Nelson Angelo volta a BH e relembra sucessos com pegada jazz
Músico apresenta canções gravadas por Milton Nascimento e Fafá de Belém, como 'Fazenda', 'Canoa, Canoa' e 'Tiro Cruzado'

Nelson Angelo está de volta. Mas nunca deixou Minas, como ele mesmo diz, “meu sangue, minha raiz, de onde venho, tudo”. “Meu lema sempre foi e será ‘Minas em meu coração’, seja onde for”, destaca. Essa conexão umbilical está presente em canções de seu repertório que se tornaram emblemáticas, como “Canoa, Canoa”, “Tiro Cruzado”, “Aranda”, dentre outras, seja pela composição melódica ou pela letra.
A novidade, desta vez, é que Nelson as apresentará ao público com “uma pegada mais solta, mais jazzística!”. Quando subir ao palco do Clube de Jazz do Café com Letras, no dia 4 de fevereiro, para um público seleto de 40 lugares, ele estará acompanhado do contrabaixista Enéias Xavier.
Em 1976, quando lançou o disco “Geraes”, Milton Nascimento deu a sua interpretação para a música “Fazenda”, de Nelson Angelo, que, no mesmo ano, recebeu a voz de Fafá de Belém, no LP “Tamba Tajá”. Claro que a canção não poderá ficar de fora. “Para mim, o Bituca sempre foi meu melhor amigo”, derrete-se Nelson.
Em novembro, ele foi um dos convidados de honra da despedida do músico dos palcos, em noite emocionante no Mineirão. “Tive muita honra e orgulho desse convite, que mostrou a todos nossa profunda ligação musical e fraterna”, sublinha. “Bituca parou e eu estou retomando”, diz.
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De fato. No final de 2022, Nelson Angelo lançou, pelo selo QUAE, uma caixa que embalou quatro discos produzidos por ele, dos anos 1970 aos 2000. Já pela norte-americana Datapictures, colocou na praça um filme e CD de áudio, disponíveis no YouTube para quem quiser assistir, intitulado “Cantos Espirituais”, em que o músico investiga o próprio ofício e sua relação com o mundo.
Além disso, ele já adianta “novos projetos com inéditas para 2023”. Enquanto elas não vêm, há tempo de curtir os clássicos e redescobrir pérolas escondidas. “Frequentei lugares onde o Cazuza também frequentou. Éramos de gerações diferentes. Eu era amigo de Lucinha e João Araújo, pais dele. Andava com Miúcha e ele com Bebel Gilberto”, esclarece Nelson sobre a rara parceria em “Modernidade”.
“Um dia o Cazuza escreveu uma parte de uma letra em parceria com a Graça Motta, e ela me deu para colocar melodia. Fiz a música e assim nos tornamos parceiros”, celebra. Rebatizada “Moderna Idade”, a música foi lançada pela cantora Nair Cândia, em 1998. “Quando foi/ Quando éramos/ Intactos projetos imaturos/ Fomos modernos/ E nos couberam ternos, gravatas, molduras, cultura, inferno/ Fôssemos eternos”, diz a letra, sublinhada por belo saxofone...
Serviço.
O quê. Nelson Angelo em noite de jazz
Quando. 4 de fevereiro, sábado, às 20h30
Onde. Clube de Jazz do Café com Letras (rua Antônio de Albuquerque, 47)
Quanto. De R$ 35,00 a R$ 180,00
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