Nuno Roland lançou futuros clássicos da música brasileira com voz melodiosa
Cantor catarinense foi o primeiro a gravar o samba-canção 'Fim de Semana em Paquetá' e a marchinha 'Tem Gato na Tuba',

Nuno Roland foi um cantor especial, que morreu de maneira dramática. São dele os primeiros registros de futuros clássicos da canção brasileira. Em 1947, o músico lançou “Fim de Semana em Paquetá”, samba-canção de Braguinha e Alberto Ribeiro que receberia inúmeras regravações, com as mais diferentes abordagens, dentre elas as de Elizeth Cardoso, Jorge Goulart e Wilson Simonal, mantendo sempre intacto o sucesso dessa balada sobre um casal de namorados, que decide aproveitar o descanso renovando a força de seu amor.
No ano seguinte, em 1948, novamente Nuno Roland emprestou sua voz para uma criação da dupla de compositores formada por Braguinha e Alberto Ribeiro, desta vez uma marcha descontraída e original, que se valia de onomatopeias na letra para ampliar seu sentido. “Tem Gato na Tuba” alcançou um sucesso estrondoso, tanto entre adultos quanto entre as crianças, por sua característica gaiteira e brincalhona. Mantendo esse espírito jovial, a música ganhou a bela regravação de Nara Leão, em 1984, já no disco “Luz da Manhã”.
Antes, havia entrado para o repertório de Jorge Goulart e Pixinguinha, em versão instrumental, animando os carnavais cariocas. No embalo do sucesso infantil, foi rebobinada pela Turma do Balão Mágico, em 1982. Embora restrita ao Carnaval, a gravação da marchinha “Pirata da Perna de Pau”, de Braguinha, também rendeu certo êxito comercial a Nuno Roland. Outro momento de destaque foram as gravações dos hinos do Botafogo e do Fluminense, compostos por Lamartine Babo, este último com o Trio Melodia, criado por ele.
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O derradeiro holofote jogado sobre Nuno Roland aconteceu quando ele regravou a toada “Peixe Vivo”, em 1950, motivo popular adaptado por Antônio Almeida, célebre por ser a preferida de Juscelino Kubistchek, que, no ano seguinte, se elegeria governador de Minas Gerais. A partir dos anos 1960, o espaço para cantores do estilo de Nuno Roland, ligados à escola de Francisco Alves, Orlando Silva, Silvio Caldas e Carlos Galhardo, se viu paulatinamente reduzido. Ele já estava afastado do rádio e da profissão quando, em novembro de 1975, sofreu um ferimento no pé que, pelo descuido, acabou gangrenando...
Em razão disso, Nuno foi obrigado a amputar uma perna para tentar evitar com que a ferida se alastrasse. Mas a operação foi em vão. Menos de um mês após o acidente, nas vésperas do Natal, o cantor faleceu, aos 62 anos, vítima de uma insuficiência renal. Nascido em Santa Catarina, na então pequena cidade de Joinville, ele começou a ver as cortinas do estrelato se abrirem quando, durante uma caravana pelo interior do Rio Grande do Sul, conheceu Lupicínio Rodrigues, mestre da dor-de-cotovelo. Rapidamente, mudou-se para São Paulo, onde Reinold Correia Oliveira adotou o nome artístico que o consagrou.
No Rio de Janeiro, teve fama e sucesso, tornando-se um dos principais astros da Rádio Nacional, permanecendo na maior emissora de rádio do país durante décadas. Com os cabelos cuidadosamente arrumados e penteados para trás graças a boas doses de brilhantina e um bigode meticulosamente ajeitado sobre a boca, ele manteve uma pinta de galã nacional que coadunava com a voz doce e melodiosa, mesmo quando precisava interpretar alguma galhofa nos sambas e nas marchinhas de outrora. Afora esses feitos, ainda lançou Grande Otelo como compositor, com “Vou Pra Orgia”. Nuno Roland fez história.
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