Belo Horizonte
Itatiaia

Galípolo atribui inflação acima da meta à depreciação cambial, seca e crescimento econômico

Inflação brasileira fechou 2024 em 4,83%, acima do teto da meta (4,5%) e dos 4,62% registrados em 2023

Por
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo

A inflação de 2024 superou o limite superior da meta devido ao forte crescimento econômico, à desvalorização do câmbio e a fatores climáticos, em um contexto de expectativas inflacionárias desancoradas e inércia da inflação de 2023. Foi o que explicou, em carta aberta, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a inflação brasileira fechou 2024 em 4,83%, acima do teto da meta (4,5%) e dos 4,62% registrados em 2023. A meta para a inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), era de 3% em 2024, com tolerância entre 1,5% e 4,5%. O objetivo havia sido descumprido pela última vez em 2022, quando o IPCA fechou em 5,79%.

"A inflação envolveu uma gama ampla de fatores. No sentido contrário, destacase a queda do preço internacional do petróleo no segundo semestre do ano", diz Galípolo, na carta.

Dentro da inflação importada, o principal fator foi a depreciação cambial, com efeito de 1,21 p.p., seguida pelas commodities, medida pelo Índice de Commodities – Brasil (IC-Br), com efeito de 0,10 p.p. Esses fatores superaram o impacto negativo da queda do preço internacional do petróleo, que contribuiu com -0,59 p.p.

"A significativa depreciação cambial decorreu principalmente de fatores domésticos, complementada pela apreciação global do dólar norte-americano", explica o presidente do BC.

CLIMA

Segundo Galípolo, a seca e o ciclo do boi também influenciaram a inflação. A seca em algumas regiões do país elevou os preços de alimentos, como carnes, leite, café e laranja, devido à deterioração das pastagens.

O ciclo do boi impactou significativamente o preço da carne, superando as expectativas, e foi agravado pela seca e pela depreciação cambial.

No segundo trimestre de 2024, as enchentes no Rio Grande do Sul afetaram os preços de alimentos, principalmente no estado, mas houve reversão nos meses seguintes.

Estimativas indicam que anomalias climáticas no Oceano Pacífico e choques nos preços de alimentos contribuíram com 2,43 p.p. para a inflação, com impacto direto de 0,38 p.p. no IPCA de 2024.

No entanto, a melhora das chuvas no final de 2024 resultou em bandeira tarifária verde para a energia elétrica, a mesma de dezembro de 2023, e não afetou diretamente a inflação.

As bandeiras vermelhas foram acionadas em setembro e outubro, mas em novembro foi reduzida para amarela e, em dezembro, para verde.

Por

É jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.

Tópicos