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Seleção: crise deve fazer CBF buscar executivo para cargo de coordenador

Função está vaga e Fernando Diniz tem tratado demandas diretamente com o presidente da entidade, Ednaldo Rodrigues

Brasil sofreu a primeira derrota em casa nas Eliminatórias, 1 a 0 para a Argentina, em 21 de novembro

Brasil sofreu a primeira derrota em casa nas Eliminatórias, 1 a 0 para a Argentina, em 21 de novembro

Staff Images/CBF

A crise na Seleção Brasileira, que acumula marcas negativas em 2023, deve ter como primeira consequência a contratação de um coordenador técnico, cargo vago desde a saída da comissão de Tite, em dezembro de 2022. O ex-meia Juninho Paulista ocupava a função.

Nos amistosos nas Datas Fifa de março e junho de 2023, quando Ramon Menezes foi o treinador interino, o ex-zagueiro e treinador Ricardo Gomes esteve na coordenação também interinamente. Na prática, porém, sua presença ali era mais de apoio a Ramon, de quem é próximo, para o trabalho do dia a dia, do que propriamente um cargo diretivo.

Aliados do presidente da confederação brasileira, Ednaldo Rodrigues, sugeriram a urgência em ter um diretor que esteja junto à comissão técnica da Seleção Brasileira. O cartola vai analisar, mas é provável que no início de 2024 um nome seja anunciado. Há predileção por alguém com perfil de Juninho Paulista e de Edu Gaspar, os últimos a ocuparem efetivamente o posto: ex-jogadores com formação executiva. Mas não se descarta um profissional gabaritado que não tenha sido atleta.

Demandas de Diniz

Neste momento, o técnico Fernando Diniz e seus auxiliares tratam diretamente com Ednaldo sobre demandas da Seleção, desde questões relacionadas à logística, às convocações e burocracias que, na visão de cartolas da CBF, deveria estar a cargo de um profissional específico para isso.

Por exemplo: Diniz pediu uma logística diferenciada a Ednaldo para os jogos de novembro das Eliminatórias, contra a Colômbia, em Barranquilla, e Argentina, no Maracanã. Um avião com acomodação especial foi enviado da Europa, já com alguns jogadores convocados que atuam por lá, e fez toda rota Rio/Colômbia/Rio, para minimizar o desgaste físico dos atletas.

O treinador também tratou diretamente com Ednaldo uma outra demanda, a de treinar no centro de treinamento da CBF, na Granja Comary, em Teresopólis, cidade serrana do Rio, que tem estrutura de trabalho de primeira linha. Por isso, também, o confronto contra a Argentina foi agendado para o Rio, já que se inicialmente se pensou em Manaus, por logística para voltar da Colômbia, e depois Brasília.

A avaliação interna é que a decisão final sempre será de Ednaldo, mas que é preciso um coordenador que resolva com profissionais de outras áreas da CBF essas demandas pedidas pelo técnico, que deve se concentrar apenas em preparar o time para os jogos.

O fim da era Diniz

Se dividindo entre a Seleção Brasileira e o Fluminense, Diniz tem acordo com a CBF até a metade de 2024. Apesar dos maus resultados, e da sexta posição nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026 com somente sete pontos em seis confrontos, o plano da direção da CBF é seguir o roteiro traçado em julho: Diniz no banco de reservas nos amistosos contra Inglaterra e Espanha, na Europa, em março do ano que vem.

Depois disso, a expectativa é que o italiano Carlo Ancelotti, atualmente no Real Madrid, já seja o treinador para um ou dois amistosos na Data Fifa de junho e depois na Copa América dos Estados Unidos, que terá início em 20 de junho e final em 14 de julho. A informação segue a mesma do início do ano, de que Ancelotti está apalavrado com a CBF.

Por isso, também, a procura pelo coordenador técnico terá que ser cuidadosa, já que o profissional iniciará o planejamento com Diniz, mas depois será o braço-direito de Ancelotti. Em junho o nome de Paulo Roberto Falcão, ex-volante e treinador que é próximo ao italiano, foi cogitado, mas ele estava empregado no Santos. Ele deixou o clube após ser denunciado de importunação sexual por uma funcionária de um hotel em que vivia, e o caso agora foi arquivado pela Justiça por falta de provas.

Ano para esquecer

O Brasil teve cinco derrotas na temporada 2023, pior marca desde 2001, quando acumulou oito:

  • 2 x 1 Marrocos - março - Ramon Menezes

  • 4 x 2 Senegal - junho - Ramon Menezes

  • 2 x 0 Uruguai - outubro - Fernando Diniz

  • 2 x 1 Colômbia - novembro - Fernando Diniz

  • 1 x 0 Argentina - novembro - Fernando Diniz

E o time colecionou marcas negativas: primeira derrota na história em casa nas Eliminatórias no 1 a 0 para a Argentina nesta terça (21), no Maracanã; primeira vez que perdeu para a Colômbia no qualificatório; três derrotas seguidas, algo que não ocorria desde 2001; primeira vez com três revezes em sequência nas Eliminatórias.

O Brasil está na sexta colocação no qualificatório, com sete pontos, atrás de Argentina (15), Uruguai (13), Colômbia (12), Venezuela (9) e Equador (8). Os seis primeiros, após 18 rodadas, se classificam para a Copa do Mundo de 2026, que será nos Estados Unidos, no México e no Canadá. O sétimo jogará uma repescagem mundial, em março de 2026, com a local a ser definido.

Formado em jornalismo pela PUC-Campinas em 2000, trabalhou como repórter e editor no Diário Lance, como repórter no GE.com, Jornal da Tarde (Estadão), Portal IG, como repórter e colunista (Painel FC) na Folha de S. Paulo e manteve uma coluna no portal UOL. Cobriu in loco três Copas do Mundo, quatro Copas América, uma Olimpíada, Pan-Americano, Copa das Confederações, Mundial de Clubes, Eliminatórias e finais de diversos campeonatos.
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