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Americanas (AMER3) dispara na bolsa após pedir fim da recuperação judicial

Ações da varejista sobem quase 20% após a empresa protocolar o fim da recuperação judicial

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fachada das lojas americanas
Varejista tenta deixar para trás marcas da fraude contábil bilionária • Antônio Cruz/Agência Brasil

As ações das Lojas Americanas (AMER3) na B3 disparam 19% na tarde desta quinta-feira (26), após a gigante do varejo pedir o fim da sua recuperação judicial na noite dessa quarta-feira (25). O processo havia sido iniciado após ser revelado o esquema de uma fraude contábil de R$ 25 bilhões nos relatórios da empresa.

Em comunicado ao mercado por meio de um fato relevante, a varejista informou que a decisão foi tomada após o cumprimento de todas as obrigações previstas no plano de reestruturação apresentado à Justiça. O pedido foi protocolado na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro e agora aguarda a homologação judicial para que o processo seja formalmente finalizado.

Como resultado, a empresa volta a animar os acionistas com uma alta de R$ 5,83 para R$ 6,16 nas suas ações até às 13h50 desta quinta.

Simultaneamente ao pedido de saída da recuperação, a companhia confirmou a venda da Uni.Co, subsidiária que detém o controle das marcas Imaginarium e Puket. negócio foi fechado com o grupo BandUP! pelo valor de R$ 152,9 milhões, mantendo a base da proposta original negociada ao longo dos últimos meses.

Com a direção da varejista agora focada em adotar as medidas finais para a transição, a Americanas tenta deixar para trás o período de intervenção judicial, enquanto as investigações sobre a conduta dos ex-executivos envolvidos na fraude continuam em andamento nas esferas competentes.

Em janeiro, a Superintendência de Processos Sancionadores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) concluiu parcialmente as investigações sobre a fraude contábil, apontando a responsabilidade de 30 executivos, entre eles Miguel Gutierrez, ex-CEO da companhia. O órgão aponta para uma participação ativa da diretoria no esquema que manipulava o preço das ações da empresa.

A peça afirma que o executivo deve ser responsabilizado pela fraude por ter, por pelo menos uma década, comandado o esquema de manipulação, perpetrado por meio de fraudes “incrementais e continuadas” na emissão de valores das ações que se baseavam em informações falsas. O caso será encaminhado para julgamento da diretoria da CVM.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.