Nando Reis completa 60 anos com espírito jovial e baladas nas rádios
Cantor e compositor é o ruivo mais pop da música brasileira, graças a sucessos como 'Por Onde Andei', 'Relicário' e 'Resposta'

Ele já disse que o mundo é bão e definiu o que é uma partida de futebol. Seja por sua própria voz ou pela voz de outros cantores, o certo é que Nando Reis se tornou um dos músicos mais ouvidos das últimas décadas.
Com uma receita pop que alia a leveza das baladas ao ecletismo da MPB, Nando entrou definitivamente para o rol de queridinhos dos programadores de rádio, graças a sucessos que ultrapassam barreiras e alcançam públicos de todos os gostos, como “Por Onde Andei”, “Pra Você Guardei o Amor”, “Relicário”, “Luz dos Olhos”, e muitas outras.
Em 2018, ele se juntou a Gilberto Gil e Gal Costa na turnê “Trinca de Ases”, e, em 2020, foi a vez de pegar a estrada com o duo Anavitória, comprovando a sua fácil transição entre gerações e personagens de diferentes estilos, mas com uma qualidade em comum: a capacidade de emocionar plateias.
Nando começou a carreira no grupo Titãs, para o qual foi convidado em 1982. Logo ele se destacou como um habilidoso instrumentista, revezando entre a guitarra e o baixo, com parada eventual nos teclados. Entre os sucessos dos Titãs que contam com a sua assinatura estão “Os Cegos do Castelo”, “Pra Dizer Adeus”, “Homem Primata”, “O Mundo É Bão, Sebastião!” e “Marvin”.
Em 2001, ele deixou o grupo, após mais de dez discos gravados. O movimento já vinha sendo ensaiado quando ele gravou seus primeiros discos-solo, e, principalmente, ao se encontrar com Cássia Eller, cantora que deu nova voz e força às suas canções. Tanto que Nando produziu “Com Você... Meu Mundo Ficaria Completo”, de 1999, disco que apresentou Cássia a um público mais amplo.
Com o pé na estrada, Nando confirmou sua vocação para emplacar canções nas paradas de sucesso, sempre aberto a novas parcerias e interessado no que pintava por aí. Com uma formação punk-rock, ele rapidamente se converteu ao romantismo que passou a impregnar suas composições. Na categoria dos tributos, foi um dos poucos que recebeu permissão para interpretar os clássicos de Roberto Carlos, com o álbum “Não Sou Nenhum Roberto, Mas às Vezes Chego Perto”, de 2019.
Entre seus parceiros, estão nomes como Marisa Monte, Samuel Rosa, Carlinhos Brown, Arnaldo Antunes, Pepeu Gomes, Lô Borges e Gabriel, o Pensador, reafirmando a diversidade de seu repertório. Músicas como “Ainda Lembro”, “Resposta”, “É Uma Partida de Futebol”, “Dois Rios” e “E.C.T.” pertencem à lavra de Nando Reis.
Aos 60 anos, o ruivo mais pop da música brasileira não quer descanso. Sem dar trégua para a idade, ele segue com o espírito renovado e a ideia de que a juventude é só uma questão de perspectiva.
“E.C.T.” (balada, 1994) – Carlinhos Brown, Nando Reis e Marisa Monte
Antônio Carlos Santos de Freitas ficou nacionalmente conhecido como Carlinhos Brown quando ingressou no grupo percussivo Timbalada e mostrou ao mundo o talento de jovens promissores da Bahia. Nascido em Salvador, no dia 23 de novembro de 1962, ele escolheu o nome artístico como uma homenagem ao cantor norte-americano de funk e soul, James Brown.
Cantor, compositor, arranjador, embaixador ibero-americano e multi-instrumentista, Carlinhos Brown já teve composições gravadas por Daniela Mercury, Margareth Menezes, Ivete Sangalo, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa, Elba Ramalho, Milton Nascimento, entre outros. Em 2001, ele formou, ao lado de Marisa Monte e Arnaldo Antunes, o grupo Tribalistas, e, desde 2012, atua como jurado no programa The Voice Brasil, da Rede Globo. Entre seus grandes sucessos está “E.C.T.”, lançada por Cássia.
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“É Uma Partida de Futebol” (rock, 1996) – Samuel Rosa e Nando Reis
Com letra de Nando Reis e música de Samuel Rosa, “Alexia” foi lançada em 2014 pelo Skank, com versos que começam se referindo, enviezadamente, a um sucesso de Jorge Ben Jor, como num drible que gera uma expectativa e surpreende: “Menina mulher da pele branca/ Com a classe de quem sabe a arte de jogar bem futebol/ A bela da tarde com charme encanta/ Filme de Buñuel, obra de Gaudí ou tela de Miró”. Nada ali é por acaso. A dobradinha de Samuel e Nando já tinha gerado um dos maiores clássicos nacionais sobre futebol, justamente “É Uma Partida de Futebol”, um hit que dominou as rádios...
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“Um Tiro no Coração” (pop rock, 2000) – Nando Reis
Embora tenha enfileirado uma série de sucessos, especialmente no ano de sua morte, quando gravou o “Acústico MTV”, e mesmo um pouco antes, com discos antológicos produzidos por Nando Reis e Wally Salomão, a exemplo de “Com Você… Meu Mundo Ficaria Completo” e “Veneno Antimonotonia”, Cássia Eller passou boa parte de sua trajetória à margem do mercado fonográfico, priorizando cantores da chamada vanguarda paulista, como Arrigo Barnabé, Mário Manga, Hermelino Neder e Itamar Assumpção. Mesmo no auge do sucesso, ela não os abandonou, quando gravou “Aprendiz de Feiticeiro”, de Itamar, e “Maluca”, de Luís Capucho. No ano 2000, protagonizou um potente dueto com Sandra de Sá em “Um Tiro no Coração”, música de Nando Reis.
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“O Mundo É Bão, Sebastião!” (pop rock, 2001) – Nando Reis
Nando Reis estava em estúdio com Cássia Eller, aflito porque ainda não havia apresentado nenhuma música para o próximo álbum dos Titãs, “A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana”, quando começou a surgir a inspiração para “O Mundo É Bão, Sebastião!”, que seria lançada em 2001. Cássia tocou ao piano os acordes que Nando indicou e a canção ficou pronta. Dedicada ao filho de Nando, então com seis anos, ela foi regravada em 2016 com a participação dos rebentos Theo e Sebastião, que formam a dupla 2Reis.
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“Back in Vânia” (rock, 2012) – Nando Reis
Nando Reis já declarou mais de uma vez que o baiano Gilberto Gil é a grande inspiração de sua carreira artística. Foi com saudades da Bahia, como dizia Dorival Caymmi, que Gil compôs “Back in Bahia” em 1972, durante seu exílio em Londres, para o qual teve de partir após ser preso e torturado pela ditadura militar no Brasil. A canção “Back in Vânia” de Reis é uma homenagem à mulher com quem ele teve quatro filhos e para a qual voltou em um segundo casamento, dez anos após o término do primeiro, que durou 18 anos. A gama de referências abordada pelo antigo baixista dos Titãs na letra compreende de cidades como Bertioga e Ubatuba ao planeta Marte e até nomes de familiares.
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