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Relembre músicas que embalaram as discotecas no Brasil e no mundo

Na década de 1970, o estilo chegou ao auge graças a sucessos de Irene Cara, Cyndi Lauper, As Frenéticas, Tim Maia, dentre outros

As Frenéticas botaram as pistas de dança pra ferver na década de 1970, com hits como ‘Dancin’ Days’ e ‘Perigosa’

Na década de 1970, as pistas ferviam em todo mundo, no embalo de sucessos de Irene Cara, Donna Summer, Cyndi Lauper, Abba, Candi Staton, Gloria Gaynor, Bee Gees, e muitos outros. No Brasil, não foi diferente. Pouco habituado à música de discoteca, o país assistiu ao pioneirismo de um grupo formado pelas garçonetes de uma danceteria, que rapidamente caiu no gosto do público: As Frenéticas, uma iniciativa do jornalista e produtor musical Nelson Motta. Na sequência, novos nomes invadiram as pistas, como a dançarina Gretchen e a cantora Miss Lene, e outros artistas também investiram no estilo, caso de Rita Lee. Se você estiver buscando música quente, o cardápio é esse!

“Dancin’ Days” (música disco, 1978) – Nelson Motta e Ruban

As Frenéticas foi um grupo formado pelo jornalista e compositor Nelson Motta, que acabara de inaugurar uma casa de espetáculos e teve a ideia de contratar garçonetes que, no meio da noite, subiriam ao palco para cantar. O projeto deu tão certo que elas rapidamente se tornaram uma febre nacional. No período da invasão da música disco no Brasil, o grupo também trazia um discurso feminista, de liberação do prazer e da sexualidade feminina, sem grilos nem dores de cabeça. É esse discurso que contamina toda a melodia e a letra da canção “Dancin’ Days”, parceria com Ruban inspirada na discoteca que Nelson Motta empreendeu em fins da década de 1970 e que virou palco das noitadas...

“Flashdance... What a Feeling” (música disco, 1983) – Giorgio Moroder e Keith Forsey

A música começa lentamente, até que toma todo o corpo como uma dança irresistível. “Flashdance”, lançada por Irene Cara em 1983, se tornou um hit absoluto das discotecas pelo mundo afora, e alçou sua cantora ao posto de uma das mais conhecidas do planeta. Tanto que, graças a essa música, ela arrebatou o Oscar de melhor canção e ainda venceu o Grammy na categoria melhor vocal feminino, no ano seguinte. De Lambuja, ganhou também o Globo de Ouro pela melhor canção original. É por essas e outras que “Flashdance” segue embalando corações e sacudindo quadris anos após o seu lançamento...

“O Descobridor dos Sete Mares” (música disco, 1983) – Michel e Gilson Mendonça

Mais grave, mais agudo, mais eco, mais retorno, mais tudo! Polêmico, excessivo e irreverente, Tim Maia costumava subir ao palco exigindo sempre um pouco mais do som, da plateia, dos músicos, porque ele nunca estava satisfeito. Além do talento musical, Tim também foi um prodígio em frases célebres, como: “Não bebo, não fumo e não cheiro. Só minto um pouquinho de vez em quando”. Durante o seu flerte com a música de discoteca, ele alcançou um estrondoso sucesso com a animada “O Descobridor dos Sete Mares”, de Michel e Gilson Mendonça. E muita gente ainda pensa que a música é de Tim.

“MacArthur Park” (canção, 1968) – Jimmy Webb

Richard Harris lançou a canção “MacArthur Park”, de Jimmy Webb, em 1968, e alcançou o segundo lugar na parada de sucessos. Parecia que a canção não podia alçar voos mais altos do que este, até que, uma década mais tarde, em 1978, Donna Summer a tomou para si, com um arranjo disco que se sintonizava com o estilo propagado pela cantora, a rainha das discotecas. Graças a esse relançamento, “MacArthur Park” chegou ao topo das paradas de sucesso, alcançando o primeiro lugar e ficando para sempre associada ao repertório de Donna Summer. A faixa entrou para o rol dos clássicos mundiais.

“A Noite Vai Chegar” (música disco, 1977) – Paulinho Camargo

Zuleide Santos Silva, mais conhecida como Lady Zu, nasceu no dia 7 de maio de 1958. Lady Zu é um desses casos que conheceu o sucesso logo de cara. Depois de vencer um concurso musical em sua escola, ela se tornou conhecida em todo o Brasil quando, em 1977, no embalo da música disco, sacudiu as discotecas de todo o Brasil com “A Noite Vai Chegar”, um sucesso atemporal. A música vendeu mais de um milhão de cópias e a consagrou definitivamente. Quem não obteve o mesmo reconhecimento foi o compositor Paulinho Camargo. Apesar disso, “A Noite Vai Chegar” o financiou com direitos autorais.

