistano na próxima segunda-feira (18), às 19h, no Ginásio da Asceb, em Brasília, também pela liga nacional.
Matheus Muratori é jornalista multimídia com experiência em muitas editorias, mas ama a área esportiva. Faz cobertura de futebol, basquete, vôlei, esportes americanos, olímpicos e e-sports. Tem experiência em jornal impresso, portais de notícias, blogs, redes sociais, vídeos e podcasts.
