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Há 30 anos, Maria Bethânia cantou Roberto Carlos em disco recordista 

Lançado em 1993, álbum “As Canções Que Você Fez Pra Mim” se tornou um marco na carreira de sucessos da intérprete baiana 

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Com uma trajetória iluminada, Maria Bethânia mantém a força de seu canto que remove montanhas e move o mundo através das palavras
Maria Bethânia • Marcelo Gandra/Divulgação

O encontro de duas majestades da música brasileira. A Abelha-rainha e o Rei. Há 30 anos, Maria Bethânia, que ganhou o apelido graças à música “Mel”, de Wally Salomão e Caetano Veloso, dedicou um disco inteiro à obra de Roberto Carlos, coroado pelos milhões de fãs ao longo das décadas. 

“As Canções Que Você Fez Pra Mim” fez tanto sucesso que, num intervalo de meses, também em 1993, ganhou uma versão em espanhol. “Emoções”, “Fera Ferida”, “Detalhes” e outros clássicos atemporais entraram para o repertório, feito de parcerias com Erasmo Carlos. 

O álbum se tornou o mais vendido da carreira de Maria Bethânia, com mais de um milhão de cópias, superando “Álibi”, o recordista anterior. Era uma nova consagração da eterna Abelha-rainha da música brasileira. 

Nascida em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, Maria Bethânia começou a carreira em Salvador, levada pelo irmão Caetano Veloso a participar de espetáculos que uniam música e teatralidade, uma das marcas de sua personalidade artística.

Foi desta forma que Nara Leão a conheceu e, ao deixar o espetáculo “Opinião”, em que atuava ao lado de Zé Kéti e João do Vale, indicou a garota recém-entrada na maioridade para substituí-la. 

A interpretação arrebatadora de Bethânia para “Carcará” deixou a plateia carioca boquiaberta. Foi apenas o primeiro momento de glória de sua extensa carreira. Na sequência, ela dedicou um disco a Noel Rosa, e logo se viu em turnê com Vinicius de Moraes e Toquinho. 

Alheia a participar de movimentos musicais, Bethânia foi a única da trupe de baianos formada por Caetano, Gilberto Gil e Gal Costa a não aderir à Tropicália, embora tenha participado do grupo Doces Bárbaros, em 1976. A seara na qual ela sempre preferiu espraiar sua voz expansiva e grave foi a do romantismo. 

A partir de 1977, com “Pássaro da Manhã”, Bethânia intensificou sua parceria com o diretor Fauzi Arap, passando a entremear suas canções com a recitação de textos poéticos de Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Clarice Lispector e outros nomes de destaque da literatura brasileira. Mangueirense de coração, Bethânia foi homenageada pela escola com um samba-enredo, no ano de 2016. 

Entre os sucessos inesquecíveis da carreira de Maria Bethânia estão “Reconvexo”, “Sonho Meu”, “Gostoso Demais”, “Brincar de Viver”, “Grito de Alerta”, “Olhos nos Olhos” e tantas outras, numa coleção de clássicos intermináveis que conta com a assinatura de Caetano Veloso, Dona Ivone Lara, Dominguinhos, Guilherme Arantes, Gonzaguinha e Chico Buarque.

Com uma trajetória iluminada, Maria Bethânia mantém a força de seu canto que remove montanhas e move o mundo através das palavras, como uma autêntica Abelha-rainha da música brasileira.  


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