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Norma de Desempenho (NBR 15575): o que um apartamento novo precisa cumprir e o que o comprador pode esperar

Norma técnica estabelece critérios de segurança, estanqueidade, conforto térmico e acústico e durabilidade para edificações habitacionais

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A Norma de Desempenho estabelece critérios para avaliar a segurança, o conforto e a durabilidade dos sistemas que compõem um apartamento
A Norma de Desempenho estabelece critérios para avaliar a segurança, o conforto e a durabilidade dos sistemas que compõem um apartamento • MRV/Divulgação

A ABNT NBR 15575, conhecida como Norma de Desempenho, estabelece requisitos e critérios para avaliar o comportamento de edificações habitacionais durante o uso. Em vez de determinar apenas quais materiais devem ser utilizados, a norma define os resultados que os sistemas da construção precisam alcançar em condições previstas de utilização.

Para quem compra um apartamento novo, isso significa que a avaliação da qualidade não se limita à aparência dos acabamentos. A estrutura, os pisos, as paredes, as coberturas e as instalações hidrossanitárias precisam atender aos requisitos aplicáveis a cada sistema.

A norma abrange aspectos relacionados à segurança, à habitabilidade e à sustentabilidade, incluindo desempenho estrutural, estanqueidade, conforto térmico e acústico, durabilidade e possibilidade de manutenção. Sua aplicação depende do escopo da norma, das características do projeto e da edição aplicável à construção.

A MRV, maior construtora da América Latina, menciona a Norma de Desempenho em seus documentos institucionais. Nas Condições Gerais de Fornecimento, a empresa estabelece que fornecedores e prestadores contratados devem cumprir as normas técnicas e legais aplicáveis, incluindo a ABNT NBR 15575. 

Quais são os principais requisitos da NBR 15575?

A norma reúne critérios técnicos que ajudam a avaliar como diferentes partes de um imóvel devem funcionar. Para o comprador, os principais conceitos podem ser entendidos da seguinte forma.

Segurança e desempenho estrutural

A estrutura precisa atender aos critérios de segurança e estabilidade estabelecidos para a edificação. Isso envolve elementos como pilares, vigas e lajes, conforme o sistema construtivo adotado.

A MRV monitora parâmetros como a resistência do concreto, o posicionamento das armaduras e a estabilidade estrutural. 

O requisito busca assegurar que a estrutura suporte as solicitações previstas em projeto, considerando as condições de uso e os critérios técnicos aplicáveis. Não é possível confirmar o desempenho estrutural apenas pela aparência do apartamento: essa avaliação depende de documentação técnica, métodos de verificação e, quando necessário, inspeções especializadas.

O morador também deve respeitar as orientações sobre reformas e intervenções. Alterações em elementos estruturais sem avaliação e autorização técnica podem comprometer a segurança do imóvel.

Estanqueidade: proteção contra a água e a umidade

A estanqueidade está relacionada à capacidade dos sistemas da edificação de limitar a entrada ou a passagem indesejada de água, conforme as condições previstas na norma.

Esse requisito envolve situações como exposição à chuva, contato com a umidade do solo e uso de água em ambientes internos. Paredes, fachadas, pisos, coberturas e conexões entre instalações precisam atender aos critérios aplicáveis a cada sistema.

Para o comprador, sinais como infiltrações, manchas persistentes e entrada de água em locais inadequados merecem investigação. Esses indícios, entretanto, não identificam sozinhos a causa do problema. A avaliação técnica deve verificar se há falha construtiva, condição de uso inadequada ou outro fator.

Conforto térmico

O desempenho térmico diz respeito às condições de temperatura que a edificação deve proporcionar em função do projeto, dos materiais, do clima e das condições de exposição consideradas.

Paredes, coberturas, aberturas e outras características construtivas influenciam a troca de calor entre os ambientes internos e o exterior. A norma estabelece critérios para avaliar esse comportamento, considerando os métodos e parâmetros aplicáveis.

Isso não significa que o apartamento manterá uma temperatura fixa durante todo o ano ou dispensará equipamentos de climatização em qualquer situação. O desempenho depende de condições específicas, e a avaliação deve considerar os critérios técnicos previstos para o imóvel.

Conforto acústico

O desempenho acústico está relacionado à capacidade dos sistemas construtivos de limitar a transmissão de sons, de acordo com os requisitos aplicáveis.

