Infraestrutura urbana define qualidade de vida nas cidades brasileiras
Mobilidade, segurança e acesso a serviços influenciam escolha de moradia e bem-estar da população

Antes de decidir por uma mudança de endereço, é comum buscar informações sobre os benefícios da localização, como trânsito, oferta de transporte público, proximidade de escolas e áreas verdes. A segurança também pesa na escolha, assim como a presença de comércios e unidades de saúde. Esses fatores estão diretamente ligados à qualidade de vida e, em conjunto, refletem as condições de infraestrutura de uma região.
Pesquisa do Pew Research Center, dos Estados Unidos, aponta que 60% dos jovens entre 18 e 28 anos priorizam qualidade de vida em detrimento de status profissional e estabilidade. O levantamento indica que essa preferência tem ganhado força em diferentes aspectos da vida das novas gerações.
Isabela Silva Souza, analista de marketing imobiliário, destaca a importância de morar próximo a estações de metrô, já que utiliza o transporte com frequência no dia a dia.
“Poder sair mais tarde e chegar mais cedo, sem aquela correria, além de evitar o cansaço que prejudica o convívio com a família. Quando se depende de muitos ônibus ou se mora longe do metrô, o tempo com a família diminui”, relata.
Para o professor da Fundação Dom Cabral (FDC), Paulo Resende, a mobilidade urbana afeta diretamente a qualidade de vida e o bem-estar social.
“Em Nova York, se a pessoa não quiser enfrentar congestionamentos, pode optar pelo metrô ou por outras alternativas de transporte. Já em Belo Horizonte, por exemplo, quem está preso no trânsito na Avenida Cristiano Machado tem poucas opções de escape. Faltam alternativas como metrô ou vias eficientes. É fundamental oferecer escolhas ao cidadão, para que ele decida como deseja se deslocar na cidade”, afirma.

Levantamento do Instituto Cidades Sustentáveis, realizado em 2025, mostra que a segurança pública é apontada por 74% dos moradores de grandes capitais como o principal problema relacionado à qualidade de vida. Nesse contexto, a infraestrutura também exerce papel determinante na percepção de segurança, como explica o professor da Fundação Dom Cabral, Paulo Guerra.
“Se um presídio apresenta condições precárias, isso compromete o processo de ressocialização dos detentos e aumenta a probabilidade de reincidência criminal, impactando negativamente toda a sociedade. A infraestrutura influencia diretamente a qualidade dos serviços públicos e, consequentemente, a qualidade de vida da população”, destaca.

Algumas cidades brasileiras se destacam por bons indicadores de bem-estar. Curitiba, capital do Paraná, lidera há anos o Índice de Progresso Social (IPS) no país e é considerada referência em planejamento urbano. Para o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), o resultado é fruto de investimentos consistentes e planejamento de longo prazo.
“O problema do Brasil, muitas vezes, não é falta de recursos, mas de projetos bem estruturados, como projetos executivos, estudos de viabilidade e planejamento adequado. Essa deficiência ocorre em todas as esferas, dos municípios ao governo federal”, afirma.
Segundo o governador, o país ainda carece de visão estratégica. “Diferentemente de países da Ásia, da Europa e da América do Norte, que planejam com horizonte de 20, 30 ou até 40 anos, o Brasil ainda concentra suas ações no curto prazo, muitas vezes limitado a ciclos de mandato”, conclui.

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