Manoel Carlos foi um dos principais autores da teledramaturgia brasileira e fez história ao introduzir uma assinatura sua com o nome de suas protagonistas, as “Helenas”. Como característica, as personagens sempre demonstravam uma grande força para lidar com as piores situações.
Diferentemente do que muitas pessoas pensam, o nome não foi uma homenagem para alguma Helena de sua vida. O dramaturgo explicou o motivo de sua escolha no programa “Tributo a Manoel Carlos”, lançado no Globoplay em homenagem aos seus 91 anos.
Em depoimentos antigos do autor transmitidos pela produção, ele afirmou ter escolhido o nome por conta da mitologia que o cerca. “As pessoas realmente têm muita curiosidade de saber. Dizem ‘foi sua mãe, uma irmã, uma namorada, uma primeira mulher’. Nada disso. Helena é apenas um nome que eu acho mais apropriado a um personagem do que a uma pessoa real”, disse.
“Talvez porque eu sempre gostei de mitologia. A Helena mitológica é fantástica. E aquela história toda da Helena de Tróia ter sido uma mulher raptada, casada com o raptor, divorciada e voltou a viver com o marido depois de separar-se dele... Tudo isso me deu uma coisa, uma magia muito interessante, que me cativou muito”, explicou.
Ainda segundo o autor, suas protagonistas sempre foram mulheres infelizes no amor, mas, também, personagens que escondem um lado sombrio, sempre guardando um segredo das pessoas que lhes são mais próximas.
“Sempre achei e continuo achando que a mulher move o mundo. Na mulher está tudo. É mais fácil pra mim escrever sobre mulheres porque as mulheres falam as coisas. O homem não confessa que é traído. Uma mulher reúne as amigas dela, diz que o marido tem uma amante, e choram todas juntas”, acrescentou.
Relembre as Helenas das novelas de Manoel Carlos
A primeira atriz a protagonizar uma Helena de Manoel Carlos foi Lílian Lemmertz, na emblemática Baila Comigo, lançada em 1981. Na trama, Lilian é mãe dos irmãos Quinzinho e João Victor, estrelado por Tony Ramos, e precisa abandonar um dos filhos por conta de sua origem humilde.
Na obra Felicidade (1991), Maitê Proença recebeu o papel e viveu a trama de engravidar de Álvaro, figurado por Tony Ramos, da filha Bia (Tatyane Goulart) e vivencia confrontos a esposa do genitor, Débora, estrelada por Vivianne Pasmanter.
Em Histórias de Amor (1995), o autor contou com Regina Duarte para protagonizar a mãe de Joyce (Carla Marins), com quem vivia uma relação de amor e ódio. A personagem sofre também no amor com o médico Carlos, vivido por José Mayer.
Na novela Por Amor (1998), dessa vez com a atriz Regina Duarte, que engravida junto de sua filha, Eduarda (Gabriela Duarte). Na obra, as duas vão juntas para a maternidade e a filha perde o bebê. A mãe, em um gesto de amor, entrega o filho e diz que foi ela quem perdeu a criança.
Em Laços de Família (2000), a atriz Carolina Dieckmann é a mãe de Camila, que descobre ter leucemia. A solução para a doença é um transplante de medula óssea e, para isso, Helena engravida do genitor da filha, Pedro (José Mayer), para tentar ser uma doadora compatível.
Christiane Torloni protagonizou a obra Mulheres Apaixonadas (2003) e foi a sexta “Helena” de Manoel Carlos. No enredo, ela vive um casamento de 15 anos com Téo, que é mais uma participação de Tony Ramos nas obras de Maneco, e decide se separar para viver um novo amor.
Com Páginas da Vida (2006), Regina Duarte volta a viver a personagem, desta vez mãe de Clara, uma criança com síndrome de down que é rejeitada pela avó, Marta (Lilia Cabral).
Viver a Vida (2009) marca a primeira aparição de uma Helena mais jovem, vivida por Taís Araújo. Na novela, a modelo conhece Marcos (José Mayer) e se encanta com seu cavalheirismo, entretanto, ao longo da trama, encanta-se também por Bruno (Thiago Lacerda)
Sua última Helena foi na obra Em Família (2014), que marcou seu afastamento da produção de telenovelas. Na ocasião, a protagonista foi Julia Lemmertz, filha de Lilian Lemmertz, a primeira a interpretar a personagem. O enredo mostra uma leiloeira de personalidade forte, mas que sofre ao ver sua filha Luiza (Bruna Marquezine), namorar o flautista Laerte (Gabriel Braga Nunes).
Autor faleceu durante este sábado (10)
O autor e diretor Manoel Carlos morreu na noite deste sábado (10), no Rio de Janeiro. A morte foi confirmada pela família, que não informou a causa. Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde tratava a doença de Parkinson. Nos últimos anos, a doença afetou seu desenvolvimento motor e cognitivo.
“É com profundo pesar que comunicamos o falecimento de Manoel Carlos Gonçalves de Almeida, carinhosamente conhecido como Maneco, ocorrido hoje, aos 92 anos”, informou a família em nota publicada nas redes sociais.
Segundo o comunicado, o velório será fechado e restrito a familiares e amigos íntimos. A família agradeceu as manifestações de carinho feitas pelos fãs e pediu privacidade neste momento delicado.
*Com informações da CNN
(Sob supervisão de Rayllan Oliveira)