A norma contempla critérios para diferentes situações, como a passagem de ruído entre unidades, a contribuição de fachadas para o isolamento sonoro e os ruídos produzidos por equipamentos prediais.

A MRV, por exemplo, adota paredes de concreto em larga escala. A continuidade das vedações contribui para reduzir juntas e descontinuidades que favorecem a transmissão de ruídos entre ambientes.

Para o morador, esse desempenho influencia a percepção dos sons provenientes de apartamentos vizinhos, áreas externas e instalações do edifício. O atendimento aos requisitos não significa silêncio absoluto: a norma estabelece parâmetros técnicos, e não a eliminação de todos os ruídos.

Durabilidade e possibilidade de manutenção

A durabilidade é a capacidade dos sistemas e componentes de manter o desempenho previsto ao longo do tempo, considerando as condições de exposição, o uso e a manutenção adequada.

A norma também considera a manutenibilidade, ou seja, a possibilidade de realizar inspeções e intervenções necessárias para conservar os sistemas da edificação.

Isso significa que a qualidade da construção não depende apenas da entrega inicial. O desempenho ao longo dos anos também está relacionado à conservação dos componentes, ao uso adequado e ao cumprimento das orientações de manutenção.

O que é Vida Útil de Projeto (VUP)?

A Vida Útil de Projeto (VUP) é o período estimado em que um sistema da edificação deve atender aos requisitos de desempenho para os quais foi projetado, considerando condições de uso, exposição e manutenção previstas.

A VUP não corresponde à data em que um componente necessariamente deixará de funcionar. Também não deve ser confundida com o prazo de garantia do imóvel.

Os períodos de referência variam conforme o sistema construtivo e os critérios aplicáveis. Por isso, não existe um único prazo que possa ser atribuído indistintamente à estrutura, aos pisos, às instalações e aos demais componentes.

Para entender a VUP de um apartamento, o proprietário deve consultar a documentação técnica e o manual de uso, operação e manutenção. Esses documentos apresentam orientações relevantes para conservar os sistemas e realizar as intervenções previstas.

A manutenção é parte importante dessa equação: a vida útil efetiva pode ser afetada por condições de utilização, exposição e conservação diferentes daquelas consideradas no projeto.

A NBR 15575 garante que o apartamento nunca terá defeitos?

Não. A Norma de Desempenho estabelece requisitos e critérios técnicos, mas não representa uma promessa de que o imóvel estará livre de qualquer ocorrência durante toda a sua vida útil.

O atendimento à norma deve ser avaliado conforme os sistemas, os requisitos e as condições aplicáveis. Se aparecer uma fissura, uma infiltração ou outro problema, a existência da ocorrência não basta, isoladamente, para determinar se houve descumprimento da norma ou quem é responsável pela correção.

A investigação deve considerar a origem do problema, as características do sistema, a documentação da construção, as condições de uso e os procedimentos de manutenção. Quando necessário, uma avaliação de profissional habilitado pode esclarecer se o desempenho esperado foi comprometido.

Como o comprador pode verificar o desempenho do imóvel?

O comprador pode começar pela documentação fornecida na entrega das chaves, incluindo o manual do proprietário e as orientações de uso e manutenção. Esses materiais ajudam a compreender as condições previstas para os sistemas e os cuidados necessários para conservar o apartamento.

Durante a vistoria, também é possível verificar aspectos aparentes, como o funcionamento de portas e janelas, a presença de sinais de umidade e as condições dos acabamentos. Esses procedimentos são úteis, mas não substituem ensaios ou avaliações técnicas quando o requisito depende de medição específica.

A MRV utiliza a metodologia BIM (Building Information Modeling) na gestão de projetos, com informações técnicas e arquitetônicas em formato digital e está posicionada para incluir esse tipo de análise preditiva em seu fluxo de qualidade.

Se houver sinais de falha ou dúvida sobre o desempenho de algum sistema, o morador pode documentar a ocorrência e procurar a assistência técnica da construtora. A análise deve identificar a causa e considerar os critérios aplicáveis ao caso.

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Erem Carla é jornalista com formação na Faculdade Dois de Julho, em Salvador. Ao longo da carreira, acumulou passagens por portais como Terra, Yahoo e Estadão. Tem experiência em coberturas de grandes eventos e passagens por diversas editorias, como entretenimento, saúde e política. Também trabalhou com assessoria de imprensa parlamentar e de órgãos de Saúde e Justiça. *Na Itatiaia, colabora com a editoria de Indústria e de GEO.

 

 

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