Defensora da causa animal, Rita Lee escreveu livros infantis sobre o assunto
Uma de suas últimas publicações dedicada às crianças foi 'Amiga Ursa: Uma História Triste, mas com Final Feliz', lançada em 2019

Ao enfrentar policiais militares durante o último show de sua carreira, Rita Lee procurou ofendê-los chamando-os de “cachorros”. Mas logo se desculpou: “Coitados dos cachorros”, corrigiu-se. Defensora da causa animal, a cantora abordou o tema quando ele estava longe de ser unanimidade nas rodas de conversa mais esclarecidas da cidade, e não foi como intelectual que ela decidiu enveredar por esse caminho, mas com sua habitual conquista do público, e, desta vez, focada nas crianças.
Em 1986, Rita estreou no gênero com “Dr. Alex”, a saga de um ratinho cheio de preceitos ambientalistas, que se desdobraria em outros três livros que abordavam a importância de se preservar e respeitar o meio-ambiente, denunciavam os maus-tratos aos animais e combatiam a mineração, práticas hoje reconhecidas como principais causadoras do superaquecimento global do planeta, que tem provocado intensos desequilíbrios climáticos. O ratinho era inspirado em seu pai, que, apesar de dentista, gostava de explorar óvnis e tinha propensões a ser um cientista na visão da filha.
Essa postura ambientalmente aguerrida de Rita se revelou, por exemplo, na recusa da cantora em participar de exposições agropecuárias. Ela só foi convencida a subir nesse tipo de palco uma única vez na carreira, quando o prefeito da ocasião havia sancionado uma lei que proibia os maus-tratos aos animais, e ela pôde constatar com os próprios olhos essa realidade, diante de bois que recebiam o ar fresco de ventiladores direto nas ventas, aliviando o calor local.
Outro encontro que a marcou foi com Rowena, conhecida como “a ursa mais triste do mundo”. A experiência resultou na última publicação literária de Rita dedicada aos pequenos: “Amiga Ursa: Uma História Triste, mas com Final Feliz”, publicada em 2019. Pouco antes, Rita visitou a ursa no santuário onde ela passou a viver, em São Paulo, depois de ser resgatada. Durante décadas, a ursa foi explorada em um circo, até ser salva pelo Ibama. Por essas coincidências da vida e do destino, a ursa morreu um mês após a visita de Rita, mas já parecia bem mais feliz. Agora, talvez, elas estejam juntas novamente.
