Com 406 livros, mineiro José Humberto Henriques quer concorrer ao Nobel
Iniciativa da Academia de Letras do Triângulo Mineiro pretende indicar o nome do médico e escritor ao mais cobiçado prêmio

Foi em um lugar mágico, cercado pela natureza e em contato direto com as sutilezas do mundo que José Humberto Henriques cresceu e formou a sua visão das coisas. Integrante da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, o médico e cardiologista busca auscultar o coração humano também através da literatura.
“A medicina ajuda a compreender o comportamento humano, tanto os defeitos quanto as qualidades. Trabalhei com genética molecular na Universidade de São Paulo, e isso me abriu perspectivas que me consagraram como um escritor diferenciado”, pontua ele, que não se exime de construir uma obra de vanguarda, com “livros que não são fáceis, mas compensadores”.
Nascido em Brejo Bonito, município de Cruzeiro da Fortaleza, em Minas Gerais, José Humberto tem sonhos de grandeza, que, como a literatura, não enxergam limites para o desejo. Por iniciativa da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, notadamente do crítico literário Guido Bilharinho, ele pleiteia ser indicado ao Nobel de Literatura, cobiçado prêmio que o Brasil jamais faturou em nenhuma categoria. Foi criado, inclusive, um comitê para ampliar a divulgação da ideia.
Para tanto, José Humberto apresenta seus números. Até outro dia havia escrito e publicado 404 livros. Mas, agora, a informação precisa ser corrigida: já são 406. “Você se atrasou em uma semana”, brinca. Até o final do ano, ele pretende colocar no prelo mais duas obras.
O trabalho de sua vida, que ele descreve como “árduo”, não tem preconceitos quanto a gêneros: contempla romance, poesia, ensaio, crônica, conto e dramaturgia. “Ideias não faltam”, sustenta. Até porque as personagens pululam. Basta sentar em um botequim para tomar café que “elas vão surgindo, e a gente trabalha sobre elas”, conta ele, que se define como um observador atento, de “olhar arguto”.
A influência das Minas Gerais também marca seu ofício. Ela está no cenário que o leva de volta a Brejo Bonito, um lugar de nome por si só literário, “que sempre foi muito espectral para mim”, arremata. Atualmente, ele mora em Uberaba.
Raduan Nassar, que só escreveu três livros durante a vida toda, venceu os prêmios Camões, Jabuti e APCA. José Humberto, com seus 406 e mais dois a caminho, almeja mais. Ele quer o Nobel com que o Brasil ainda sonha.
