Testamento de Aretha Franklin é encontrado em sofá da cantora
Decisão de validar o documento partiu do Tribunal de Sucessões do Condado de Oakland, após uma disputa entre os herdeiros

Um documento encontrado no sofá de Aretha Franklin em 2018, meses após a morte da cantora, foi declarado válido como testamento pelo Tribunal de Sucessões do Condado de Oakland, pondo fim a uma disputa entre os herdeiros que se arrastava desde então.
Kecalf Franklin e Edward Franklin, filhos da artista, foram os que defenderam que o manuscrito, de quatro páginas, encontrado no sofá dela, em Michigan, nos Estados Unidos, fosse reconhecido como testamento.
Do outro lado da disputa, Theodore, também filho de Aretha, defendeu a validação de um documento autenticado em cartório, em 2010. Nele, seu nome e o de Sabrina Owens, sobrinha da cantora, aparecem para a representação do espólio.
O documento acatado pelo júri, no entanto, põe Kecalf como representante. Além disso, ele e seus netos também vão herdar a mansão de $ 1,2 milhão (cerca de R$ 6 milhões) de sua mãe.
Tanto no documento defendido por Kecalf e Edward quanto no defendido por White e Owens, Aretha deixou aos filhos o dinheiro da reprodução da música e dos direitos autorais de sua obra.
História. Composta por Burt Bacharach e Hal David, “I Say a Little Prayer” foi lançada por Dionne Warwick, em 1967, e rapidamente escalou o topo das paradas de sucesso nos Estados Unidos, sempre um holofote aceso para o mundo. Ironicamente, essa canção cinquentenária é hoje muito mais associada a outro nome do que a qualquer um desses citados: Aretha Franklin, nascida há oitenta anos em Memphis, que morreu vítima de um câncer no pâncreas em agosto de 2018, depois de batalhar bravamente por quase uma década, sem abandonar os palcos, apresentando-se pela última vez em uma homenagem a Elton John.
“I Say a Little Prayer” é um caso raro justamente porque já era sucesso quando Aretha decidiu regravá-la, sem sequer dar tempo aos fãs para respirarem, logo no ano seguinte, em 1968, consagrando-a definitivamente. Cabe dizer que Burt Bacharach e Hal David já eram compositores tarimbados e Dionne Warwick não devia nada a nenhuma cantora, nem a Aretha Franklin.
Acontece que a música alcançou uma simbiose com a intérprete poucas vezes vista na história da música, que, afinal, é cheia desses mistérios que escapam à análise fria. Filha de um pastor da Igreja Batista com uma cantora e pianista, Aretha agregou essas duas características à sua obra, sobressaindo-se na música gospel. No início da carreira, ela cantou soul e R&B, os dois ritmos fundadores.
Afinal de contas, “soul” quer dizer alma, enquanto o R&B, ou “ritmo e blues”, está na raiz da música negra que legou ao mundo contribuições inestimáveis como o jazz, que ainda hoje é considerado, por muitos especialistas, a mais importante manifestação sonora do século XX. Fato é que Aretha Franklin entregou a “I Say a Little Prayer” uma interpretação que realçou as nuances da letra e incendiou a sua já comovente parte melódica, baseada em compassos que se repetem como numa oração.
Pois é disso que se trata a letra, uma declaração de amor em forma de prece. Unindo essas qualidades nas quais era craque, ou seja, falar de amor com ares fervorosos, Aretha Franklin transformou “I Say a Little Prayer” em um clássico imediato. Sucesso ela já era.
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