IBGE: 10% mais ricos concentram mais de 40% dos rendimentos mensais do país
Rendimento médio mensal per capita dos 10% mais ricos do Brasil subiu 8,7% no ano passado

O rendimento médio mensal per capita dos 10% mais ricos do Brasil subiu 8,7% no ano passado e chegou a R$ 9,117, o maior da série histórica iniciada em 2012. A título de comparação, o rendimento per capita total foi de R$ 2.264 por mês, segundo dados divulgados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta sexta-feira (8).
Os dados ainda revelam que os 10% mais ricos acumulam mais de 40% de todos os rendimentos mensais do país. Em 2025, esse estrato da sociedade brasileira teve uma massa de rendimento de R$ 193,8 bilhões por mês, enquanto a massa total foi de R$ 481,3 bilhões, também os maiores valores da série histórica.
Por outro lado, os 10% mais pobres do país tiveram um rendimento per capita de R$ 268 por mês, um crescimento de apenas R$ 8 em relação a PNAD de 2024, mas ainda um recorde para a série histórica. Nesse caso, a massa de rendimento mensal per capita foi de R$ 5,7 bilhões em 2025, apenas 1,1% do total.
Segundo João Mário França, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV-Ibre), a desigualdade é explicada por distorções na tributação que começaram a ser melhoradas pela isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês.
Para o especialista, há uma necessidade de corrigir essas distorções de maneira equilibrada, a fim de não desestimular o acúmulo de renda. “Os 1% mais ricos têm acesso a rendimentos que não são devidamente tributados, como LCI e LCA, enquanto as camadas menores ainda não conseguem acessar esse tipo de investimento", destacou.
Medidor de desigualdade cresce, mas é o 2º menor da série
A diferença de renda é ainda maior entre os extremos da pesquisa. Na faixa dos 5% mais pobres, o rendimento médio mensal é de R$ 166 em 2025, com uma massa acumulada de R$ 1,7 bilhões (0,3% do total). Já entre os 1% mais ricos, o rendimento mensal foi de R$ 24,9 mil, enquanto a massa acumulada foi de R$ 53,1 bilhões (11% do total).
Com o aumento no rendimento de todas as faixas, os indicadores de desigualdade mostraram estabilidade em 2025. O índice de Gini do rendimento do trabalho foi estimado em 0,491, valor próximo ao de 2024 (0,487) e abaixo dos patamares observados nos dois anos que precederam a pandemia, quando tal indicador atingiu o máximo da série (0,506).
“Acho que a leitura mais adequada é da estabilidade. Quando a gente olha o índice de Gini do ano passado, foi o menor da série histórica, mas agora teve um leve aumento. Podemos atribuir a, por exemplo, a taxa de juros muito alta. Os mais ricos conseguem aplicar em investimentos atrelados aos juros e ganharem com essa taxa restritiva, enquanto os mais pobres não”, completou João Mário França.
Já o índice de Gini do rendimento domiciliar per capita apresentou leve variação, passando de 0,504, em 2024, para 0,511 no último ano, mas permaneceu inferior ao nível registrado em 2019 (0,543) e em todo o período que precedeu a pandemia.
“A análise da distribuição de renda indica que, embora a desigualdade tenha recuado em relação aos anos anteriores à pandemia, ela segue elevada. Considerando o rendimento domiciliar per capita, em 2025, os 10% da população com os maiores rendimentos receberam, em média, 13,8 vezes mais do que os 40%”, disse o IBGE.
Massa de rendimento mensal per capita dos 10% mais ricos
- Ano: Total - 10% mais ricos (Em bilhões de reais)
- 2012: R$ 350,8 - R$ 150,3
- 2013: R$ 365,2 - R$ 154,4
- 2014: R$ 378,2 - R$ 157,7
- 2015: R$ 368,9 - R$ 152,6
- 2016: R$ 366,7 - R$ 155,8
- 2017: R$ 370,2 - R$ 157,5
- 2018: R$ 386,5 - R$ 157,5
- 2019: R$ 394,3 - R$ 168,8
- 2020: R$ 379,3 - R$ 157,6
- 2021: R$ 354,1 - R$ 151,0
- 2022: R$ 379,9 - R$ 154,2
- 2023: R$ 425,7 - R$ 174,0
- 2024: R$ 448,5 - R$ 177,5
- 2025: R$ 481,3 - R$ 193,8
Massa de rendimento mensal per capita dos 10% mais pobres
- Ano: Total - 10% mais pobres (Em bilhões de reais)
- 2012: R$ 350,8 - R$ 3,3
- 2013: R$ 365,2 - R$ 3,7
- 2014: R$ 378,2 - R$ 4,0
- 2015: R$ 368,9 - R$ 3,8
- 2016: R$ 366,7 - R$ 3,3
- 2017: R$ 370,2 - R$ 3,1
- 2018: R$ 386,5 - R$ 3,0
- 2019: R$ 394,3 - R$ 3,1
- 2020: R$ 379,3 - R$ 3,5
- 2021: R$ 354,1 - R$ 2,4
- 2022: R$ 379,9 - R$ 3,9
- 2023: R$ 425,7 - R$ 4,8
- 2024: R$ 448,5 - R$ 5,5
- 2025: R$ 481,3 - R$ 5,7
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.



