Produtor musical questiona Pedro Sampaio sobre uso de ‘som de golfinho’ em Jetski

Felipe Vassão afirma que a introdução do hit do Carnaval 2026 utiliza sample disponível na plataforma Splice e alerta para riscos de plágio

Pedro Sampaio foi alvo de críticas com a música Jetski

A música Jetski, de Pedro Sampaio, com participação de Melody, é um sucesso incontestável e já é apontada por muitos como um dos grandes hits do Carnaval 2026. Vivendo uma de suas melhores fases na carreira, o DJ brasileiro emplacou recentemente faixas como Sequência da Feiticeira e Jetski, que dominam as pistas e não saem da cabeça do público. No entanto, o novo lançamento também virou alvo de polêmica nas redes sociais.

O produtor musical Felipe Vassão publicou um vídeo em seu perfil comentando uma declaração de Pedro Sampaio, na qual o DJ afirma que a introdução de Jetski utiliza o som de um golfinho de verdade. Com uma abordagem didática, Vassão questiona essa afirmação e explica por que considera improvável que o resultado sonoro apresentado na música tenha sido obtido a partir de um som original do animal.

Felipe Vassão é produtor musical e tem no currículo trabalhos como as músicas Triunfo e Besouro, ambas do rapper Emicida, além de atuar como educador, com cursos voltados ao mercado musical. No vídeo, que já conta com comentários de artistas e outros profissionais da área, ele contextualiza a fala de Pedro Sampaio e apresenta exemplos do que seria, de fato, um som real de golfinho.

Durante a gravação, Vassão explica que existe uma plataforma bastante utilizada por produtores musicais chamada Splice. No vídeo, ele afirma: “Acontece que o titio estava andando em um lugar chamado Splice. E olha só o que o titio encontrou”. Na sequência, o produtor reproduz um sample, mostra seu nome original e esclarece, por meio da legenda do vídeo, que se trata de um synth lead simples, pertencente a um pacote de samples chamado Afrohouse Angolano Essentials, lançado pela Afroplug, além de dar créditos aos autores.

Segundo Vassão, o som utilizado por Pedro Sampaio estaria disponível nessa plataforma, amplamente usada por pequenos produtores e músicos independentes. Ele também explica o conceito de sample musical, prática comum na indústria fonográfica, que consiste na reutilização de trechos de gravações preexistentes — como batidas, melodias, vocais ou instrumentos — em novas produções. Esses trechos podem ser recortados, modificados, ter o tom ou o tempo alterados, ou repetidos em loop, criando novas composições a partir desse material.

Após apresentar o sample, Felipe Vassão demonstra que, ao alterar o tom em meio semitom, é possível chegar a um som idêntico ao da introdução de Jetski. No vídeo, ele ironiza: “Som de golfinho? Pra cima de mim…”. Em seguida, explica os motivos que o levaram a expor o caso.

De acordo com Vassão, duas questões o incomodaram na fala de Pedro Sampaio. A primeira é o fato de o artista dar a entender que o som utilizado seria de um animal real, o que, segundo ele, pode confundir produtores iniciantes. A segunda envolve o uso de samples disponíveis no Splice. “No Splice qualquer um pode pegar o som e fazer outra música. Para quem não conhece, o Splice é tipo um shopping de som. Você vai lá e pega uns sons pra fazer suas batidas”, explica.

O produtor alerta que, ao utilizar um sample exatamente como ele está disponível na plataforma — mesmo com pequenas alterações de tom —, outras pessoas podem empregar o mesmo arquivo em novas músicas. Segundo ele, essa prática pode resultar em conflitos de Content ID, sistema automático do YouTube que identifica conteúdos protegidos por direitos autorais por meio de uma espécie de “impressão digital”, além de disputas por plágio e outras complicações legais.

Para exemplificar, Vassão cita um caso envolvendo o grupo de K-pop LOONA. Ele mostra um sample que já esteve disponível no Splice e explica que, se utilizado, poderia gerar problemas de plágio com a música Girl Front, da unit Odd Eye Circle, do grupo sul-coreano.

Ao final do vídeo, Felipe Vassão aconselha produtores e artistas a evitarem o uso de materiais prontos por pressa e reforça a importância de criar samples próprios. Ele também destaca que, por se tratar de arquivos disponíveis no Splice, os samples são livres de royalties. Esse tipo de licença permite que o conteúdo seja utilizado em diferentes projetos sem a necessidade de pagamentos adicionais ou recorrentes ao criador após o download inicial. Dessa forma, caso outro artista utilize o mesmo sample associado ao suposto som de golfinho, Pedro Sampaio não poderia contestar o uso.

A reportagem da Itatiaia entrou em contato com a assessoria de Pedro Sampaio, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve posicionamento oficial. O texto será atualizado com o posicionamento.

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Carol Caputo é publicitária, podcaster e estudante de Jornalismo na Universidade Estácio de Sá. É apaixonada por cultura pop - com foco nas produções do Leste Asiático

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