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Poupança tem o maior saque desde 1995 

A retirada líquida da caderneta em maio foi de R$ 11,7 bilhões

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A Selic está pagando 13,75% ao ano, e alguns investimentos, como a poupança, são isentos de impostos
A Selic está pagando 13,75% ao ano, e alguns investimentos, como a poupança, são isentos de impostos • Marcello Casal Jr | Agência Brasil

A taxa Selic elevada a um patamar alto por muito tempo faz mais uma vítima, a caderneta de poupança, que registrou nesse mês de maio um recorde histórico de saques: R$ 11,7 bilhões foi a retirada líquida da caderneta. É o maior volume de saques desde 1995, quando a série começou a ser divulgada. 

E não fica por aí, o ano passado foi o pior ano da caderneta de poupança, mas, 2023 parece que será pior do que 2022. Isso porque, estamos em um ambiente de taxa de juros elevada, famílias endividadas. 

 E o que que acontece? A rentabilidade da caderneta de poupança, se comparada com o que paga os investimentos em CDI e em Selic, está praticamente a metade. A poupança paga 6,17% ao ano. Ela paga TR mais 0,5% ao mês, o que dá mais ou menos 6,17% ao ano. 

A Selic está pagando 13,75% ao ano, e alguns investimentos, como a poupança, são isentos de impostos, como é o caso daqueles incentivados pelo governo: aplicações no agronegócio, LCAs, CRAs, LCIs no mercado imobiliário, CRIs e certificado de recebíveis do setor imobiliário. 

Portanto, por causa disso e diante de um ambiente também muito nocivo - porque as famílias brasileiras estão endividadas - a capacidade de poupar diminui. E temos mais um agravante, a taxa de desemprego que era 7,9% em dezembro, já bateu 8,8%, e está em 8,5%.  

Portanto, um desemprego um pouco mais elevado em relação ao final do ano passado, as famílias cada vez mais endividadas e a rentabilidade dos investimentos em renda fixa indexados pelo CDI ou pela própria Selic pagando o dobro da poupança, que teve o pior desempenho de sua história em 2022 e que parece que vai repetir de novo em 2023. 


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Rita Mundim é Mestre em Administração, Especialista em Ciências Contábeis pela FGV e em Mercado de Capitais pela UFMG, economista pela UFMG, professora da Fundação Dom Cabral. É tambem CFG (Certificação ANBIMA de Fundamentos em Gestão) e CGA (Certificação de Gestores ANBIMA) e Administradora de Carteiras de Valores Mobiliários (CVM). É membro do Conselho de Política Econômica da FIEMG.