Cirurgia que salvou mobilidade de Vera Fischer: quando ela é necessária?
Vera Fisher passou por uma artroplastia total de joelho; médico explica se salto alto pode ter sido o responsável

A atriz Vera Fischer, de 74 anos, comentou que fez uma artroplastia total de joelho após risco de perder a mobilidade. Em relato nas redes sociais, a ex-global explicou que enfrentou um período "muito difícil" e que decidiu vivê-lo em silêncio para não transformar sua "recuperação em notícia".
Frederico Ferreira, especialista em cirurgia do joelho e trauma ortopédico, explica como o procedimento funciona. "A artroplastia total de joelho é uma cirurgia indicada para substituir a articulação do joelho que foi gravemente comprometida por doenças como a osteoartrite (artrose), artrite reumatoide ou sequelas de traumas", diz em entrevista à Itatiaia.
"Durante o procedimento, as superfícies desgastadas da articulação são removidas e substituídas por componentes metálicos e de polietileno, um material plástico de alta resistência, que reproduzem o funcionamento do joelho. O principal objetivo da cirurgia é aliviar a dor, restaurar a função da articulação e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente. Atualmente, trata-se de um procedimento altamente seguro, com excelentes taxas de sucesso quando há indicação correta, técnica cirúrgica adequada e comprometimento do paciente com a reabilitação", acrescenta.
Conforme o médico, a "indicação da artroplastia total de joelho não depende apenas da idade ou dos achados em exames de imagem, mas principalmente do impacto que a doença provoca na vida da pessoa".
"Geralmente, ela é recomendada quando existe um desgaste avançado da articulação, acompanhado de dor intensa, limitação importante dos movimentos, dificuldade para caminhar, subir escadas ou realizar atividades do dia a dia, e quando os tratamentos conservadores — como fisioterapia, fortalecimento muscular, controle do peso, medicamentos e infiltrações — já não proporcionam alívio satisfatório. O objetivo é devolver independência e qualidade de vida ao paciente, reduzindo a dor e permitindo que ele retome suas atividades com maior conforto", esclarece.
Recuperação
O médico destaca que o pós-operatório depende do paciente. "A recuperação costuma evoluir muito bem quando o paciente segue corretamente as orientações médicas. Hoje existem protocolos modernos de recuperação acelerada, que permitem que muitos pacientes fiquem em pé e iniciem a caminhada poucas horas após a cirurgia, sempre com acompanhamento da equipe de fisioterapia."
"Nas primeiras semanas, é esperado algum grau de dor, inchaço e limitação de movimentos, mas esses sintomas tendem a diminuir progressivamente. A fisioterapia é um dos pilares do sucesso da cirurgia, pois ajuda a recuperar a mobilidade, fortalecer a musculatura e restaurar a função do joelho. Além disso, é importante utilizar corretamente os medicamentos prescritos, manter os curativos conforme orientação, prevenir trombose com medidas indicadas pelo cirurgião, controlar doenças como diabetes e hipertensão e respeitar o tempo de recuperação antes de retomar atividades mais intensas. A participação ativa do paciente na reabilitação influencia diretamente os resultados finais", completa.
Uso de salto alto
Vera Fischer sugeriu que o uso de salto alto pode ter contribuído para o desgaste do joelho, no entanto, o médico ressalta que "essa relação não é tão simples".
"A artrose é uma doença multifatorial, resultado da combinação de fatores como envelhecimento, predisposição genética, excesso de peso, lesões prévias, alterações no alinhamento dos membros inferiores e sobrecarga repetitiva ao longo da vida. O uso frequente de saltos muito altos modifica a biomecânica da marcha, aumenta a carga sobre algumas estruturas do joelho e pode favorecer dores e sobrecarga articular, especialmente em pessoas predispostas. No entanto, não existe evidência científica consistente de que o salto alto, isoladamente, seja responsável por causar um desgaste grave da articulação", esclarece.
"Para reduzir esse impacto, recomenda-se evitar o uso prolongado de saltos muito elevados, alternar com calçados confortáveis e estáveis, fortalecer a musculatura das pernas, manter um peso saudável e praticar atividades físicas orientadas, que ajudam a proteger as articulações e melhorar a estabilidade do joelho", continua.
Dor no joelho acende alerta
O médico comentou, ainda, que "muitas pessoas acreditam que conviver com dor intensa no joelho faz parte do envelhecimento, quando isso não é verdade".
"A dor persistente deve sempre ser investigada, pois existem diversas opções de tratamento capazes de aliviar os sintomas e retardar a progressão da doença antes que a cirurgia seja necessária. Da mesma forma, quando a artroplastia está corretamente indicada, ela não deve ser encarada como um último recurso a ser adiado indefinidamente. Esperar tempo demais pode levar à perda de força muscular, piora das deformidades e redução da capacidade funcional, dificultando a recuperação. O mais importante é realizar uma avaliação individualizada com um ortopedista especialista em joelho para definir o momento mais adequado e o tratamento que melhor atenda às necessidades de cada paciente", conclui.
Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.



