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Carlos Lyra completa 90 anos; Relembre sucessos do compositor

Ligado à bossa nova, o músico também se filiou à canção de protesto e teve canções gravadas por Nara Leão e Bethânia

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Carlos Lyra chega aos 90 anos como um dos mais inspirados melodistas da música brasileira, admirado por João Gilberto e Tom Jobim
Carlos Lyra morreu aos 90 anos, na madrugada deste sábado (16), no Rio de Janeiro • Kaka B.M. & Café Braga/Divulgação

Carlos Lyra nasceu no dia 11 de maio de 1933, no Rio de Janeiro, e logo se tornou um dos mais proeminentes compositores da bossa nova, convivendo com nomes de peso como João Gilberto e Tom Jobim, que, humildemente, o reputava como o principal melodista do movimento.

De fato, o talento de Lyra é inegável. Pouco após o florescer da bossa, ele se envolveu também com a canção de protesto, através de parcerias com Gianfrancesco Guarnieri e ao compor, com Vinicius de Moraes, a trilha sonora do musical “Pobre Menina Rica”, montado um ano antes do golpe militar que instaurou a ditadura no Brasil.

Filiado à União Nacional dos Estudantes (UNE), Carlos Lyra foi um dos fundadores do Centro Popular de Cultura (CPC). Entre seus maiores sucessos, destacam-se “Marcha da Quarta-Feira de Cinzas”, “Minha Namorada” e “Primavera”. 

“Marcha da Quarta-Feira de Cinzas” (marcha-rancho, 1963) – Vinicius de Moraes e Carlos Lyra

Um ano antes de a ditadura militar se instalar no Brasil, Vinicius de Moraes e Carlos Lyra compuseram a “Marcha da Quarta-Feira de Cinzas”, como pressentindo aqueles tempos sombrios. Mas a canção, ao contrário de se entregar à tristeza pelo fim da folia típica da quarta-feira, apostava numa mensagem de esperança: “E, no entanto, é preciso cantar/ Mais que nunca é preciso cantar/ É preciso cantar e alegrar a cidade...”.

Os versos inspirados de Vinicius de Moraes receberam uma melodia igualmente contagiante e comovente de Carlos Lyra. A música foi lançada em 1963, por Jorge Goulart, e gravada por Nara Leão em 1964, na versão que ficou mais conhecida, quando os militares já estavam no poder. Elis Regina, Jair Rodrigues e Joyce também a gravaram. 

“Minha Namorada” (bossa nova, 1965) – Vinicius de Moraes e Carlos Lyra

Considerada por Elis Regina “a maior cantada da música brasileira”, a composição de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra faz jus ao entendimento da cantora, que assistiu ao registro feito por Jair Rodrigues durante o programa “O Fino da Bossa”, apresentado pela dupla na rede Record nos anos 1960. “Se você quer ser minha namorada/ah, que linda namorada/você poderia ser/ (…) e também de não perder esse jeitinho/de falar devagarinho/essas histórias de você”. E a música foi regravada, com êxito, por Maria Creuza, Maria Bethânia e Mart'nália.

“Primavera” (canção, 1965) – Vinicius de Moraes e Carlos Lyra

“Oi, gente, eu sou aquela menina ‘bicona’ do disco ‘O Som da Pilantragem’... vocês se lembram? Pois é, agora que todo mundo ‘tá na minha’... uma amostrinha do ‘Pila n.º 2’... uma faixa ‘da pesada’: ‘Tem Dó’...”. É a própria Regininha quem se apresenta, com essas palavras descoladas, na capa do compacto simples “Apresentando Regininha”, lançado pela Polydor em 1968.

“Claro que a ‘Turma da Pila’ tá toda aí, bem como o nosso ‘chefe’ supremo, Nonato Buzar, amém! Ah, outra coisa: o meu LP já vem por aí. O título?... ‘Me Ajuda Que a Voz Não Dá’... Tá? ‘Bye’!...”, continua ela no encarte. O título é uma referência bem-humorada a uma frase que Regininha soltou durante a gravação de “Primavera”, a bonita música de Carlos Lyra e Vinicius de Moraes.