“Dancing Queen” (música disco, 1976) – Benny Andersson, Stig Anderson e Björn Ulvaeus

Da Suécia vem um dos grupos de maior sucesso de todos os tempos. Pode-se dizer que o Abba soube, como ninguém, decifrar e recodificar os elementos da música pop e traduzi-los numa produção de excelente qualidade. Um dos carros-chefes do conjunto é a canção “Dancing Queen”, que impacta logo de cara, com um arranjo expressivo e dançante que favorece o canto límpido de suas vocalistas. O restante da canção foi feito pelos garotos da trupe. Lançada em 1976, “Dancing Queen” foi um grande hit do álbum “Arrival”, um sucesso...!

“Freak Le Bumbum” (música disco, 1979) – Mister Sam

A “Rainha do Rebolado” Gretchen foi um estouro de audiência durante a década de 1980, quando participava de programas de auditório cantando versões de músicas em que o primordial estava longe de ser a letra, mas era, sobretudo, a presença e o corpo da dançarina, que não se fazia de rogada na hora de interpretar, com a devida sensualidade, canções que alcançaram o topo das paradas de sucesso na época das discotecas. Um exemplo é “Freak Le Bumbum”, composta pelo DJ argentino Mister Sam, e com versos em inglês.

“Girls Just Wanna Have Fun” (música disco, 1979) – Robert Hazard

Muita gente que entroniza Madonna e com a devida justiça, se esquece da importância de Cyndi Lauper como ícone feminista. Lançada pelo compositor Robert Hazard em 1979, a música “Girls Just Wanna Have Fun” só alcançou o devido sucesso e teve seu sentido amplificado com a gravação de Cyndi Lauper, em 1983, puxando as vendagens de seu primeiro disco-solo. A música ficou para sempre associada a Cyndi Lauper e se tornou um hino de diversas gerações de feministas salientando a força e a liberdade de todas as mulheres.

“Chega Mais” (música disco, 1979) – Rita Lee e Roberto de Carvalho

Mulher que mais vendeu discos no Brasil, Rita Lee é também pioneira ao adentrar o machista circuito do rock e se tornar líder de bandas como Mutantes e Tutti-Frutti, sem falar em sua carreira-solo. No rol de sucessos que contempla músicas como “Desculpe o Auê”, “Flagra”, “Bwana”, “Saúde”, “Ovelha Negra”, e tantas outras, “Chega Mais” marca a incursão mais profunda da artista na música de discoteca, em mais uma parceria com o marido Roberto de Carvalho. O ritmo alucinante e os versos leves embalaram as pistas de dança...

“Young Hearts Run Free” (música disco, 1976) – David Crawford

Cantora dedicada a ritmos como o soul e o gospel, Candi Staton adentrou ao terreno da música de discoteca em 1976, quando gravou o estrondoso sucesso “Young Hearts Run Free”, de David Crawford. A música nasceu de uma conversa entre o compositor e a cantora, durante um almoço em Los Angeles em que ela partilhou as agruras de um relacionamento abusivo. A música era um incentivo à libertação da cantora, presa em dias nebulosos enquanto desperdiçava toda a intensidade da juventude. E, ao que tudo indica, deu certo.

“Me Chama Que Eu Vou” (salsa, 1990) – Cláudio Rabello e Torcuato Mariano

A personalidade artística de Sidney Magal foi construída seguindo os moldes da indústria fonográfica da época. Inventaram para ele um passado cigano e investiram no aspecto visual, ou seja: coreografia e figurinos. Assim, cheio de brilhantinas, peito aberto, mãos que não paravam quietas, ele surgiu cantando “Sandra Rosa Madalena, a Cigana”, um estouro de 1978 que trazia referências a ritmos latinos, como a salsa, passados sob o filtro da música pop. A mesma receita é usada em “Me Chama Que Eu Vou”, de Cláudio Rabello e Torcuato Mariano, agora com influência da discoteca, que dava os seus últimos suspiros.

“D.I.S.C.O.” (música disco, 1979) – Daniel Vangarde e Jean Kluger

Duo francês formado por Jean Patrick Baptiste e Anette Eltice, o Ottawan teve o seu nome artístico inspirado na capital do Canadá, a cidade de Ottawa. O grande sucesso da dupla ainda é a música “D.I.S.C.O.”, uma brincadeira com as iniciais que formam, justamente, a palavra disco, ritmo que a inspira. Para completar, cada letra ainda é utilizada para descrever as qualidades de uma mulher, e que acaba com uma sonora onomatopeia ao final. É música para dançar do começo ao fim, sem medo de ser feliz, e com muito amor para dar...!

“Deixa a Música Tocar” (música disco, 1978) – Dom Gabriel e Lins

A cearense Frankislene Ribeiro Freitas foi alçada ao estrelato depois que adotou o nome artístico de Miss Lene. Foi com essa alcunha que ela ficou conhecida como a “Tina Charles brasileira”, invadiu as pistas de dança e chegou às rádios de todo o país graças a músicas como “Deixa a Música Tocar”. Parceria de Dom Gabriel e Lins, a canção foi apresentada em programas de auditório com enorme sucesso, comandados por Chacrinha e Silvio Santos, e garantiu a rápida e fugaz ascensão de Miss Lene, no ano 1978.

