Entenda por que as protagonistas de Manoel Carlos se chamavam Helena

Autor que faleceu durante este sábado (10) foi marcado pelo nome recorrente de suas personagens

Manoel Carlos ao lado de Vera Fischer, uma de suas Helenas

Manoel Carlos foi um dos principais autores da teledramaturgia brasileira e fez história ao introduzir uma assinatura sua com o nome de suas protagonistas, as “Helenas”. Como característica, as personagens sempre demonstravam uma grande força para lidar com as piores situações.

Diferentemente do que muitas pessoas pensam, o nome não foi uma homenagem para alguma Helena de sua vida. O dramaturgo explicou o motivo de sua escolha no programa “Tributo a Manoel Carlos”, lançado no Globoplay em homenagem aos seus 91 anos.

Em depoimentos antigos do autor transmitidos pela produção, ele afirmou ter escolhido o nome por conta da mitologia que o cerca. “As pessoas realmente têm muita curiosidade de saber. Dizem ‘foi sua mãe, uma irmã, uma namorada, uma primeira mulher’. Nada disso. Helena é apenas um nome que eu acho mais apropriado a um personagem do que a uma pessoa real”, disse.

“Talvez porque eu sempre gostei de mitologia. A Helena mitológica é fantástica. E aquela história toda da Helena de Tróia ter sido uma mulher raptada, casada com o raptor, divorciada e voltou a viver com o marido depois de separar-se dele... Tudo isso me deu uma coisa, uma magia muito interessante, que me cativou muito”, explicou.

Ainda segundo o autor, suas protagonistas sempre foram mulheres infelizes no amor, mas, também, personagens que escondem um lado sombrio, sempre guardando um segredo das pessoas que lhes são mais próximas.

“Sempre achei e continuo achando que a mulher move o mundo. Na mulher está tudo. É mais fácil pra mim escrever sobre mulheres porque as mulheres falam as coisas. O homem não confessa que é traído. Uma mulher reúne as amigas dela, diz que o marido tem uma amante, e choram todas juntas”, acrescentou.

Relembre as Helenas das novelas de Manoel Carlos

A primeira atriz a protagonizar uma Helena de Manoel Carlos foi Lílian Lemmertz, na emblemática Baila Comigo, lançada em 1981. Na trama, Lilian é mãe dos irmãos Quinzinho e João Victor, estrelado por Tony Ramos, e precisa abandonar um dos filhos por conta de sua origem humilde.

Na obra Felicidade (1991), Maitê Proença recebeu o papel e viveu a trama de engravidar de Álvaro, figurado por Tony Ramos, da filha Bia (Tatyane Goulart) e vivencia confrontos a esposa do genitor, Débora, estrelada por Vivianne Pasmanter.

Em Histórias de Amor (1995), o autor contou com Regina Duarte para protagonizar a mãe de Joyce (Carla Marins), com quem vivia uma relação de amor e ódio. A personagem sofre também no amor com o médico Carlos, vivido por José Mayer.

Na novela Por Amor (1998), dessa vez com a atriz Regina Duarte, que engravida junto de sua filha, Eduarda (Gabriela Duarte). Na obra, as duas vão juntas para a maternidade e a filha perde o bebê. A mãe, em um gesto de amor, entrega o filho e diz que foi ela quem perdeu a criança.

Em Laços de Família (2000), a atriz Carolina Dieckmann é a mãe de Camila, que descobre ter leucemia. A solução para a doença é um transplante de medula óssea e, para isso, Helena engravida do genitor da filha, Pedro (José Mayer), para tentar ser uma doadora compatível.

Christiane Torloni protagonizou a obra Mulheres Apaixonadas (2003) e foi a sexta “Helena” de Manoel Carlos. No enredo, ela vive um casamento de 15 anos com Téo, que é mais uma participação de Tony Ramos nas obras de Maneco, e decide se separar para viver um novo amor.

Com Páginas da Vida (2006), Regina Duarte volta a viver a personagem, desta vez mãe de Clara, uma criança com síndrome de down que é rejeitada pela avó, Marta (Lilia Cabral).

Viver a Vida (2009) marca a primeira aparição de uma Helena mais jovem, vivida por Taís Araújo. Na novela, a modelo conhece Marcos (José Mayer) e se encanta com seu cavalheirismo, entretanto, ao longo da trama, encanta-se também por Bruno (Thiago Lacerda)

Sua última Helena foi na obra Em Família (2014), que marcou seu afastamento da produção de telenovelas. Na ocasião, a protagonista foi Julia Lemmertz, filha de Lilian Lemmertz, a primeira a interpretar a personagem. O enredo mostra uma leiloeira de personalidade forte, mas que sofre ao ver sua filha Luiza (Bruna Marquezine), namorar o flautista Laerte (Gabriel Braga Nunes).

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Autor faleceu durante este sábado (10)

O autor e diretor Manoel Carlos morreu na noite deste sábado (10), no Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pela família, que não informou a causa. Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde tratava a doença de Parkinson. Nos últimos anos, a doença afetou seu desenvolvimento motor e cognitivo.

“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, carinhosamente conhecido como Maneco, ocorrido hoje, aos 92 anos”, informou a família em nota publicada nas redes sociais.

Segundo o comunicado, o velório será fechado e restrito a familiares e amigos íntimos. A família agradeceu as manifestações de carinho feitas pelos fãs e pediu privacidade neste momento delicado.

*Com informações da CNN
(Sob supervisão de Rayllan Oliveira)

Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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