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Luísa Sonza fala sobre episódio de racismo: 'demorei a ter entendimento disso'

Documentário destrincha a vida de uma das cantoras pop mais polêmicas do Brasil

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Luísa Sonza detalhou episódio de racismo em documentário  • Divulgação | Netflix

Luísa Sonza, de 25 anos, falou pela primeira vez abertamente sobre o episódio de racismo envolvendo a advogada Isabel Macedo ocorrido em 2018. No fim do episódio “Eu sou a minha pior hater”, do seu recém-lançado documentário “Se Eu Fosse Luísa Sonza”, na Netflix, a cantora detalhou o que aconteceu naquele dia em Fernando de Noronha, quando tinha cerca de 20 anos.

Segundo Luísa, naquele dia, ela estava jantando em um restaurante no arquipélago pernambucano quando, em certo momento, uma “galera” pediu que ela cantasse. “Eu ainda não era famosa do jeito que eu sou hoje em dia", recorda.

"Aí, como eu tinha 19 ou 20 anos, cantei. Combinei algumas músicas na hora... Tinha um cara tocando violão e, enquanto eu cantava, estava todo mundo me filmando e, em determinado momento, senti sede, virei pra trás e pedi um copo de água. Virei e voltei a cantar”, explica.

Luísa pediu água para a advogada, que era cliente e não funcionária do estabelecimento - episódio que ela chama de “infeliz”. “Depois, não foi mais falado sobre isso”, pontua. Após dois anos, em meio à separação de Whindersson Nunes, ela conta ter sido processada por danos morais.

“Não tô aqui pra me justificar, não sabia se eu ia falar sobre isso, porque eu acho que, com quem eu tinha que falar, com quem eu tinha que me justificar e pedir desculpas, já me justifiquei”, declara. Segundo Sonza, neste período, ela aprendeu várias coisas, leu bastante e tomou consciência do que tinha ocorrido. “No sentido de me aliar à causa antirracista, entender a minha responsabilidade como pessoa branca, buscar investir nas causas antirracistas", esclarece.

"Abri um restaurante, invisto em vários projetos, incluo isso pra minha vida e não divulgo porque eu acho que... mas tento ser o mais correta nesse lugar, aprendi a ser mais correta", acrescenta.

"Eu confesso que, em algum momento, demorei a ter entendimento disso. Porque eu sou uma pessoa privilegiada branca e estou sujeita a essa estrutura b*sta. E, enfim, é isso que eu posso fazer, eu não posso falar muito sobre isso também, porque eu acho que envolve outra pessoa, e isso foi uma dúvida até se eu falaria sobre ou não. É um assunto muito delicado e eu não quero ser indelicada, mas também não quero vir aqui e ficar meio, tipo, tentando convencer de uma coisa”, continua.

“Não é sobre isso. É sobre assumir o erro, entender, ter consciência desse erro, conscientizar as pessoas brancas que não levam isso a sério, a levarem isso a sério. Me arrependo muito disso. Acho que é, com certeza, um dos piores episódios da minha vida. Obviamente, não foi intencional, e jamais seria, mas aconteceu. A gente está presa numa estrutura muito problemática e a gente tem que lutar e fazer o máximo para que isso seja reparado e que melhore. E, pra isso também, tem que olhar pra si e ver o que tem de errado e não só o que o outro tem de errado”, finaliza sobre o assunto. O caso foi arquivado após a cantora fazer um acordo indenizatório com a vítima.

O documentário “Se Eu Fosse Luísa Sonza” é dividido em três episódios: “O Mundo é um moinho”, “Eu sou a minha pior hater” e “Escândalo íntimo”. Desde seu lançamento, ele ocupa o Top 1 da Netflix Brasil e Portugal.

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Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.