Em missa de sétimo dia de Rita Lee, padre diz que Jesus também era ‘ovelha negra’
Cerimônia foi conduzida por Marcelo Leite, que elogiou as canções 'Mania de Você', 'Pagu' e ainda elegeu a sua favorita

Rita Lee era uma criança quando o pai a puxou de lado para fazer uma revelação bombástica. Ela acabara de ver uma luz riscar o céu, e acreditava ser Peter Pan. O pai, sóbrio, esclareceu que Peter Pan não existia, nem Coelhinho da Páscoa, tampouco Papai Noel, e muito menos Deus, diabo, inferno e céu. O que ela tinha acabado de ver, disse, era um disco-voador, sem alterar a expressão de seriedade.
Dentista, Charles Jones era aficionado por extraterrestres e em desbravar os mistérios da ufologia. Já a mãe, descendente de italianos, dona Romilda Padula, era “mais católica que o papa”, garantia Rita. Nesse cenário incomum, Rita misturou as duas crenças para criar uma fé única, própria, baseada num misticismo que unia fadas, duendes, gnomos, santas e santos.
Nesta terça (16), durante a missa de sétimo dia em homenagem à memória da artista, o padre Marcelo Leite também ultrapassou as convenções, como era do feitio da “Ovelha Negra” da música brasileira. A música lançada por Rita em 1975, um dos maiores sucessos de sua carreira, foi eleita pelo religioso como a sua preferida. E ele explicou porquê.
“Quem não tem uma ovelha negra na família? Jesus era a ovelha negra. O povo de Israel queria só saber dos milagres, dos prodígios, mas não queria saber da palavra. Não queriam entender o que aconteceu. E ele foi crucificado. Não é uma ovelha negra? É. É deixado de lado, é separado, não é compreendido”, declarou.
Noutro momento, o padre se dirigiu ao viúvo Roberto de Carvalho e fez questão de exaltar o amor matrimonial através da música “Mania de Você”, composta após um momento de encontro carnal vivenciado pelo casal.
“‘Mania de Você’, né, Roberto? Que vocês compuseram num momento até muito bom, num momento de felicidade, de conjugalidade. É algo importante, porque os casais de hoje não querem conjugar. E ‘Mania de Você’ é isso. Essa conjugalidade tão necessária para os casais. Porque parece que é só num momento, mas é sempre, todo dia”, exaltou o padre.
A música “Pagu”, alçada ao posto de hino feminista, também foi destacada. Parceria com Zélia Duncan, a canção ataca um dos mais nefastos episódios da história da Igreja Católica: a Inquisição que matou diversas mulheres sob o pretexto de serem bruxas.
“A Rita tinha consciência do que era ser mulher. Do que era valorizar a mulher. Porque ela era forte. Uma mulher que soube entender, no seu tempo, qual era sua missão”, finalizou.
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