Fernanda Torres revê ‘preconceito contra crente’ no Roda Viva

Atriz conhecida por papéis em ‘Os Normais’ e ‘Tapas & Beijos’ relembrou declaração polêmica

Fernanda Torres durante participação no ‘Roda Viva’, em janeiro de 2024

Primeira convidada do Roda Viva, da TV Cultura, em 2024, Fernanda Torres relembrou outra participação no programa, há mais de 25 anos. Na ocasião, em trecho relembrado até hoje através das redes sociais, a atriz afirmou ter “preconceito contra crente”.

Durante o Roda Viva gravado em 1997, citado pela atriz na fala sobre igrejas evangélicas, a artista foi questionada sobre os próprios preconceitos. “Contra crente. Crente ingênuo, que acredita no bem, no mal. Que a vida não é dialética. Não é preconceito a ponto de eu não falar. Eu tenho pena de quem é crente na vida, porque vai apanhar muito”, respondeu Fernanda.

A declaração foi relembrada em 2024, após a atriz é questionada pela repórter Rita Lisauskas, do Estado de S. Paulo, sobre duas das personagens mais marcantes da carreira: Vani, de “Os Normais"; e Fátima, de “Tapas & Beijos”. Em resposta, ela definiu que os personagens da primeira série “tem uma liberdade que os jovens não tem mais”.

A atriz afirma que, na sua juventude, “o ruim era proibir”. “O mundo mudou muito desde a última vez que saí. O que antes era uma droga libertária, virou uma indústria armamentista. De repente, o morro se armou e o consumo passou a ser uma coisa meio alienada, de uma classe privilegiada e libertária às custas [da mais pobre]”.

No contexto, Fernanda destacou a forte presença de igrejas evangélicas dentro das comunidades. “Eu dizia que não gostava de crente. Jamais repetiria isso hoje. Os evangélicos ocuparam um lugar que o estado não ocupou. Eu acho triste que demonizem as religiões de matriz africana, acho uma coisa triste no Brasil e, lutaria por um culto evangélico que fosse sincretista”, destacou.

“Não é que o mundo ficou mais careta. O mundo ficou mais violento, mais argentário, menos utópico. O mundo está lidando com coisas mais [complexas]”, destacou a atriz. “Eu acho que quem está meio perdido hoje é esse branco libertário, são pessoas como eu”, acrescenta.

Fernanda encerrou a fala com elogios ao podcast “Mano a Mano”, comandado por Mano Brown. “O problema é que o intelectual branco antes ele era o porta-voz do povo, ele era livre, superior e o porta-voz do povo… e hoje, o povo fala por si. Eu ouço aquele programa como educação”, completou a artista.

Maria Clara Lacerda é jornalista formada pela PUC Minas e apaixonada por contar histórias. Na Rádio de Minas desde 2021, é repórter de entretenimento, com foco em cultura pop e gastronomia.


Ouvindo...