Ana Paula cai no choro ao se lembrar do pai em briga com Luciano Huck
Ana Paula Renault discordou de Luciano Huck ao falar sobre o 'Bolsa Família'

Ana Paula Renault se emocionou após se recordar do pai, Gerardo Renault, que morreu enquanto ela estava no BBB 26, ao rebater Luciano Huck sobre o Bolsa Família. A campeã do reality show explicou que foi o pai dela quem a mostrou dados sobre o programa assistencial.
"Eu não tô aguentando, porque é o seguinte: quem me mostrou essa pesquisa, que os filhos do Bolsa Família não dependem do Bolsa Família, foi meu pai. O que vai ser de mim, gente?", disse ela, aos prantos.
Em seguida, Ana Paula compartilhou com o público que o pai separava notícias de jornais para que a filha, além de amigos, pudessem ler.
"Eu chegava lá, estava um tanto recorte de jornal pra eu ler, ficar sabendo, pra eu me inteirar... Ele era essa pessoa. Ah, e outra, ele não fazia recorte de jornal só pra mim, não. Dava recorte de jornal para todo mundo, para minhas amigas, para todo mundo que ele lembrava, sabe?", afirmou.
Segundo Ana, o pai mencionava o nome das pessoas para quem ela devia entregar o recorte de jornal. "Ele recortava e falava: 'Ana, entrega pra fulano. Põe o nome aqui, quando ele chegar, quando ele vier aqui em casa, você entrega'. É isso, gente. Eu quero ser essa pessoa", concluiu.
Briga com Huck
Sem citar Luciano Huck, Ana Paula Renault detonou o discurso do apresentador da Globo sobre o Bolsa Família em vídeo publicado nesse domingo (24). Pouco depois, ele se manifestou, dizendo que suas falas foram "tiradas de contexto".
Durante um evento, Luciano Huck definiu o Bolsa Família como "ineficiente". “Você não gera nenhum tipo de estímulo para que as famílias queiram sair do Bolsa Família. Na verdade, elas criam um monte de atalhos para conseguir ficar num programa de distribuição de renda e proteção social”, disparou.
Após a repercussão, Ana Paula postou um vídeo rebatendo o global. "O Bolsa Família talvez seja uma das políticas públicas mais mal interpretadas do Brasil. Durante anos, repetiram a ideia cruel de que o brasileiro recebe o benefício e 'se acomoda'. Mas os dados contam outra história", iniciou.
"Um estudo da FGV mostrou que, em dez anos, mais de 60% dos beneficiários conseguiram deixar o Bolsa Família. Entre os jovens que eram adolescentes quando recebiam o benefício, esse número passa de 70%, gente. Ou seja: os filhos do Bolsa Família, em grande parte, não continuam no Bolsa Família. E você pode pesquisar isso, viu? Digite 'filhos do Bolsa Família' e aprenda por você mesma", seguiu.
"E se a maioria dos filhos do Bolsa Família deixa de depender do programa, isso não é fracasso. Isso é exatamente o que uma política pública séria deve fazer: impedir que a pobreza vire herança. O Bolsa Família não existe para substituir o trabalho. Ele existe para garantir o mínimo enquanto a vida tenta se reorganizar. Para manter a criança na escola, para garantir vacina, para garantir o pré-natal, para que uma mãe não precise escolher entre trabalhar ou mandar o filho para estudar, entendeu?", defendeu.
Ana Paula prosseguiu: "O debate honesto não é se o beneficiário do Bolsa Família trabalha. O debate honesto é por que tanta gente trabalha, se esforça, cuida de filho, atravessa a cidade, pega informalidade, aceita subemprego e, ainda assim, continua pobre."
"O Bolsa Família é de 600 reais. Você sabe o valor de uma cesta básica? Como se alguém escolhesse viver com o mínimo. Como se a fome fosse um projeto de vida. Como se a vulnerabilidade fosse preguiça. O benefício não é prêmio por pobreza. É uma ponte. E ponte não é lugar de moradia, é lugar de passagem", pontuou.
"Criticar o Bolsa Família como se ele produzisse acomodação é ignorar as evidências, ignorar a desigualdade e, sobretudo, ignorar o Brasil real. O Brasil não precisa de menos proteção social. Precisa é de mais escola, mais emprego decente, mais qualificação, mais creche, mais oportunidade e menos preconceito fantasiado de opinião econômica. Porque quando uma política pública ajuda uma geração a não repetir a miséria da anterior, não está criando dependência. Está criando é futuro", encerrou.
Luciano Huck se defende
Depois da polêmica, Luciano Huck veio a público se manifestar. "Eu tive uma fala num evento fechado, tá? Fora do Domingão, não era nas minhas redes sociais, não foi uma entrevista que eu dei. E um trecho dessa fala acabou circulando meio fora de contexto. Em alguns cortes, dá a entender que eu seria contra programas de proteção social. Isso não é verdade. Eu sou a favor de políticas de proteção social que ajudam milhões e milhões de brasileiros."
"O que eu defendo é que esses programas sejam constantemente aperfeiçoados. Num mundo com inteligência artificial, num mundo com muita tecnologia, com muitos dados, sabe? Que a gente tenha eficiência no resultado. A tecnologia hoje nos permite entender a realidade de cada família, individualizar esses programas. Os recursos vão chegar ainda mais eficientes a quem realmente precisa, para evitar corrupção, para evitar gasto indesejado", continuou.
O apresentador, então, concluiu: "A proteção social é fundamental, mas ela precisa caminhar junto com educação de qualidade, com geração de oportunidade, com direito de escolha. Sabe, o objetivo é apoiar quem precisa hoje, mas também criar caminhos para que essas famílias possam ter autonomia no futuro."
Patrícia Marques é jornalista e especialista em publicidade e marketing. Já atuou com cobertura de reality shows no ‶NaTelinha” e na agência de notícias da Associação Mineira de Rádio e Televisão (Amirt). Atualmente, cobre a editoria de entretenimento na Itatiaia.



