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Santuário da Serra da Piedade questiona acesso sem controle determinado pelo DER

Arquidiocese alerta para o risco de motociclistas que percorrem o trecho do Santuário da Serra da Piedade realizando manobras radicais 

O trecho da AMG-1235, que começa no portão do Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, se tornou alvo de polêmica

Matheus Oliveira

Uma estrada de 5 km é o centro de uma polêmica envolvendo a Igreja Católica e o Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas (DER-MG). Trata-se da AMG-1235, que começa no portão do Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, em Caeté, e termina no alto desse mesmo Santuário. De um lado, o DER-MG determinou que esse portão fique aberto 24 horas por dia. Do outro, a administração local argumenta que se trata de uma área privada, que tem como dona a Arquidiocese de Belo Horizonte.

Nessa segunda-feira (6), o reitor do Santuário, padre Wagner Calegário de Souza, concedeu uma entrevista coletiva após o primeiro fim de semana sem controle de acesso. A Arquidiocese relata que a falta de monitoramento culminou com motociclistas fazendo manobras radicais e colocando peregrinos em risco, além de depredação de banheiros.

“[A estrada] está dentro de uma propriedade particular, chega somente no extremo da propriedade particular, não dá acesso a nenhum outro lugar”, argumenta o padre. O Santuário fica numa área de em 1,2 milhão de metros quadrados pertencentes à Igreja, segundo o padre. “Estamos dentro de uma reserva da Arquidiocese de Belo Horizonte, com registro em cartório.”

A administração do Santuário afirma que, há décadas, havia ali uma estradinha informal, sem infraestrutura. E que, espontaneamente, o poder público decidiu asfaltá-la e fazer sua manutenção – atualmente, realizada pelo DER-MG. “Em 1960, Nossa Senhora da Piedade foi declarada padroeira do estado. Um decreto declara o Santuário, propriedade particular, um atrativo turístico de especial relevância para o estado, que permite investimentos.”

Portão aberto ou fechado?

O padre afirma que não controlar o acesso ao Santuário pode ser perigoso para a preservação do meio ambiente e para os visitantes. "No passado, nós tínhamos aqui a recorrência de uso de drogas, sexo e incêndios que foram provocados. A importância [do controle] é para que não deixemos que aqui se torne novamente um ponto de drogas. Nossa preocupação é que este patrimônio, que é tombado a níveis municipal, estadual e federal, não seja colocado em risco. Mas a minha maior preocupação não é com a manutenção, é com a segurança das pessoas."

Cobrança de pedágio?

O padre nega haver cobrança de pedágio na AMG-1235. Ele afirma que, após a notificação do DER-MG, houve uma confusão de informações entre o controle de acesso pelo portão e uma cobrança de ingresso, de R$ 10, para visita à parte mais alta do Santuário, 3 km acima do início da estrada. De acordo com ele, trata-se de uma contribuição e, quem comprova não ter condições de pagar, jamais foi proibido de prosseguir.

"O valor de preservação é para que mantenhamos o transporte de pessoas em carros elétricos: grávidas, portadores de mobilidade reduzida e idosos. E ajuda a manter os brigadistas, a conservação de todo o espaço limpo, os banheiros. O ingresso é para ajudarmos a manter toda essa estrutura, que serve a todas as pessoas, aquelas que têm condições de contribuir e aquelas que não têm condições de contribuir. Nunca ninguém foi impedido de entrar no Santuário porque não pode contribuir", afirma o padre.

Ele ressalta que o Santuário opera com déficit financeiro de 30%. "Sem esse valor, boa parte do nosso instrumental de segurança, preservação, manutenção, cuidado com as pessoas é colocado em risco."

'Interesse por detrás'

Para o padre, "algumas pessoas misturaram as coisas", referindo-se à vinculação do pagamento pelo ingresso a uma cobrança de pedágio. "Ou por equívoco - prefiro acreditar - ou por alguma outra motivação. Mas eu sei que essa mistura foi o estopim para colocar em risco todo esse patrimônio. Algum interesse está por detrás, eu não sei o de quem."

Após a coletiva, a assessoria de imprensa da Arquidiocese de BH entregou aos jornalistas uma lista de fake news sobre outros assuntos envolvendo o nome do Santuário. A administração do local acredita haver interesses de determinado grupo em abalar a imagem do Santuário, mas preferiu não detalhar essa desconfiança por não estar com provas a respeito.

A suspeita não é contra o DER-MG. "Não acredito que o DER esteja agindo de má-fé. O que eu sei e posso dizer é que o DER está empenhado em resolver o problema", diz o padre.

Fonte ouvida pela Itatiaia também optou por não especificar a que grupo se referiu a administração do Santuário, mas citou as "riquezas" da região e de um interesse de que essas riquezas possam "se esvair do local".

DER-MG

A Itatiaia entrou em contato com o DER-MG e fez as seguintes perguntas:

"Por que o DER-MG decidiu notificar o Santuário para 'remover qualquer obstáculo livre para circulação de veículos e pedestres na rodovia AMG-1235'? É por uma questão de legislação?"

"O DER-MG confirma que a AMG-1235 fica em uma área particular? Se sim, mesmo estando em área particular o DER-MG tem poder de decisão sobre a rodovia?"

O DER-MG optou por enviar uma nota já divulgada anteriormente e que não responde a essas perguntas. Eia a íntegra:

O Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) notificou a administração do Santuário da Serra da Piedade, no último 16 de maio, para que fosse removido qualquer obstáculo para a livre circulação de veículos e pedestres na rodovia AMG-1235, que liga a MG-435 ao alto da serra.

O DER-MG ainda está avaliando tecnicamente a possibilidade de restrição de circulação de veículos no segmento, por razões de segurança viária, a partir do ponto onde se encontra a Estação da Piedade até o final da rodovia. Todas as ações do Departamento sobre a situação no local estão sendo acompanhadas pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais.

A medida tomada pelo DER-MG trata apenas da livre circulação na via pública estadual. A cobrança de ingresso de visitação ao Santuário não cabe interferência do Departamento, sendo de inteira responsabilidade da Mitra Arquidiocesana de Belo Horizonte.

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