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Um Defeito de Cor: vendas do livro de escritora mineira crescem 10 vezes após desfile da Portela

Livro conta a história de mulher escravizada que busca filho no Brasil; obra de Ana Maria Gonçalves já vendeu 100 mil exemplares desde o lançamento em 2006

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à esquerda, desfile da escola de samba portela; à direita, escritora ana maria gonçalves segurando o livro um defeito de cor
Portela fez enredo inspirado em clássico da escritora mineira Ana Maria Gonçalves • Reprodução / Tânia Rego / Agência Brasil

As vendas do livro "Um Defeito de Cor", da escritora mineira Ana Maria Gonçalves, cresceram 10 vezes após a obra ser tema do desfile da escola de samba Portela, no Rio de Janeiro. A agremiação se apresentou no segundo dia de desfiles do Grupo Especial do Carnaval carioca. Um dia depois, na terça (13), o livro já aparecia como esgotado no site da editora, o Grupo Editorial Record, e em plataformas como a Amazon.

Um defeito de cor

O romance conta a história de Kehinde, uma mulher que foi retirada à força da África e traficada para o Brasil ainda criança. A personagem foi criada com base na história de Luísa Mahin, mãe do advogado, abolicionista, orador, jornalista e escritor brasileiro Luís Gama, considerado o Patrono da Abolição da Escravidão do Brasil.

Ao longo das 952 páginas, Kehinde narra sua história de vida, enquanto viaja da África para o Brasil em busca do filho perdido há décadas. Durante a travessia, ela conta sua vida, marcada por episódios violentos da escravidão como mortes e estupro.

"Um defeito de cor" já vendeu 100 mil exemplares desde que foi lançado em 2006.

Enredo da Portela

A obra inspirou os carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga e garantiu o quinto lugar da Portela entre as escolas de samba em 2024. O enredo do desfile gira em torno de uma carta escrita por Luís Gama em que o filho troca experiências com a mãe, de quem foi separado ainda na infância. A emocionante apresentação falou sobre racismo e debateu sobre mães que perderam seus filhos.

O último carro da Portela, inclusive, trazia 16 mães de vítimas da violência no Rio de Janeiro, que carregavam junto a si um objeto que as faziam lembrar dos filhos. Entre as mulheres escolhidas para desfilar estava a mãe da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018 no Rio, e a mãe de Kathlen Romeu, morta por um tiro de fuzil disparado por um PM no ano passado.

"Ao longo do ano de 2023 foram muitas conversas com a Portela, e Ana Maria Gonçalves se aproximou muito da Escola. Tivemos um evento de autógrafos na Quadra, onde o livro esgotou. Foi muito bonito ver essa adesão de Ana Maria à comunidade da Portela e vice-versa. Ela se tornou uma pessoa querida da Escola, muito presente, participando de oficinas e clubes de leitura. Tudo muito cheio de afeto mesmo, não só o desfile, mas toda a construção desse enredo e preparação", explica a editora-executiva do Grupo Editorial Record, Livia Vianna, responsável pelo livro.

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Fernanda Rodrigues é repórter da Itatiaia. Graduada em Jornalismo e Relações Internacionais, cobre principalmente Brasil e Mundo.