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De Caetano a Gilberto Gil: Relembre músicas que falam sobre Rita Lee 

Cantora paulista foi homenageada pelos maiores compositores da MPB, como Chico Buarque, Jorge Ben Jor e Itamar Assumpção 

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Gilberto Gil compôs em homenagem a Rita Lee a música 'Quando', ao lado de Caetano e Gal, lançada em 1976 pelos Doces Bárbaros
Gilberto Gil compôs em homenagem a Rita Lee a música 'Quando', ao lado de Caetano e Gal, lançada em 1976 pelos Doces Bárbaros • Instagram/Reprodução

Rita Lee foi uma personagem da música brasileira, literalmente. Tanto que aparece em versos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Itamar Assumpção e até Gal Costa, num raro atrevimento da cantora pelo terreno da composição. O estilo criativo e único de Rita Lee, sua tendência para a novidade e a independência diante de limites impostos respondem por parte do encanto que ela provocava, se tornando síntese de um comportamento de liberdade e libertação. 

“Rita Jeep” (samba-rock, 1971) - Jorge Ben Jor

Jorge Duílio Lima Meneses, o popular Jorge Ben Jor, nasceu no dia 22 de março de 1939, no Rio de Janeiro, e provocou uma verdadeira revolução na música brasileira ao surgir, em 1963, com o disco “Samba Esquema Novo”, que apresentava a todo o país a sua maneira particular de cantar e tocar ao violão. O estilo único de Jorge Ben Jor rendeu ao Brasil músicas de sucesso como “País Tropical”, “Que Maravilha”, “Mas Que Nada”, “O Telefone Tocou Novamente”, “Charles Anjo 45”, entre tantas outras. E ele também realizou duetos de sucesso com Caetano Veloso, Tim Maia, Gilberto Gil, Ivete Sangalo. E, em 1971, ele saudou Rita Lee com o samba-rock “Rita Jeep”. 


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“Quando” (tropicalista, 1976) - Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil

Pela primeira vez, Adriana Calcanhotto escapou da sombra que toda família encarna e começou a ouvir, por contra própria, aquela trupe de cabeludos e cabeludas hippies, professando o amor livre com muita libido e vitalidade, em figurinos tão exuberantes que ultrapassavam as fronteiras entre homens e mulheres binárias. Era a descoberta do grupo Os Doces Bárbaros, formado por Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gilberto Gil e Gal Costa, em 1976. Em seu show em homenagem a Gal, Adriana canta “Quando”, uma rara parceria de Caetano, Gil e Gal, que, além desta, só assina mais uma canção, composta em inglês com Jards Macalé e Lanny Gordin. “Quando” presta homenagem a Rita Lee, descrita nos versos como uma menina “mutante, bonita, solta, decidida, cheia de vida”. 


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“Sampa” (samba, 1978) - Caetano Veloso

Mal recebido pela crítica, o disco “Muito (Dentro da Estrela Azulada)” apresentou futuros clássicos da obra de Caetano Veloso, reforçando seu folclórico embate com os formadores de opinião. Dentre eles, estava “Sampa”, encomendada a Caetano na forma de depoimento para um programa de TV de São Paulo, que ele resolveu conceber como música. Composta em poucos minutos, a canção foi a última incluída no álbum. Com várias referências a ícones da cidade, Caetano passeia pela poesia concretista dos irmãos Haroldo e Augusto de Campos, pela canção “Ronda”, de Paulo Vanzolini e, claro, não deixa de citar Rita Lee, que ele define como “a tua mais completa tradução”. São Paulo, para Caetano, é uma cidade deselegante e concreta, símbolo “da força da grana que ergue e destrói coisas belas”. 


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“Mulher” (balada, 1986) - Geraldo Azevedo e Neila Tavares

Geraldo Azevedo nasceu em Petrolina, interior de Pernambuco, no dia 11 de janeiro de 1945. O garoto cresceu às margens do Rio São Francisco e, desde cedo, se interessou pela música, com o incentivo da mãe, professora que promovia eventos culturais na cidade, e do pai, que foi quem lhe deu o primeiro violão. Rapidamente, Geraldo começou a se apresentar nas rádios da cidade, até que se muda para Recife, para se preparar para a faculdade de arquitetura. Já morando no Rio de Janeiro, Geraldo lançou, em 1986, a balada “Mulher”, parceria com a atriz e jornalista Neila Tavares, que diz: “Sou Janis Joplin drogada, eu sou Rita Lee/Sou a mulher da rua”, citando ainda Leila Diniz, Elis Regina, Cora Coralina, Adélia Prado e outras mulheres de garra. 


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“Paratodos” (MPB, 1993) – Chico Buarque

Não há exemplo maior de riqueza e diversidade cultural do Brasil do que a música “Paratodos”, lançada no disco homônimo de Chico Buarque, em 1993. E não é por acaso. Chico carrega a herança desde o pai, o historiador Sérgio Buarque de Hollanda, que cunhou o controverso termo “homem cordial” para o brasileiro, mas é, sobretudo, por sua arte que o compositor se destaca nessa seara. Chico é capaz de reforçar a tradição sem perder o olhar para o contemporâneo. Se há no Brasil muitas culturas diferentes, é essa a sua maior riqueza: “O meu pai era paulista, meu avô pernambucano, o meu bisavô mineiro, meu tataravô baiano, meu maestro soberano, foi Antônio Brasileiro…”. Ele também cita Rita Lee, ao lado de Nara, Gal, Bethânia, Clara Nunes e outras grandes cantoras da música brasileira. 


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“Venha Até São Paulo” (vanguarda, 1993) - Itamar Assumpção

Para o crítico musical Hugo Sukman, “a música de Itamar Assumpção explode originalidade”. “Ele revela um mundo que, por incrível que pareça, dada a riqueza da música brasileira, não havia sido nos mostrado”, aponta. Segundo Sukman, a produção de Itamar se fia nas experiências do “negro urbano, de classe média”. “Ele faz isso dentro da tradição da canção brasileira”, diz. A denúncia ao racismo, que surge em “Cabelo Duro”, “Pretobras” e outras, é “feita com altivez”. “Itamar é a voz de uma população que ascendeu socialmente e chegou à universidade. Ele fala de igual pra igual. Nesse sentido, o comparo ao Gilberto Gil”, observa Sukman. Em 1993, Itamar lançou “Venha Até São Paulo”, em que apresenta Rita Lee como um dos grandes achados da cidade. Rita, inclusive, participa da faixa.


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