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Polícia Civil investiga agência de carros suspeita de aplicar golpe em BH

GoldCar Automóveis, com nome fantasia Real Veículos, tem loja na região Nordeste da capital mineira

Agência de carros é suspeita de aplicar golpe em clientes de BH

Agência de carros é suspeita de aplicar golpe em clientes de BH

Pixabay/Imagem ilustrativa

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga uma agência de carros de Belo Horizonte suspeita de aplicar golpes em vários clientes. Trata-se da GoldCar Automóveis, com nome fantasia Real Veículos, localizada no bairro União, região Nordeste da capital mineira. A reportagem da Itatiaia apurou que há oito processos em curso contra a agência na Justiça, além de queixas em sites como “Reclame Aqui’ e Google. Ainda conforme apuração, a empresa procura clientes que anunciam os veículos em site da internet especializados em compra e venda de veículos.

“A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que instaurou um inquérito para apurar a denúncia de estelionato referente a uma revendedora de automóveis de Belo Horizonte. Diversas diligências já foram realizadas, incluindo a realização de oitivas com os envolvidos. A PCMG ressalta que o crime de estelionato é de ação penal pública condicionada à representação da vítima, conforme determina a lei, e orienta que outros cidadãos que tenham sido lesados procurem uma delegacia de polícia para realizar a devida representação”, destaca nota enviada à Itatiaia pela PC.

Um dos clientes que relata problemas com a agência é um engenheiro de Minas, de 40 anos. Em contato com a Itatiaia, ele contou que fechou um contrato de consignação para a agência vender o Honda CRV dele, ano 2013, por R$ 70 mil. O veículo foi negociado em junho deste ano, com a promessa de quitação em duas parcelas: R$40 mil (a serem pagos em um prazo de 15 dias) e R$30 mil (que deveriam ser quitados 45 dias após a data da venda do veículo).

No entanto, conforme o cliente, a agência vendeu o carro para um terceiro e não repassou o dinheiro. Após muita insistência, ele diz que conseguiu receber os R$ 40 mil, mas de maneira parcelada. Os R$ 30 mil restantes não foram pagos até hoje. Além disso, o engenheiro diz que não consegue contato direto com a empresa e que o CRV continua em seu nome. Nas vezes que conseguiu contato, um vendedor indicado por um dos sócios para resolver o problema alegou que tinha sofrido um acidente de moto, estava hospitalizado e enviou fotos e áudios como se estivesse internado, versão contestada pelo cliente.

“Essa empresa tem três CNPJs. Fiz o contrato associado à empresa GoldCar. Parece que eles têm esse moldus operandi, de abrir e fechar CNPJs, decretar falência, quando as vítimas vão até a Justiça e bloqueiam os bens, que foi o que eu fiz”

Em outubro, o engenheiro conseguiu contato com o comprador do Honda CRV, que também suspeita da conduta da agência. Inclusive, o sócio da empresa enviou as mesmas fotos e áudios sobre o suposto funcionário acidentado.

“O que quero é receber o valor com a correção necessária e que a Justiça seja feita, porque não somente eu, como outras vítimas caem frequentemente nesse golpe. Não sei se eles estão com a loja física no mesmo lugar, mas esses supostos estelionatários continuam aí. Me parece que o crime para eles compensa.

Corolla e Fusca

Entre os processos contra a empresa, um cliente comprou um Fusca, 1979, mas descobriu que o Volkswagem estava com motor de outro veículo e ainda não tinha condição de rodar em razão do risco de acidente por perda de freios, que estavam com problemas. O cliente acionou a Justiça após não conseguir devolver o veículo e ter o dinheiro de volta.

Em outro processo, um motorista relata que comprou um Toyota Corolla, 2012, por R$ 72 mil, dando como entrada um Tiguan, avaliado em R$ 46 mil. O restante foi financiado.

“Ocorre que a agência não procedeu com a transferência do veículo Corolla GlI 18 CVT, para o nome da autora, bem como não realizou o pagamento dos documentos do veículo, qual sejam, IPVA/ Taxa de licenciamento do ano de 2023 e nem mesmo disponibilizou documento para que a autora realizasse”, diz trecho da ação.

Sem resposta

A reportagem entrou em contato com a empresa diversas vezes. Um dos sócios marcou data para responder, mas não enviou posicionamento. O espaço continua aberto.

Avaliações negativas

Nas avaliações do Google e do site “Reclame Aqui”, diversos clientes denunciam problemas semelhantes.

“Só estou avaliando com uma estrela pois não tem opção de colocar menos estrelas. Deixei um Civic consignado em abril e venderam em junho, depois de precisar baixar o valor várias vezes, porém não terminaram de me pagar até hoje. Depois de muita tentativa fui obrigado a procurar a Justiça, vamos precisar resolver judicialmente. Não aconselho a ninguém a comprar nem vender com eles, pois o rapaz que comprou o carro sem pegar o recibo também vai ter dores de cabeça. Profissionais sem compromisso e sem responsabilidade, péssima experiência”, escreveu um cliente.

“Infelizmente, não tive uma boa experiência deixando meu carro consignado com eles. Demorei 45 dias para receber o valor total após a venda do veículo, e tive um prejuízo de aproximadamente R$ 1 mil, por conta dessa demora. Além da falta de transparência e honestidade nas tratativas por parte da agência. Sendo assim, não voltaria a fazer negócio com a Real Veículos”, escreveu outro.

Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está na editoria de cidades.
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