Músicas sobre Belo Horizonte são tema de livro do jornalista Jorge Fernando dos Santos
Com lançamento neste sábado (29), publicação reúne cerca de 200 canções sobre a cidade, passando por diferentes gêneros

O próprio nome da cidade já é um elogio e uma homenagem: Belo Horizonte. Capital dos mineiros, lar aconchegante e receptivo de todos que a visitam, a cidade já inspirou obras de artistas dos mais altos quilates, da arquitetura ao paisagismo, passando pela pintura, o cinema, o teatro e a literatura.
A música, claro, não poderia ficar de fora. Belo Horizonte também acendeu a fagulha criativa em grandes compositores, tanto os nascidos aqui quanto estrangeiros que se admiraram com a beleza daquela que já foi chamada de “Cidade Jardim”.
De Rômulo Paes a Vander Lee, passando pela dupla sertaneja formada por César Menotti & Fabiano a Tavito e Paulinho Pedra Azul, nossa Belo Horizonte é musical, com versos, notas, melodias. Em 1997, o jornalista Jorge Fernando dos Santos começou a pensar no livro que sai agora pela editora Miguilim, "Belo Horizonte em Letra e Música", com lançamento neste sábado (29), das 11h às 14h, na Livraria da Rua (rua Antônio de Albuquerque, 913, Savassi). A publicação reúne um número impressionante de composições sobre a musa e anfitriã, beirando as 200.
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História. Tudo começo quando, no ano do centenário de Belo Horizonte, Jorge Fernando produziu um disco da cantora Helena Penna, intitulado 'Beloriceia', que trazia canções dele em parceria com Angelo Pinho que citavam a cidade. Ao elaborar o roteiro para o show, ele citou dificuldade em localizar outras canções com o mesmo tema.
Sem "a potência que a internet tem hoje", ele foi atrás de escarafunchar as obras do Clube da Esquina, de Gervásio Horta, Pacífico Mascarenhas, Waldir Silva, dentre outros, e se deparou com uma espécie de tesouro perdido.
Logo após a publicação do livro "A Turma da Savassi", há cerca de quatro anos, ele decidiu resgatar o antigo projeto, impulsionado pelo músico Pacífico Mascarenhas. "Toda roda de samba tem músicas que falam sobre Rio, Bahia, mas, raramente, citam Belo Horizonte, e, no entanto, identifiquei mais de 200 canções sobre a cidade, quase todas de compositores conhecidos", observa o jornalista.
Curiosidades. Ele cita artistas consagrados das Gerais, como Mauricio Tizumba, Paulinho Pedra Azul, Vander Lee e Murilo Antunes, letrista do Clube da Esquina, além de emblemas nacionais do porte de Noel Rosa que, na década de 1930, durante o tratamento da tuberculose que o mataria com apenas 26 anos, rumou para a capital que ainda era conhecida pelo ar puro e revigorante.
Foi aqui em Belo Horizonte, no ano de 1935, que o Poeta da Vila Isabel compôs duas paródias sobre a cidade, regravadas posteriormente pelo grupo Coisa Nossa, no sétimo volume da coleção "Noel Pela Primeira Vez". "O Noel compôs essa paródia em duas partes, uma séria e a outra mais galhofeira. O interessante é que ele tinha três avós mineiros e morou em Vila Isabel, que foi fundada pelo Barão de Drummond, que era de Nova Era (então pertencente a Itabira), ou seja, tinha tudo a ver com Minas".
Nos últimos quatro anos, Jorge Fernando trabalhou assiduamente com pesquisas e entrevistas para o livro. Ele colheu cerca de 50 depoimentos que contemplam músicos, pesquisadores e compositores, e ouviu personalidades como o radialista da Itatiaia Acir Antão, os compositores Chico Amaral, Gervásio Horta, Ladston Nascimento, Toninho Horta, Juarez Moreira, Nelson Angelo, dentre outros. Milton Nascimento também comparece em depoimento.
Estilo. "Abrangi um universo musical bastante amplo, que percorre da inauguração da cidade, em 1897, até os dias atuais, passando pelo samba, a valsa, o rock, o Clube da Esquina e outros gêneros musicais", pontua o entrevistado.
Segundo ele, embora as músicas falam da cidade com enfoques diferentes, algumas temáticas se repetem, por exemplo a exaltação de lugares folclóricos como a Rua da Bahia, a Savassi, e os tradicionais bairros Lagoinha, Santa Tereza e Santo Antônio.
"Fica claro que havia essa tradição musical desde a inauguração da cidade, no final do século XIX, com a profusão de seresteiros, bandas e músicas de orquestra", salienta Jorge Fernando. No seu primeiro aniversário, o Carnaval da cidade assistiu operários descerem a Praça da Liberdade em direção à Afonso Pena fantasiados de mulheres, no que seria "a origem dos blocos caricatos que imperaram nas décadas de 1960 e 1970", revela o escritor.
Beleza. A luz da cidade e a qualidade geográfica privilegiada, em especial pela Serra do Curral, estão no âmago de canções que inspiraram boa parte dos compositores. "A palavra 'curral' é muito citada. Nos anos 1940, 1950 e início dos 1960, a boemia da Lagoinha toma conta em músicas de Celso Garcia, Jadir Ambrósio e Mestre Conga", destaca.
Na visão de Jorge Fernando, a "Lagoinha é a Lapa de BH, assim como a Savassi é Ipanema", compara. Canções instrumentais, inclusive uma do guitarrista britânico John McLaughlin, de 1981, também ajudaram a eternizar a beleza da cidade que não para de ser cantada. Em 2021, Ed Nasque e Lucas Telles gravaram o samba "Belo Horizonte", lançado no disco "Interior". E que venham mais pela frente.
Serviço
Lançamento do livro Belo Horizonte em Letra e Música
Autor: Jorge Fernando dos Santos
Editora Miguilim
Data: sábado, 29/7, a partir das 11h
Local: Livraria da Rua (Antônio de Albuquerque, 913, Savassi)