“I Will Survive” (disco, 1978) – Freddie Perren e Dino Fekaris

Gloria Gaynor havia perdido a mãe quando lançou “I Will Survive”, que se transformaria em hino da comunidade gay. Gravada em 1978, a canção de Freddie Perren e Dino Fekaris logo se tornou um hit, e rendeu à intérprete um disco duplo de platina pelas milhões de cópias vendidas. A mensagem com a qual Gloria se identificou vale até os dias de hoje para as pessoas que tentam sobreviver às agruras da vida e não perdem a esperança. “I will survive”, canta ela, acompanhada por milhões de corações, ao redor de todo o mundo. Um hit.

“Amor Bandido” (música disco, 1979) – Paulinho Camargo e Max Júnior

Sarah Regina surgiu no “Concurso de Calouros” do programa de Silvio Santos, quando foi finalista. Em 1981, ela lançou o LP “Felina”, investindo no estilo sensual que também comparece na capa do compacto de 1979, em que ela apoia a mão sobre o queixo e deixa à mostra um provocativo decote. Ali está presente a faixa “Amor Bandido”, música de discoteca que conta com a assinatura de Paulinho Camargo e Max Júnior, e a produção de Mister Sam, todos íntimos do gênero que tomava as pistas de dança Brasil afora. Sucesso!

“Le Freak” (disco funk, 1978) – Bernard Edwards e Nilo Rodgers

Formada na década de 1970, a banda norte-americana Chic chegou fazendo barulho, produzindo misturas inusitadas e conquistando fãs ao redor do mundo. Logo em seu segundo disco, lançado em 1978, o conjunto chegou ao topo das paradas de sucesso com a música “Le Freak”, uma espécie de disco funk composta por Bernard Edwards e Nilo Rodgers, que tirava sarro do Estúdio 54, famosa discoteca da cidade de Nova York. Conhecida por suas longas filas, a discoteca recebeu um “não” dos compositores que se recusaram a tocar por lá.

“Pertinho de Você” (música disco, 1978) – Hugo Bellard

A atriz Elizângela, que também atuava como apresentadora de TV, não tinha lá grandes pretensões musicais quando foi convidada pelo produtor Hugo Bellard a gravar a brincadeira que ele havia realizado ao juntar a batida de uma música jamaicana com o estilo da cantora Tina Charles, febre na época das discotecas. Assim veio ao mundo a música “Pertinho de Você” que, contra todos os prognósticos, superou a marca de 20 mil cópias vendidas por semana no Brasil. Com o sucesso, Elizângela voltou a se arriscar, sem o mesmo êxito...

“Stayin’ Alive” (música disco, 1977) – Barry, Robin e Maurice Gibb

Os irmãos Barry, Robin e Maurice Gibb formaram, no final da década de 1950, a banda australiana Bee Gees, que alcançou um estrondoso sucesso em todo o mundo. Um dos momentos de ápice do conjunto aconteceu com a música “Stayin’ Alive”, parceria do trio que entrou para a trilha sonora do filme “Os Embalos de Sábado à Noite”, baseado no tempo das discotecas, que eternizou a atuação de John Travolta. A música fez tanto sucesso que voltou a ser utilizada em trilhas de outros filmes como no infantil “Alvin e os Esquilos 2”. Hit.

“Marrom Glacê” (música disco, 1979) – Mariozinho Rocha, Renato Corrêa e Guto Graça Melo

Em 1978, o bailarino Ronaldo Resedá apostou suas fichas em ser o dono do palco, e estreou um espetáculo em que cantava músicas de Roberto Carlos, Erasmo, Rita Lee, Angela Ro Ro e Eduardo Dussek. Os passos que ele criava para acompanhar as canções eram o mais interessante do show. Tudo se concentrava na performance. E não demorou para a Som Livre, braço fonográfico da Globo, propor o lançamento de um compacto a ele. Em 1979, Resedá entrou em estúdio para gravar o seu primeiro LP. “Marrom Glacê”, de Mariozinho Rocha, Renato Corrêa e Guto Graça Melo virou a faixa-título da novela homônima na faixa das sete. A capa do LP trazia o nome dele em glacê.

“Got to Be Real” (música disco, 1978) – Cheryl Lynn, David Paich e David Foster

Cheryl Lynn estreou no mercado fonográfico com um sucesso capaz de abalar as estruturas, que logo de cara entrou para a lista das mais ouvidas nos Estados Unidos, durante o ano de seu lançamento, em 1978. Parceria da intérprete com David Paich e David Foster, a música investe no estilo em voga na época, tomada pelas canções de discoteca, com o reforço da poderosa voz de matriz africana de Cheryl Lynn. “Got to Be Real” seguiu sacudindo os quadris pelo mundo, tanto que em 1990 integrou a trilha de “Paris em Chamas”.