Fenômeno entre jovens, livro ‘Os 12 Signos de Valentina’ chega à Netflix

Em entrevista exclusiva para Itatiaia, autora brasileira relembra sua jornada até a adaptação da série

Ray Tavares, de 32 anos, autora do livro Os 12 Signos de Valentina

O audiovisual nacional segue em alta em 2026. Além do sucesso do cinema brasileiro, que vem ganhando destaque em premiações nacionais e internacionais, as séries nacionais também vivem um momento de forte expansão. Uma das grandes apostas do ano é a adaptação de Os 12 Signos de Valentina, livro de sucesso da autora paulistana Ray Tavares, que já está em fase de gravações em São Paulo, para a Netflix.

A produção foi anunciada pela plataforma de streaming em um evento realizado em dezembro do ano passado e marca mais uma aposta da Netflix em produções brasileiras voltadas ao público jovem-adulto.

Publicado originalmente em 2017, Os 12 Signos de Valentina acompanha a trajetória de Isadora, uma universitária de jornalismo da USP que, após descobrir uma traição dupla — do namorado de seis anos com a melhor amiga da faculdade — decide usar a astrologia como ponto de partida para entender seus relacionamentos.

A partir de um trabalho acadêmico, ela resolve se envolver com uma pessoa de cada signo do zodíaco para descobrir se a astrologia realmente interfere no amor. No meio do caminho, um personagem inesperado, o nerd Andrei, começa a ganhar espaço em seu coração.

Em entrevista exclusiva à Itatiaia, Ray Tavares, de 32 anos, celebrou o momento especial da carreira. Autora de sete livros publicados, ela também assina roteiros de séries como De Volta aos 15 (2ª e 3ª temporadas) e Acampamento de Magia para Jovens Bruxos, além de ter seu primeiro filme previsto para estrear ainda em 2026.

“Meu nome é Ray Tavares, tenho 32 anos, sou autora e roteirista. Hoje tenho sete livros publicados e três séries em que fui roteirista no ar. Ainda em 2026 sai meu primeiro filme e a série baseada no meu livro, Os 12 Signos de Valentina. Mas tudo começou nas fanfics de McFLY! Eu tinha 13 anos e uma imaginação muito fértil”, relembra.

Das fanfics ao mercado editorial

Ray conta que a decisão de transformar a escrita em profissão começou ainda na época do vestibular, quando buscava cursos que pudessem ajudá-la a aprimorar a narrativa. “Eu pensava em direito, jornalismo, editoração… tudo com a ideia de melhorar minha escrita. Mas ainda demorei uma graduação inteira e mais oito anos para largar tudo e investir de vez nessa carreira”, afirma.

A ideia de Os 12 Signos de Valentina surgiu quando a autora tinha 20 anos. Fã de astrologia e em transição das fanfics para histórias originais, ela não imaginava que a obra alcançaria tamanha repercussão. “Nunca imaginei que faria o sucesso que fez”, diz.

O caminho até a publicação, no entanto, foi marcado por dificuldades. Ray relembra golpes editoriais e promessas frustradas até a chegada da obra à Editora Record. “Foi uma montanha-russa. Cheguei a ir para a Bienal com leitores esperando por um livro que não existia. Quando eu estava prestes a desistir, a Record apareceu. Foram dois anos entre terminar a história e conseguir uma publicação adequada”, conta.

Uma história pessoal

Segundo a autora, a protagonista Isadora e outras personagens femininas do livro têm forte inspiração em sua própria juventude. “Esse livro é todo baseado na minha vida, nas minhas amigas da faculdade e em mim. É um retrato do tempo, dos meus 20 e poucos anos, em 2014 e 2015”, explica.

Receber a notícia da adaptação para a Netflix foi um momento de forte emoção. “Eu simplesmente comecei a chorar na frente de todo mundo. Foram muitos anos batendo na trave. É o maior sonho da minha vida”, relembra.

Ray também comentou sobre o desafio de adaptar uma obra própria, após já ter trabalhado como roteirista em adaptações de outros autores. “No De Volta aos 15, existe o cuidado de preservar a obra de outra escritora. No 12 Signos, vem a vontade de mudar tudo o que eu mudaria hoje, mais madura e com mais ferramentas de dramaturgia. São ansiedades diferentes.”

Atualização para novos tempos

Lançado em 2017, o livro precisou passar por atualizações para dialogar com o público atual. Para Ray, o processo foi prazeroso. “Foi divertidíssimo. Uma das partes mais gostosas. Agora a Isadora é videocaster”, conta, aos risos.

Sobre as expectativas para a série, a autora é direta: “Eu escrevo para entreter. Quero que o público se divirta, dê risada, se emocione e se identifique”.

Questionada sobre qual outra obra gostaria de adaptar para o audiovisual, Ray não hesita: “O Roteiro do Amor, como filme. Seria tudo”.

Por fim, ela deixa um conselho para quem sonha em seguir carreira no mercado editorial e audiovisual: “Tem que amar muito e insistir muito. É importante se organizar financeiramente antes de se jogar de cabeça. É um mercado difícil, instável e que exige paciência, mas, se é o seu sonho, estude e insista sempre”.

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Carol Caputo é publicitária, podcaster e estudante de Jornalismo na Universidade Estácio de Sá. É apaixonada por cultura pop - com foco nas produções do Leste Asiático

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