Duas instituições públicas do Brasil são finalistas ao prêmio 'Melhores Escolas do Mundo'
Iniciativas no Rio de Janeiro e no Amazonas colocam o Brasil no top 50 do 'World’s Best School Prizes 2026'; votação popular já está aberta

O Brasil conquistou um espaço de prestígio no cenário educacional global. Duas instituições de ensino públicas do país foram selecionadas como finalistas do prestigiado prêmio "Melhores Escolas do Mundo" (World’s Best School Prizes 2026). O anúncio, realizado pela plataforma global T4 Education, nessa quinta-feira (25), colocou a Escola Municipal GET IV Centenário, no Rio de Janeiro-RJ, e a Escola Baniwa Kalipana, em São Gabriel da Cachoeira-AM, no seleto grupo das 50 melhores instituições do planeta, concorrendo entre as 10 melhores de suas respectivas categorias.
A indicação gerou forte mobilização e celebração nas duas comunidades. Na Terra Indígena Alto Rio Negro, no Amazonas, estudantes e lideranças locais enfrentaram o fuso horário e o cansaço para acompanhar a transmissão ao vivo, comemorando de madrugada a indicação na categoria Ação Ambiental. Já na comunidade da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro, o anúncio da indicação na categoria Superação de Adversidades foi recebido com festa e forte emoção por parte do corpo docente e dos alunos.
Rio de Janeiro: acolhimento e a 'Fábrica de Sonhos' contra a violência
Situado no Complexo da Maré — uma região vulnerável que registrou mais de 230 operações policiais e intensos conflitos armados na última década —, o Ginásio Educacional Tecnológico (GET) IV Centenário atende crianças de 6 a 11 anos. Para lidar com os profundos impactos psicossociais que a violência impõe à rotina escolar, a direção implementou o projeto Fábrica de Sonhos.
A iniciativa estabeleceu uma rotina diária de escuta: os primeiros 20 minutos de aula são inteiramente dedicados para que os alunos compartilhem seus sentimentos, preocupações e aspirações através da atividade Café com Música e Prosa. Aliada a uma metodologia que utiliza recursos tecnológicos para solucionar problemas reais do bairro e ao planejamento participativo junto às famílias, a estratégia transformou os indicadores da escola: o abandono escolar foi zerado e a taxa de alfabetização na idade adequada atingiu expressivos 97%. Devido ao sucesso absoluto, a Prefeitura do Rio de Janeiro planeja expandir essa metodologia para outras 350 unidades da rede municipal.
Amazonas: conectando saberes ancestrais ao currículo oficial
Na outra ponta do país, no coração da Amazônia, a Escola Baniwa Kalipana redefiniu o ensino para jovens indígenas de comunidades remotas. Historicamente negligenciados pela estrutura tradicional de ensino, o que muitas vezes forçava o êxodo dos jovens e enfraquecia as tradições locais, o colégio adotou um modelo pedagógico desenhado por lideranças Baniwa e Koripako em conjunto com as famílias e anciãos.
Com um corpo docente composto exclusivamente por educadores indígenas, as aulas são ministradas na própria língua nativa e estruturadas ao redor do Káali — um sistema agrícola regional milenar que integra o cultivo da mandioca com noções de ecologia, saúde, espiritualidade e artes. Esse rico conhecimento territorial é fundido de maneira integrada às disciplinas obrigatórias da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), como matemática, português e história, garantindo uma formação que respeita e preserva a identidade cultural dos estudantes enquanto promove o desenvolvimento acadêmico.
O prêmio e os próximos passos
Organizado pela T4 Education com o apoio de grandes corporações e fundações internacionais (incluindo a Fundação Lemann, American Express e Accenture), o prêmio é dividido em cinco categorias fundamentais: Inovação, Ação Ambiental, Colaboração Comunitária, Superação de Adversidades e Apoio a Vidas Saudáveis.
A votação para o público geral está oficialmente aberta na internet e se estenderá até o dia 29 de outubro. Os grandes vencedores de cada categoria, que receberão um prêmio em dinheiro a ser investido diretamente nas próprias instituições, serão revelados em novembro.
Independentemente do resultado final, as duas escolas brasileiras, junto aos demais finalistas, já garantiram o convite para participar do World Schools Summit, que ocorrerá em Londres nos dias 16 e 17 de janeiro de 2027, um evento voltado para debater políticas públicas e compartilhar as melhores e mais inspiradoras práticas educacionais do mundo.
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